Palanque coberto

O presidente Jair Bolsonaro, além de participar de motociata de caráter eleitoral, vai discursar amanhã em Maringá. Normalmente, dura pouco, mas com o acionamento do motor golpista é capaz de durar mais. O comício desta vez deve acontecer na arena coberta; em outubro de 2021 foi em cima de um caminhão no pavilhão azul.

Há quem aguarde o presidente falar sobre o aumento do diesel, ocorrido hoje, ou mesmo sobre a revelação, feita hoje pela Folha de S. Paulo, sobre o general da reserva Cláudio Barroso Magno Filho, que atuou fazendo lobby para a mineradora Potássio do Brasil, e que esteve pelo menos 18 vezes no Palácio do Planalto durante o governo Jair Bolsonaro (PL). A Potássio do Brasil é acusada pelo Ministério Público Federal de cooptação de indígenas do povo mura para exploração mineral na Amazônia.

O idealizador da visita, deputado federal Ricardo Barros (PP),uma espécie de presidente de honra da Sociedade Rural de Maringá, postou que o maringaense deve comparecer ao parque de exposições “para agradecer ao presidente todas as liberações de recursos federais para Maringá e região”. Tem apanhado: agradecer político – alguns que torram R$ 120 mil de cartão corporativo por dia sem dar satisfação no que foi gasto, outros que vivem em mansões e possuem empreendimentos imobiliários diversificados -, só mesmo na cabeça de quem lucra com isso. “Liberar recurso é obrigação de qualquer governo”, tem sido voz uníssona ao apelo de Barros, em cuja gestão no Ministério da Saúde foram gastos R$ 20 milhões com medicamentos não entregues.