Dois países

De Elio Gaspari, em O Globo:

Pegou fogo o Hospital Badim, no Rio, e morreram 14 pessoas. Acidentes acontecem, mas nenhum hospital público passou por semelhante desastre.
O Badim faz parte da Rede D’Or, a maior do mercado de saúde privada, com 45 hospitais e lucro líquido de US$ 308 milhões no ano passado. A Rede D’Or informa que sua participação no Badim é apenas passiva. Sabe-se lá o que isso queria dizer para um paciente que estava na UTI e morreu.
No dia do incêndio, o presidente Jair Bolsonaro estava internado no Vila Nova Star, joia da coroa da mesma Rede D’Or, para o andar de cima de São Paulo. Esse novo hospital ganhou fama atraindo renomados médicos com contratos milionários. Algo rotineiro em grandes empresas e clubes de futebol. (Lula e Dilma Rousseff são fregueses do Sírio-Libanês.)
O Badim atende pessoas cujos planos de saúde custam em torno de até R$ 500 mensais. Já as joias da rede recebem clientes que pagam algo como R$ 5 mil, ou mais.
Faz pouco sentido que se propague a ideia de que existe uma rede privada top, plus, star ou d’argent, contrapondo-se à dos hospitais públicos.

(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)