Reprovação e cautela

Implantação de escola cívico-militar na rede municipal de ensino foi tema de reunião de comissão da Câmara de Maringá; maioria dos especialistas reprovou a ideia, e a secretária de Educação disse que assunto exige responsabilidade e clareza

A secretária de Educação de Maringá, Adriana Palmieri, faz uma intervenção bastante relevante no debate sobre as escolas cívico-militares na rede municipal de ensino, ao participar ontem de reunião da Comissão Extraordinária de Educação da Câmara de Maringá. Ela se posicionou de forma cautelosa: reconhece a relevância do debate, mas defende que a educação deve permanecer centrada em princípios pedagógicos e democráticos, evitando que a militarização interfira na essência do processo educativo.

A comissão se reuniu para tratar do tema, objeto de projeto apresentado por uma vereadora do PL, aos moldes do adotado pelo governo do estado. Palmieri disse que o assunto desperta grande interesse público e precisa ser tratado com responsabilidade e clareza. Afirmou que a Secretaria de Educação defende a manutenção da autonomia das escolas e dos professores na condução dos projetos pedagógicos e que a gestão democrática é um princípio fundamental da rede municipal e que qualquer modelo implantado deve respeitar esse princípio.

A secretário também apontou riscos de sobreposição de funções entre militares e educadores, o que poderia gerar conflitos na rotina escolar. A Seduc, acrescentou, está aberta ao diálogo com a Câmara e a comunidade, mas frisou que qualquer decisão precisa estar alinhada às diretrizes educacionais já estabelecidas. Confira a reunião:

Após a reunião, realizada no plenário da Câmara, as colocações feitas foram entendidas como assustadoras por alguns, pelo fato de não existir estudo a respeito do que foi apresentado pela vereadora e sancionada pelo prefeito. A vereadora-autora não estava presente. Especialistas apresentaram dados e a maioria foi contrária à medida. Um dos que fizeram coro foi o ex-secretário de Cultura Victor Simião, que disponibilizou vídeo em rede social em que conversa sobre o assunto com a professora Michelle Lima, da Universidade Estadual de Maringá. Confira abaixo:

Imagem: Reprodução/TV Câmara