O esbanjamento

Do padre Orivaldo Robles:

Faz anos, era véspera do aniversário de meu afilhado, criança dos seus quatro ou cinco anos. A comadre surpreende-o atirando ao lixo um monte de brinquedos. “Que é isso, meu filho?”. A resposta desconcerta-a: “Ah, mãe, amanhã é meu aniversário. Vai vir tudo novo”. A comadre não alisa. Faz desabar sobre o pequeno um sermão a respeito de crianças pobres aos milhões, que se dariam por felizes com um só daqueles brinquedos usados, que ele estava jogando fora. O coraçãozinho infantil comove-se. O menino cai num pranto sentido, que a mãe precisa consolar.
Dias depois, na pia da cozinha ela encontra um potinho de iogurte aberto, ainda quase cheio. Repreende-o na hora: “Filho, se você não aguentava tomar um inteiro, por que abriu? Quantos pobrezinhos gostariam de um iogurte, mas…” Rápido, ele corta-lhe o discurso: “Ih, mãe, não vem de novo com essa história de pobres, que outro dia eu fui obrigado a chorar por causa deles”. Na íntegra.