Wagner e a Branca de Neve

De Leonel Lopes:
Dia chuvoso, 26.02.2013, cruzando a avenida Colombo com a avenida 19 de Dezembro, conheci o Wagner Francisco da Costa (39 anos) e a sua grande companheira Branca de Neve, a cachorrinha de estimação que ele carregava no ombro. Registrei o carinho dos dois, revelei a foto e entreguei para ele, como forma de agradecer a oportunidade de tê-los fotografado. O Wagner é morador de rua há cinco anos, em Maringá, e não bebe e nem se droga. Vende material reciclável para (sobre)viver. Encontrei-o outra vez (e outra chuva), com o cabelo cortado e a barba aparada quase não o reconheci, pois também estava com um olho roxo: tinha levado um murro de um drogado bêbado que tentou assaltá-lo (!!).
Hoje, 30.06.2013, dia chuvoso (!!), nos esbarramos e ele contou sobre a Branca de Neve: Estavam dormindo no canteiro da avenida Mandacaru, e uma caminhonete (não soube precisar o veículo, já que estava dormindo e quem presenciou o fato foi uma senhora que limpa a lanchonete “Rei da Canja”) parou, o motorista pegou a mansa Branca de Neve e levou-a (roubou-a!!). Desde então, o Wagner anda (metafórica e literalmente) sozinho. Com muita saudade da sua companheira, ele diz que até sonha com ela, e deseja que a pessoa que a pegou esteja cuidando muito bem da cachorra, que tinha sido vacinada para não procriar (a dona de um pet shop, da Mandacaru, deu até banho grátis na Branca de Neve, pois conhece a pessoa boa que Wagner é. “A Branca de Neve estava toda cheirosa”, lembra ele).
Perguntei para o Wagner se eu poderia postar a foto em redes sociais para tentar obter informações; concordou e ficou feliz com a idéia e até fez pose com o braço no ar, vazio, sem a amiga…, para as pessoas compararem com a outra foto e perceberem o vazio deixado.
Então, Rigon, esperamos que alguém, pelo menos, escreva dizendo que a Branca de Neve está bem. Ou, quem sabe, se até o responsável pelo desaparecimento da cachorra se comova (?!) e resolva devolvê-la. Eu, Leonel Lopes, ficarei feliz se, pelo menos, as pessoas reconhecerem o Wagner na rua e pararem para conversar com ele.
[A moral da fábula foi retirada por sugestão de leitor e concordância do autor]

Wagner sem a Branca de Neve
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