A travessia que não podemos adiar


Os sinais estão no ar, nas esquinas, nas árvores tombadas, comércios e casas aniquiladas
Acordamos nesse dia de Finados, pós eleição, com Maringá em cenário de terra arrasada por conta das chuvas.
A primeira reflexão que me ocorreu é que a polarização e a calcificação política são tão grandes que debatemos pouco, quase nada, as mudanças climáticas nas eleições deste ano. É uma agenda urgente a ser enfrentada pelos gestores de todos os entes federativos. Passada a eleição, o conflito ideológico deve ser deixado de lado para a união de esforços em prol de políticas de enfrentamento e redução de danos diante dos desafios climáticos. Já na primavera, estamos sentindo o impacto avassalador do El Niño. O verão certamente nos reserva grandes desafios e intempéries, estragos, prejuízos, talvez vidas.
Todos os climatólogos são unânimes: não há como prever com precisão o índice pluviométrico, a força dos ventos e a voracidade do clima vindouro. É a Mãe Terra dando seu recado: abusamos dos seus recursos como se fossem ad infinitum. A sociedade industrial, em pouco mais de três séculos, aniquilou o ecossistema com um modelo econômico extrativista, pautado no lucro voraz. Um modelo insustentável que começa a colapsar, tanto do ponto de vista social quanto ambiental.
Frei Leonardo Boff, em seu livro Covid-19: a Mãe Terra contra-ataca a humanidade: advertências da pandemia, sinaliza que a Terra, desde a pandemia, está dando seus sinais de exaustão e de punição aos homens. Gaia, volta e meia, ciclicamente, expulsa algumas populações. Ela continuará aqui, mas poderá nos cuspir. A Mãe Terra contra-ataca. A pergunta que fica é: ainda temos tempo de retornar à Casa Comum?
Os sinais estão no ar, nas esquinas, nas árvores tombadas, comércios e casas aniquiladas. A Maringá que se prepara para um dos maiores Natais de sua história está devastada e desencantada neste Dia de Finados. Urge a reconstrução e um pacto solidário. Mas, antes de tudo, um pacto nacional supraideológico de políticas públicas de prevenção, combate e redução de danos diante das mudanças climáticas. Vamos precisar de todo mundo. Só não cabem na travessia dessa arca os negacionistas.
Arte s/ foto de O Diário de Maringá
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