Matinê de carnaval
Do padre Orivaldo Robles:
Saudade não consulta calendário. Sem se anunciar, bateu-me a lembrança do meu primeiro (e único) carnaval. Cedo me convenci de que o rei Momo e eu temos incompatibilidade de gênios. Garoto pobre da roça, jamais soubera da sua existência. Para mim, como para todos os meninos do meu tacanho mundinho, carnaval era uma palavra de pouco, quase nenhum significado. Daí, por uma razão que só a pobreza explica, minha família se mudou para Jales. Fomos morar numa chácara, no limite do perímetro urbano. Na frente do pomar que rodeava nossa casa corria a primeira rua. Sufocada, é verdade, pelo capim colonião em que pastava alguma vaca ou cavalo ali amarrado com corda longa. Mas era a rua que dava início à cidade. Com menos de dez anos de fundação, parecia estranho, mas não para nós, chamar cidade um amontoado de meia dúzia de ruas. Casas, algumas dezenas. Na íntegra.
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