Análise mostra que não houve aplicação de vacina vencida

Tudo indica que foram mesmo erros que levaram à notícia de que 26 mil doses de vacina com validade vencida, tendo Maringá como ‘campeã’. Todas as cidades negaram a informação publicadas ontem na Folha de S. Paulo, com base em dados do Ministério da Saúde. O jornalista Rodrigo Menegat, da DW News, fala na possibilidade de uma ‘barriga’, como se diz no jargão jornalístico. “Jornalismo de dados é, antes de tudo, jornalismo. A gente não acredita de cara em tudo que uma fonte diz só porque ela é do governo. O mesmo vale para dados governamentais, por mais oficiais que sejam”.

Em rede social, ele relatou: “Acessei os dados do OpenDataSUS para tentar entender o que diabos estava acontecendo na cidade, que, segundo reportagem da Folha, vacinou 3543 pessoas com doses vencidas de vacina AstraZeneca. Usei os dados brutos daqui. Primeiro, vale recapitular que a prefeitura da cidade nega o problema e alega que o que aconteceu foi uma defasagem no lançamento dos dados para a plataforma nacional e que, com isso, a data da vacinação foi informada incorretamente. Será que faz sentido?

Bom, para isso vale dar uma olhada para o padrão de vacinação da cidade. Não tive paciência para deixar o gráfico abaixo bonito, mas vejam como existe um pico colossal de vacinação no dia 22 de abril.

Segundo a base de dados, Maringá aplicou cem mil doses de vacina entre os dias 22 e 23 de abril de 2021. Isso equivale a 25% do total da população do município em dois dias. É altamente improvável que algo assim tenha ocorrido. Agora vamos olhar para as vacinas que teriam sido aplicadas já vencidas na cidade. Acho que já dá pra adivinhar em que dias estão registradas, né? Todas as 3543 vacinas “vencidas” foram aplicadas no dia 22 (3086), no dia 23 (447) ou no dia 26 (10) do mesmo mês.

Vamos fazer um gráfico para mostrar quando as vacinas do lote problemático, o 4120Z005, foram aplicadas, mas incluindo dessa vez as que foram aplicadas na data correta, antes do vencimento. Desculpem, de novo, o print feio do Python.

As vacinas do lote 4120Z005 começaram a ser aplicadas em fevereiro de 2020. Depois, entram em um período de hibernação até serem redescobertas em abril, quando 3000 vacinas estragadas são aplicadas em um só dia. Parece improvável, né?

Isso aí, pra mim, já é motivo para dar razão para a prefeitura de Maringá. O argumento deles parece fazer todo o sentido. O que me choca é que Maringá foi destacada individualmente no texto do jornal como um caso digno de preocupação. Até o Ricardo Barros citaram no meio da confusão. Não dava pra ter olhado pra isso antes?”. Aqui, a sequência com explicações e considerações.