Fiep mudou estatuto para beneficiar vice de Moro, denuncia Sandro Alex

A Federação das Indústrias do Paraná alterou seu estatuto, em plena disputa eleitoral de 2026, para retirar uma regra que impediria Edson Vasconcelos, candidato a vice-governador na chapa de Sergio Moro (PL), de reassumir a presidência da instituição. A mudança é apontada como favorecimento direto ao ex-presidente da entidade em denúncia apresentada por Sandro Alex (PSD) ao Tribunal de Contas da União, que também questiona o uso da estrutura da Fiep para dar exposição política a Moro em eventos realizados no ano passado, quando Vasconcelos já conduzia a entidade.
Em 2025, Moro participou de praticamente todos os Fóruns Regionais da Indústria promovidos pela Fiep no Paraná. Em Irati, por exemplo, o senador aproveitou o evento para falar sobre sua atuação política e sobre as demandas que havia identificado durante sua passagem pelos municípios. A denúncia sustenta que a participação extrapolou a pauta industrial e assumiu contornos eleitorais.
Vasconcelos, eleito presidente da Fiep para o mandato 2023-2027, deixou o cargo em março de 2026 após se filiar ao PL para disputar a eleição como vice de Moro. Até então, o estatuto previa que quem renunciasse ou perdesse o mandato ficaria cinco anos impedido de ocupar qualquer cargo na Federação, inclusive de representação.
Em 26 de agosto, porém, uma Assembleia Geral Extraordinária aprovou uma exceção à regra. O novo dispositivo retirou a quarentena para casos de perda de mandato decorrente de incompatibilidade com função política ou de renúncia – exatamente as hipóteses relacionadas à saída de Vasconcelos. A denúncia sustenta que a alteração foi feita sob medida para beneficiar o candidato a vice de Moro.
Denúncia também questiona uso da estrutura da Fiep para promover Moro – A denúncia também questiona cinco contratos do Sistema Fiep, Sesi, Senai e IEL relacionados à divulgação e estrutura dos fóruns realizados em 2025. Os ajustes citados somam, na forma apresentada na denúncia, cerca de R$ 11,27 milhões, incluindo R$ 600 mil para mídia e divulgação do “Momento Indústria”, R$ 496,1 mil em propaganda de rádio, R$ 2,27 milhões para locação de tendas e estruturas, R$ 1,9 milhão para organização de eventos e alimentação e contratos de R$ 6 milhões para serviços de live marketing. A execução registrada nos contratos citados supera R$ 5,18 milhões.
A própria denúncia ressalva que os contratos, individualmente, podem corresponder a atividades legítimas de comunicação institucional. O questionamento é se a estrutura de mídia, eventos e marketing financiada por esses recursos foi efetivamente separada dos eventos nos quais, segundo a peça, Moro recebeu exposição política e Vasconcelos ampliou sua presença institucional.
Mudança ocorreu a apenas um mês da eleição – A alteração do estatuto foi aprovada apenas em 26 de agosto, a pouco mais de um mês do dia da eleição e em meio à realização da Expo+Indústria, evento promovido pela própria Fiep em Pinhais. Para e equipe jurídica que representa Sandro Alex, a mudança foi acelerada para ser aprovada ainda antes do fim do prazo previsto nas regras da entidade e acabou criando uma exceção que se encaixa justamente na situação de Vasconcelos.
A denúncia pede ao TCU que investigue se a alteração foi feita para atender a um interesse político específico. O documento também solicita a preservação e análise dos registros relacionados aos eventos e à assembleia, incluindo os gastos realizados e a origem dos recursos. A preocupação apresentada ao Tribunal é verificar se a estrutura financiada pelo Sistema Fiep foi utilizada para favorecer candidaturas e interesses eleitorais. (C/ Assessoria)
Imagem: Reprodução/Poder 360
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