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A vitória do povo trabalhador

5×2 é justiça

Por Miss Marple

Ontem, 14 de outubro, o Brasil escreveu um dos capítulos mais importantes da sua história trabalhista. O Senado aprovou por 75 votos a 1 o fim da escala desumana 6×1 e a implementação definitiva da escala 5×2. É o fim de uma jornada que escravizava e o começo de uma jornada que humaniza.

Essa vitória não caiu do céu. Ela tem nome, sobrenome e origem. Foi uma briga comprada por um operário, um torneiro mecânico que conheceu o chão de fábrica, que sentiu na pele o que é trabalhar seis dias para ter apenas um para viver. Esse operário se tornou Presidente da República pela terceira vez e não esqueceu de onde veio.

Enquanto muitos que nunca trabalharam um dia na vida defendiam a manutenção da exploração, foi ele, Lula, quem encampou a luta do povo e transformou a angústia do trabalhador em PEC, em voto, em lei. Essa conquista é ainda maior para as mulheres brasileiras.

Porque para o homem, a jornada 6×1 terminava quando batia o ponto. Para a mulher, ela continuava. É a segunda jornada em casa, como mãe, como dona de casa, como cuidadora. É a terceira jornada, tentando estudar à noite. A mulher trabalhadora vive jornadas múltiplas e ter apenas um dia de descanso era uma crueldade que afetava sua saúde física e mental, seu convívio familiar e seu direito ao lazer. A escala 5×2 é, acima de tudo, uma vitória das mulheres.

Mas é preciso ficar atento. Muito atento.Até ontem, víamos figuras e grupos políticos votando contra, debochando da proposta, chamando-a de “coisa de vagabundo” e defendendo que o Brasil não podia “parar”. De um dia para a noite, como num passe de mágica eleitoreira, os mesmos passaram a posar de defensores dos trabalhadores, a votar a favor e a tentar colar sua imagem nesta conquista que nunca foi deles.O povo não é bobo.

Quem muda de convicção por conveniência eleitoral muda de caráter por conveniência de poder. Pessoas que voltam atrás em suas decisões fundamentais ao sabor do vento, que hoje defendem uma coisa e amanhã defendem o oposto apenas para se manterem bem nas pesquisas, são pessoas pouco confiáveis. São aproveitadores, não são líderes.

E para presidir um país, antes de diploma, antes de discurso, antes de marketing mentiroso, precisa-se de uma coisa: caráter definido. Precisa-se saber de que lado se está, e permanecer desse lado quando é difícil, não só quando dá voto. O trabalhador sabe de que lado esse operário que virou presidente três vezes sempre esteve.

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

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