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Uma aventura pelo maior evento literário da América Latina

A 28ª Bienal Internacional do Livro, realizada no Distrito Anhembi, em São Paulo, se destaca pelos números. Mais de 700 mil visitantes passaram pelo local que tem 87 mil m² e reuniu 269 expositores. A seguir, detalhes da feira, que atraiu gente de vários estados do Brasil e de outros países

Ir à Bienal, pela segunda vez? Minha primeira ida fora em 2012. Até que é uma boa, imaginei. O professor aposentado Almir Tronco me convidara para uma viagem a São Paulo, no carro dele. Aceitei e sugeri que ele fosse um pouco mais adiante para coincidir com a 28ª Bienal Internacional do Livro, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Ele concordou. Saímos de Maringá dia 5, o evento seria entre 4 e 13 de setembro. A viagem de 650 quilômetros, apesar da chuva, foi tranquila até um hotel na Praça da República, na capital paulista. No domingo, dia 6, fui conferir a Bienal. O Uber me levou por R$ 42. Ao me espremer na multidão percebi que estava muito diferente daquela de 14 anos atrás.
Tanto que demorei a localizar a Sala de Imprensa. Com o passar das horas, o Anhembi foi virando uma lata de sardinha. Qualquer caminhada se tornava difícil. Gente que ia, gente que vinha. Permaneci algumas horas com os jornalistas. Aproveitei para entrevistar alguns escritores que foram até lá. Na parte da tarde, fui verificar os estandes. Havia 269 expositores. Muitos pequenos, mas lotados. As capas anunciavam os gêneros mais cobiçados. Romances contemporâneos, suspense, tramas policiais, fantasia e ficção jovem, que chamam de “young adult”. Ouvi muito também “romantasia”, mistura de romance e fantasia.

Apesar do aperto em meio a tanta gente, os artistas proporcionavam um certo encanto. Um tocando violino, outro desenhando, outro lendo em voz alta, uma menina fantasiada de fada divertia as crianças. Não faltavam novidades nos longos corredores. Fiz algumas entrevistas rápidas com leitores e me dei conta de que eram 17 horas. Hora de ir embora. Com lentidão saí do Anhembi e deparei com uma fila de mais ou menos uns 800 metros. Gente que esperava o ônibus gratuito para ir até o Terminal Rodoviário do Tietê e embarcar no metrô. Tentei um Uber, demorado. E o pior: o preço era o triplo do que pagara de manhã. Alegavam o tal horário de pico…

O público da Bienal superou o de 2024, que foi de 722 mil

Não havia outro jeito, encarei a fila. Após 1h e 8 minutos cheguei a um dos ônibus. Do Terminal Rodoviário, de metrô, em poucos minutos cheguei ao hotel, na Praça da República. O Almir, que estava animado para ir à Bienal, após minha narrativa, desistiu. Preferiu degustar pastéis e petiscos de boteco no antológico Salada Record. Disse que a coluna dele já atravessou o Cabo da Boa esperança. Não suporta mais ficar numa fila tão longa. E é complicado mesmo. Uma aventura. Sem dizer que os ingressos para os fins de semana e o feriado de 7 de setembro haviam esgotados.

No dia que se seguiu ao fim da Bienal, a assessoria de imprensa me enviou um release. O texto dizia que ao menos 760 mil visitantes haviam passado pelo Distrito Anhembi nos dez dias do evento. O número supera o de 2024 que foi de 722 mil. O evento ocupou 87 mil m² de área total, 28% a mais do que a edição anterior. “Esta edição histórica mostra a força da Bienal como um grande encontro cultural e também como um importante motor para toda a cadeia do livro”, afirmou a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), organizadora do evento, Sevani Matos.

Estudantes dão uma pausa para o lanche

Visitantes – Não faltaram visitantes admirados com o tamanho da Bienal e a satisfação de estar ali à procura de um livro ou para descobrir novos rumos da leitura. “Estou curtindo o espaço. É um local ideal para a gente se expressar e mostrar nossa identidade. Vim com o objetivo de divulgar minha fantasia. O pessoal está receptivo, me chamando para tirar fotos, perguntando sobre o sentido da minha fantasia. Muito legal”, diz Aiko Chernake, 14 anos, artista, cuja fantasia é inspirada em movimentos musicais japoneses.

A analista de RH, Márcia Peregrina, 67 anos, afirma: “Gostei de tudo, a iluminação, a montagem dos estandes e os próprios expositores, simpáticos, tratando bem os visitantes. Ao menos eu senti isso. Vim com a família, e todos estão curtindo. Há muitas novidades, livros dos quais nunca ouvi falar, mas a gente vê, vira as páginas e, às vezes, acaba gostando”. Entre os parentes dela estava a nora Kettulhy Mendes, que é escritora. “Estou animado. Muita gente circulando, o pessoal vem, pergunta sobre meus livros. Acho isso bacana. É uma boa maneira de divulgação. Nem sempre a pessoa compra, mas muitos veem o livro, conhece o autor que, no caso, sou eu. Acho interessante esse contato que a Bienal proporciona”, completa Rodrigo Ortiz Vinholo, 38, escritor de ficção científica com vários livros publicados.

Não faltaram artistas para distrair o público, como este casal de Salvador (BA)

“Estou gostando. Tudo organizado. No meu caso, que chego a ler até 100 livros por ano, procuro as promoções. Às vezes, encontro um livro que gosto com baixo preço. Isso é muito bom e motiva a gente a vir a todas edições da Bienal. Sou leitora do Raphael Montes, gosto de livros de suspense e terror. Mas também de Clarice Lispector, Machado de Assis, entre outros”, diz Alicia Rufino, 18 anos, estudante de psicologia. “A Bienal não é só livros. É um local para todas as artes. Eu por exemplo estou aqui executando um solo de violino. A maioria dos que passam está curtindo. Mas também gosto de ler, principalmente, livros voltados à psicologia que me trazem algo de útil. Que bom estar aqui, nesta mistura de música, literatura e outras artes”, acrescenta Nana Mathias, 37 anos, musicista.

Nas dicas de leitura, o patrono da educação brasileira, Paulo Freire

Fotos e texto: Donizete Oliveira

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