Dança das cadeiras em Londrina

A saída de Vânia Costa, secretária municipal de Educação de Londrina, reacende o debate sobre método, continuidade e interesses políticos na gestão pública

Talvez este texto devesse começar com a frase: hoje quem chora é a educação.
Mas, para isso, precisaríamos ser uma sociedade desenvolvida — capaz de compreender o real significado da educação e seus efeitos na formação dos pequenos príncipes e princesas deste reino ainda tão afeito à ignorância. Não somos. E poucos entendem.

O ano de 2025 foi assumidamente tratado pela própria Secretaria de Educação como um período de “arrumar a casa”. Não houve pirotecnia nem marketing fácil. Houve, ao contrário, ataques coordenados dentro da própria estrutura da educação, numa tentativa clara de inviabilizar mudanças. Tudo isso sob um Executivo que, em diversos momentos, pareceu preferir estourar pipocas e assistir de camarote aos solavancos provocados pelas viúvas do belinatismo que ainda orbitam a pasta.

No campo prático, os avanços foram concretos.

Houve reestruturação do cardápio da merenda escolar, respeitando critérios nutricionais e, pela primeira vez, implantação de cardápios específicos para crianças com necessidades especiais. Convém lembrar — para que a memória não seja seletiva — que a gestão anterior foi alvo de denúncias por servir macarrão branco como refeição regular.

Ainda em 2025, a secretaria avançou no provimento de profissionais, com a convocação e posse de professores aprovados em concurso público e, como último ato da gestão, anunciou a contratação de mais 200 profissionais para a pasta — medida essencial para enfrentar a crônica falta de docentes e devolver o mínimo de previsibilidade à rede municipal.

Nada disso eliminou os problemas — e eles continuam muitos. Estrutura precária, carência de pessoal de apoio, sobrecarga das unidades e desafios históricos seguem postos. Mas houve algo raro na administração pública: honestidade administrativa, contenção de gastos e foco no essencial.

A nova secretária a assumir a pasta será Tatiane Lopes. Segundo interlocutores da própria Prefeitura, trata-se de indicação direta do ex-deputado Alex Canziani.
E é a partir daqui que fecho os olhos para qualquer currículo que venha a ser apresentado.

Não me recordo de um único ciclo eleitoral em que indicados da oligarquia canzianista não tenham ocupado a Educação em nome da manutenção de seus próprios interesses. Até as uvas passam. Alex Canziani, no máximo, vira vinho seco — daqueles que travam a boca e que dizem ser muito bons quando acompanhados de queijo mofado.

E, por falar em mofo, infelizmente, tudo indica que ele já começou a cobrir as paredes da nova administração.


(*) Israel Marazaki — fiscal por instinto, cronista por raiva e sentinela por missão