São todos iguais

Com ou sem escândalos, conhecemos perfeitamente as verdadeiras intenções de nossos políticos

Às vésperas de mais um pleito eleitoral, o cidadão/contribuinte/eleitor se depara com poucas opções de escolha que se apresentem como aceitáveis. Os desdobramentos dos últimos acontecimentos nas áreas política e institucional reforçam a certeza de que os tentáculos da corrupção alcançaram a quase totalidade de nossos representantes. Esse comportamento obviamente não causa surpresa alguma, porque a história recente dessa nação está marcada por desvios de conduta protagonizados por homens públicos em todas as esferas da administração pública. Mas agora o suposto envolvimento com o maior escândalo financeiro do País alcançou um patamar de sofisticação e comprometimento nunca antes verificado. Abriu-se a caixa de pandora da improbidade e dali poderá sair qualquer coisa, se e quando os responsáveis pelas investigações tiverem realmente a intenção de passar a limpo a sujeira que se esconde, até o momento, sob o tapete do corporativismo.

Somos impactados a cada dia com tenebrosos fatos sobre a farra envolvendo o ex-banqueiro, sujeito nada modesto que imaginava poder comprar indefinidamente sua impunidade. Com um cardápio refinado e variado regado a charutos cubanos, uísque da melhor procedência e companhias femininas para animar ainda mais a galera, suas Excelências engravatadas se refestelavam na mordomia. Os mais afoitos foram com muita sede ao pote e incluíram também alguns contratos milionários, coisa de fazer cair o queixo dos pobres mortais. E a folia seguia conforme o script previamente combinado, até que o castelo dourado veio a desmoronar. Não sem antes deixar tudo registrado ao vivo e em cores, com resolução 4K e pixels suficientes para fazer tremer os alicerces do poder. Flagrados “com as calças na mão”, aqueles privilegiados degustadores do caríssimo Macallan tentam a todo custo se safar do ardor calorífico da bordoada que, cedo ou tarde, haverão de sentir no lombo.

Com ou sem escândalos, conhecemos perfeitamente as verdadeiras intenções de nossos políticos. De lá e de cá. Obviamente não se pode generalizar e incluir absolutamente todos no mesmo balaio, mas a imensa maioria dos que provaram das prerrogativas dos cargos se estapeiam para permanecer nas cadeiras estofadas dos ambientes seguros e climatizados. O poder está indissoluvelmente ligado a privilégios de toda sorte e por uma espécie de osmose institucionalizada, nossos representantes volta e meia acabam com as algibeiras estufadas. Não somente por vontade ou iniciativas próprias, mas pela conjuntura estrutural do sistema político vigente, também conhecido como “toma lá, dá cá”.

Não obstante o cenário de degradação moral nas instituições públicas é extremamente importante que o eleitor cumpra com seu dever cívico exigindo de seus representantes uma indispensável assepsia moral, para que o Brasil encontre seu rumo e afaste de vez o anacronismo político, ainda que a escolha seja definida pelo critério do “menos pior”. A vigilância à retidão da conduta dessa privilegiada casta deve ser ininterrupta e rigorosa. Sempre haverá esperanças, mas a omissão nesse momento não representa uma decisão sensata. O respeito ao pensamento discordante deve prevalecer através do princípio da plena democracia, mas o País precisa de uma virada de chave que gradativamente proporcionará um futuro melhor para as gerações vindouras. Ainda assim não devemos esperar por milagres porque no fundo, são mesmo todos iguais.


(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista em Marialva/PR

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