A Igreja não é partido político

Mas ela dispõe de credibilidade suficiente para que a nova geração conheça e assuma a dimensão social de que ela é portadora, mesmo porque a opção de Jesus Cristo foi pelos pobres
Concordo, mas ela dispõe de credibilidade suficiente para que a nova geração conheça e assuma a dimensão social de que ela é portadora, mesmo porque a opção de Jesus Cristo foi pelos pobres. Não basta “condenar os políticos”. Será que aos jovens está sendo proposta a reflexão de que a vivência cristã pressupõe maturidade política também? Para dom Hélder Câmara, o próprio Natal era um ato de subversão:” um menino pobre, uma mãe solteira, um pai adotivo. Quem assiste ao nascimento é a ralé da sociedade( pastores).
Já dom Pedro Casaldáliga afirmava que “todo rico é ladrão”. Havendo questionamento, ele complementava: ” se você não roubou, os seus velhos roubaram”. Ele jamais se cansou de afirmar que ” o Jesus Cristo de verdade só existe um: o pobre, o humilde, o perseguido e vencedor”.
Quanto ao dom Paulo Evaristo Arns, quantas vezes ele se fez acompanhar de familiares dos desaparecidos rumo ao Palácio do Planalto, mesmo sabendo que a resposta do então ministro general Golbery do Couto e Silva seria sempre a mesma: ” havendo resultados, providenciaremos informações ao cardeal de São Paulo”.
Quantas vezes, durante a ditadura militar, o único refúgio dos jovens marcados para morrer eram as paredes dos conventos, principalmente as dos dominicanos ou beneditinos. Se descobertos, os padres envolvidos com a missão de fuga dos
perseguidos, além do rótulo de ” padres vermelhos” , a exemplo do frei Tito, eram violentamente espancados.
Em El Salvador, Dom Oscar Romero foi assassinado em 1980, enquanto celebrava a Eucaristia em um hospital da capital salvadorenha.
Morre um bispo- sussurrou agonizante – mas DEUS continua com os pequeninos de minha terra”. Entre nós, a experiência das comunidades eclesiais de base foi genuinamente cristã.
Sim, a Igreja não é partido político, mas ante o atoleiro da corrupção reinante, nas bastam condenações, mas é necessário conscientizar principalmente a nova geração, majoritariamente indiferente ao front político, mesmo porque a verdade de nossos avós continua atual: quem tem berço não se permite corromper, quem tem a consciência verdadeiramente ajustada à mensagem de Jesus Cristo jamais pactuará com o mercado nefasto da corrupção reinante.
A Igreja não é partido político, mas pode ser um fermento a serviço da ética e do caráter da nova geração política de nossa pátria.
(*) Tadeu França, professor e ex-deputado federal constituinte
Ilustração: Reprodução/Canção Nova
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