O ex-Poder Executivo

Por favor, STF, na condição de fiscal da Constituição da República Federativa do Brasil, interfira na inconstitucional bateria do “presidencialismo de coalizão”

No ciclo presidencial anterior, Lula conseguiu zerar o endividamento do Brasil com o Fundo Monetário Internacional.

No atual mandato presidencial, herdeiro do orçamento secreto, invenção mundial originária do cérebro de Bolsonaro, o orçamento secreto pago por Lula nos três anos de governo somou R$ 28.086.120.169,33, equivalentes a 79.6% do endividamento público.

No orçamento de 2026, as emendas parlamentares do fenômeno denominado orçamento secreto somam R$61bilhões que consomem até 80% das verbas destinadas aos ministérios. Isso significa que o Poder Executivo anulou- se em escala sem precedentes, porque o gigantesco Poder Legislativo (Câmara dos Deputados e Senado da República) assumiu de fato o Poder Executivo.

Quando entrevistados, e algum repórter formula a pergunta a respeito do gigantesco Poder Legislativo da atualidade, os “ex-legisladores” se apressam em responder que o orçamento (secreto) precisa de ser mudado, mas o deformado poder executivo mais e mais submisso continua ao sabor do formidável modelo administrativo sem precedentes no mundo. Batizaram o aleijado Executivo com o nome de “presidencialismo de coalizão” e tudo segue muito bem obrigado.

Mensagens importantes da Presidência da República simplesmente são destinadas ao silêncio das gavetas… enquanto o Executivo não negociar alguns bilhões de adiantamento para a devida manipulação pelos parlamentares.
Talvez pela cassação da inocente ex- presidente Dilma, pode ser que o Lula tenha certo medo de ser cassado também e vive “dialogando incessantemente” com os presidentes das duas Casas Legislativas. Há quem diga que do silêncio das gavetas, pode até surgir uma emenda propondo a cassação do Presidente da República, manobra que seria facilmente vencedora pelos votos maioria do fisiológico Centrão.

Ora, os três Poderes da República são cláusulas pétreas e, portanto, não passíveis de alteração por qualquer emenda constitucional.

Por favor, STF, na condição de fiscal da Constituição da República Federativa do Brasil, interfira na inconstitucional bateria do “presidencialismo de coalizão”, suporte a serviço da compra de mandatos vitalícios dos eleitos de sempre e que tem ensejado escândalos flagrados pela Polícia Federal.

De outra forma, o orçamento secreto haverá de absorver totalmente o nosso PIB e o Poder Executivo, a reboque do Legislativo, será apenas figura decorativa quanto ao governo de nossa pátria.


(*”) Tadeu França é ex-deputado federal constituinte

Foto: Gustavo Moreno/STF