Quem tem medo de reformas?

De Alex Costa:
Vamos ver agora até quantos graus vai a febre revisionista a muito em marcha no Brasil. Até agora setores conservadores tem se esmerado em tecer críticas ao Código Penal e ao Estatuto do Criança e do Adolescente, nesses casos o clamor por mudanças trazem a reboque doses extras de criminalização para as classes menos favorecidas. Mas eis que surge um teste para os que só gostam de exigir mudanças que afetam majoritariamente a terceiros. A proposta presidencial de uma constituinte específica para uma reforma política já acumula críticas. As mais insanas falam que é uma tentativa de golpe, as mais cínicas dizem que a Constituição é boa como está e não precisa mexer. Precisa sim, embora pontualmente. Mas, ao que parece, o que incomoda é com quem ela mexe. Embora a carta magna influencie a vida de todos os cidadãos a proposta da reforma, embasada no Artigo 60 da mesma, atinge, sobretudo, os grupos políticos e econômicos que, muitas vezes, manipulam em seu favor as instituições democráticas. Ficaremos atentos para ver se a preocupação com mudanças necessárias é realmente indiscriminada ou se vai prevalecer a hipocrisia.
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(*) Alex Aparecido da Costa é mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em História da UEM epesquisador do Leam – Laboratório de Estudos Antigos e Medievais