O recado das urnas

O momento político requer cautela, ponderação e o desejo maior de que essa nação encontre seu rumo

Os resultados do último pleito eleitoral mostram que a população enviou um importante recado aos políticos desse País. Independentemente de ideologias, o eleitor optou por promover necessárias e urgentes mudanças, elegendo número expressivo de representantes de direita na Câmara dos Deputados e no Senado Federal e ainda uma dezena de governadores. Os ventos da mudança sopraram com maior intensidade e atingiram seu ápice com revelações de acontecimentos lamentáveis que desnudaram altas autoridades da República, supostamente envolvidos em casos de corrupção, favorecimento ilícito e outros tantos hipotéticos crimes a serem investigados, mas com fartas evidências de autoria. O resultado não poderia ser outro: ainda que o cidadão comum não tenha acesso a detalhes específicos, o tsunami político fortalece a oposição, que tenta aglutinar apoios para retomar o controle da nação.

Independentemente de qual grupo político seja escolhido para comandar os destinos do País, de antemão o contribuinte deverá internalizar uma postura de contenção de gastos e consequente aperto do cinto. As estatísticas apontem o endividamento de 82% das famílias brasileiras entre julho e agosto de 2026 reforçando a necessidade em se buscar alternativas para cortar gastos, rever a prioridade das despesas e eliminar aquelas que, diante da gravidade da situação, possam ser consideradas supérfluas. Não é de hoje que a economia se mostra cambaleante. Os sinais estão mais que visíveis por todo lado com estabelecimentos comerciais e empresas encerrando as atividades, levando para a insegurança da informalidade milhões de trabalhadores com carteira assinada. Com o setor do agronegócio a situação não é diferente e as dificuldades são naturalmente amplificadas pela questão climática.

Ocorre que o cerne da questão se concentra na monstruosidade da dívida pública brasileira, que encerrou o mês de agosto em 9,293 trilhões de reais. O governo perdulário atual gasta muito mais do que arrecada e sem cerimônia alguma transfere a conta aos contribuintes, que ainda sofrem com a extorsiva taxa de juros beirando os 15%. O Brasil possui mais de 90 tributos vigentes nas esferas federal, estadual e municipal divididos entre impostos, taxas e contribuições. A carga tributária infligida ao povo ordeiro e trabalhador atingiu em 2025 o recorde de 32,4 % do Produto Interno Bruto (PIB). Muitos desses tributos ocorrem em cascata, ou seja, em vez de o imposto incidir apenas sobre o valor adicionado em cada fase, ele é cobrado sobre o valor total da operação. Assim, um produto sofre tributação desde a matéria-prima, a industrialização e a comercialização, em muitos casos inviabilizando a implantação ou a manutenção de empreendimentos em diferentes segmentos, afetando diretamente a criação de novos postos de trabalho como na construção civil, indústria, comércio e agropecuária.

O recado das urnas precisa ser levado a sério por nossos representantes. A situação econômica do País tende a se deteriorar e certamente poderá se estender por um período considerável, até mesmo impulsionado pela instabilidade da conjuntura geopolítica atual, onerando ainda o bolso do contribuinte. A responsabilidade do futuro presidente, portanto, é infinitamente maior e revestida por fatores extremamente agravantes. O momento político requer cautela, ponderação e o desejo maior de que essa nação encontre seu rumo. As mudanças necessárias estão nas mãos do eleitor. A apenas um clique.   


(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista em Marialva/PR.

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