Um perdão bilionário


Será que em nossas cadeias existem ladrões que tenham roubado valor equivalente a R$ 8,5 bilhões? O que se sabe é que muitos deles já passaram por gritos e safanões no lento dia-a-dia atrás das grades por apropriação indevida de valores muito menores que o enunciado.
O comparativo tem a tudo a ver com a canetada do ministro Dias Toffoli do STF, para conceder absolvição geral à Odebrecht, hoje acobertada pela simpática titulação de Novonor, exímia ladra confessa de verbas públicas, para amealhar corruptos especialistas em abrir caminhos de obras públicas superfaturadas e invariavelmente pagas pelo brasileiro, especialista que é na arte de perder.
Em estado de graça pela absolvição de todos os pecados, a ex- ré confessa, Odebrecht/Novonor encontra- se de novo habilitada a negociar não só com as instâncias municipal, estadual ou federal do país, como também está à vontade para internacionalizar as práticas em que se especializou.
Não será de estranhar se, em futuro próximo, a Odebrecht/Novonor não entrar na justiça, para pleitear o ressarcimento dos valores pagos “indevidamente” à União, blindados que se encontram pela roupagem da inocência por nada menos que um ministro do STF.
Afinal de contas, teriam sido legais ou não as conversações entre representantes da magistratura e do ministério público ? Será que essas alegações não soam pequenas demais ante o escancarado departamento de propinas da Odebrecht/Novonor para comprar políticos corruptos?
De outra forma, que se abram os portões dos cárceres pela abrangente absolvição aos ladrões menores que os da Odebrecht/Novonor até mesmo por uma questão de coerência, porque a Constituição Cidadã assegura que “todos são iguais perante a lei”.
(*) Tadeu França – professor universitário e ex-deputado federal constituinte
Foto: Starline
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