Morre Cândido Gaya, o Zapatinha

Gaya, que morava em Maringá, combateu a ditadura e sofreu torturas físicas e psicológicas

Faleceu hoje o ex-preso político Cândido Gomes Gaya, 77, conhecido na militância política contra a ditadura militar como Zapatinha. Ele residia, sozinho, na Vila Santa Izabel e estava debilitado, com princípio de Alzheimer. Sua morte foi confirmada por sua ex-mulher Palmira, que também foi perseguida política.

Por conta de ter sido combatendo do regime militar, ele usou codinomes. Em Maringá, trabalhou como revisor do extinto O Jornal, e publicava textos assinando como Mariano Torres. Gaya foi perseguido e torturado pela Polícia Militar, após ficar preso por dois dias no Dops.

Documentos da época da ditadura (aqui e aqui) indicam que foi incurso no Ato Institucional nº 5, em 1969. Seu apelido Zapatinha era porque acompanha o jornalista Fábio Campana, conhecido como Zapata. O inquérito policial da época apontava que ambos faziam parte de um grupo atuava no sudoeste do Paraná, em 1968. De acordo com um dos documentários sigilosos produzidos pelo regime militar conta que Cândido Gaya aliciou Luiz Fábio Campana, que década depois foi secretário de Comunicação Social do Paraná, e trouxe João Manoel Fernandes para o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, que agregava lideranças estudantis e operárias.

Ele foi indiciado pela ditadura junto com outros nomes, como o jornalista Aluízio Ferreira Palmar, idealizador do site Documentos Revelados, considerado o maior acervo da resistência ao regime militar. Palmar lamentou a morte de Cândido Gaia. O velório acontecerá na sala 4 da Capela do Prever.

Abaixo, o depoimento de Cândido Gaia ao projeto DH Paz Paraná (Depoimentos para a História – A Resistência à Ditadura Militar no Paraná), onde foi entrevistado pela jornalista Silvia Calciolari, que está residindo em Maringá atualmente.