Um olhar sobre onde estamos. Para decidir para onde queremos ir

Cara leitora e leitor. Essas linhas não têm a pretensão de influenciar quem quer que seja a escolher seu candidato. Se o texto levar à uma reflexão que seja, já terá cumprido seu papel.
A eleição que se aproxima não deve ser simplificada numa mera escolha de um ou outro candidato. É muito maior do que isso. É decidir sobre qual projeto será escolhido para o país para os próximos anos. Para tanto, é importante um olhar sobre onde estamos, para decidir para onde queremos ir.
Os últimos anos foram obscuros e dolorosos. Vivenciamos mais de 680 mil mortes em decorrência da covid. Ao mesmo tempo, a ciência era desacreditada e a vacinação desestimulada. A simulação de uma pessoa morrendo por falta de ar em tom de brincadeira é uma cena tão desprezível que causar revolta a qualquer um que se considere minimamente “humano”.
O racismo, a homofobia, o machismo (que muitas vezes terminam em violência), se afloraram e foram apelidados de “mi-mi-mi”. O intolerável passou a ser tolerável e banal. Retrocedemos tão gritantemente que o país que bate recordes de exportação de alimentos contraditoriamente bateu o recorde da miséria. Hoje, mais de 20 milhões de nossos irmãos sofrem com a fome.
Recentemente notícias sobre o aumento casos de violência e agressões por motivações políticas tornaram-se quase que diárias. Pessoas têm medo usar roupas de uma determinada cor com medo de serem agredidas. A declaração de que pessoas de um partido deveriam ser “metralhadas” soou como uma carta branca aos bestiais. Muitos destes se autodenominam, equivocadamente por certo, como “cidadãos de bem”.
Há os que tentam rotular a disputa eleitoral como uma luta do bem contra o mal. E para conquistar votos vale dizer “Deus acima de tudo”. Mas qual Deus? O dos evangélicos? Dos muçulmanos, dos católicos ou dos judeus? Qual deles está acima de tudo? Talvez o seu, porque a fé é uma questão tão íntima que cada pessoa tem o seu próprio conceito de Deus. E dessa forma, pessoas de verdadeiramente de boa-fé se deixam enganar pelos falsos messias. E se os incautos entenderam que a mensagem sagrada foi de “armar” o próximo e não de “amar” o próximo, certamente não entenderam a mensagem.
Finalizando, não se trata de uma mera escolha de um ou outro candidato. Trata-se da escolha de um projeto. Um de esperança e respeito ao ser humano, seja ele quem for. O outro, da barbárie e da desumanidade.
(*) Paulo Vidigal é advogado em Maringá
Foto: Pixabay
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