Conselho de Ética decide cassar o mandato de Renato Freitas

Colegiado recusou proposta de punições alternativas; defesa vai recorrer à Comissão de Constituição e Justiça da Casa
Em mais uma demonstração de perseguição política sistemática, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná decidiu cassar o mandato do deputado Renato Freitas (PT).
A decisão diz respeito ao caso em que Freitas se envolveu em um confronto com um manobrista na rua. O parlamentar reagiu a uma tentativa de atropelamento dele e da companheira, grávida de sua filha.
O parecer pela cassação foi do relator, deputado Márcio Pacheco (Republicanos), o mesmo que, em 2025, publicou em suas redes sociais mais de 20 conteúdos condenando a atuação de Renato.
O único voto contrário foi do deputado Doutor Antenor (PT), que havia apresentado proposta de arquivamento ou punições alternativas à perda do mandato.
Um minuto após a decisão do colegiado, o presidente do Conselho de Ética, deputado Delegado Jacovós (PL), publicou em suas redes sociais um vídeo para celebrar o que chamou de “decisão histórica”.
A defesa de Renato Freitas vai recorrer à Comissão de Constituição e Justiça da Casa. De lá, segundo o rito da Assembleia, o caso vai a plenário, onde todos os deputados devem votar.
Assassinato político – Para Renato Freitas, a decisão do Conselho de Ética sugere um assassinato político, fruto do racismo institucional. Segundo ele, é o roteiro da vingança do deputado Ademar Traiano, ex-presidente da Assembleia.
“Eu denunciei Traiano, um corrupto confesso, que fez acordo com o Ministério Público para não ser preso por cobrar e receber propina. Ele foi cassado? Não. Perdeu a presidência da casa, mas ganhou a presidência da CCJ, a mais importante da Alep. É assim que o sistema funciona”, declarou Renato.
“Se a briga fosse do Traiano, o outro seria morto a tiros e o deputado ganharia homenagem como herói da legítima defesa. Mas isso aconteceu comigo, um preto, pobre. Só restou o 14 de maio”, comparou o parlamentar.
Caso a expectativa de cassação se confirme, o deputado petista espera reverter esta e outras punições no judiciário. “Eu acredito que lá, sem a pressão política, a questão seja examinada segundo a técnica juridica”, disse o parlamentar.
Outros casos – Renato Freitas ainda foi punido no Conselho de Ética com a suspensão das prerrogativas parlamentares por 30 dias. A mesma pena foi aprovada em duas representações contra ele.
Uma se refere ao caso do supermercado Muffato, onde Renato participou de um protesto. Outra, ao caso em que o deputado discutiu com Márcio Pacheco e um assessor do parlamentar do Republicanos.
As penas também serão analisadas pela CCJ. Nesses casos, Renato corre o risco de perder – temporariamente – o direito de relatar projetos e presidir comissões, por exemplo. (Assessoria)
Foto: Arquivo
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