Reserva de mercado
Por Marcos Daniel Insaurralde:
A quantidade de gente torcendo para que o “Mais Médicos” dê errado é incrível, principalmente médicos ligados às máfias dos conselhos regionais de medicina. Acredito até que seja o caso do Ministério da Saúde implementar (ou intensificar) algum tipo de fiscalização porque tenho certeza que haverão médicos brasileiros dispostos a sabotar a atuação desses médicos do programa “Mais Médicos”, ainda que isso ponha em risco a saúde ou a vida dos usuários do SUS. O presidente do conselho regional de MG já declarou que vai orientar os médicos do estado “a não socorrerem erros dos colegas cubanos”. A julgar pela eficiência com que os conselhos regionais ignoram e perdoam os erros dos seus colegas brasileiros não duvido de mais nada.
Acredito que a questão ultrapasse em muito a decisão (equivocada, na minha opinião) do Ministério da Saúde pela não-obrigatoriedade da prova de revalidação para esses profissionais formados no exterior. Há tempos já não é mais possível falar em vocação com relação à carreira de medicina no Brasil. Tudo o que os médicos querem é dinheiro, prestígio e status. É indiscutível que a corrupção e a péssima gestão dos recursos concorrem também para o quadro caótico da saúde pública no Brasil, mas a classe médica também lucra muito com o sofrimento dos usuários do SUS. Basta olhar a qualidade do atendimento na rede pública, quanto pior o atendimento mais o povo se sente compelido a adquirir um plano de saúde privado, que interessa muito mais aos médicos em termos financeiros.
Se a oferta de médicos é restrita, é claro que eles serão financeiramente mais valorizados. Com a importação de mão de obra estrangeira o passe dos médicos tende a ficar mais barato. A tentativa da aprovação da absurda lei do “Ato Médico” e essa atuação quase desesperada dos conselhos contra a vinda de médicos estrangeiros são parte de uma política de reserva de mercado que garanta a manutenção da lucratividade da atividade médica no Brasil, doa a quem doer.
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