Cidadania

Do padre Orivaldo Robles:

Um episódio do “Globo Repórter” de 1997 documentou o trabalho infantil. Ergueu o tapete que cobria nossa sujeira e revelou um quadro de vergonha e nojo. Chocou nossa cultura burguesa dar de cara com imenso bando de crianças desnutridas e maltrapilhas, esmagadas pela brutalidade de um trabalho muito superior às suas forças. Longe da escola e dos folguedos infantis, sujeitas a cargas desumanas até para ombros adultos. “Isso é vida de criança?” questionou, desesperançada, uma das pequenas vítimas. A situação despertava pesar até em profissionais da televisão acostumados, por ofício, a retratar a miséria.
Mais surpreendente que tudo, porém, pareceu-me a resposta de um garoto coberto de sujeira e de suor ao repórter curioso sobre o que ele pretendia ser quando adulto. Seca como a terra que pisavam seus pés descalços, cortante como peixeira da caatinga, em duas palavras, escandiu com voz clara e triste: “Um cidadão”. Na íntegra: