Respeito é tudo

A história de uma criança com poliomielite e as piadas que doem e indignam

No Instagram, a professora Tania Tait conta que a criança acima nasceu em 1961, em Maringá. Ela aparece de botinhas pois foi acometida de poliomielite (paralisia infantil) antes da chegada da vacina, e socorrida rapidamente pois um mês antes seu priminho-irmão, Waltinho, ter falecido de meningite.

“Ao ter febre, sua mãe pensou que poderia ser meningite. O médico constatou poliomielite. Ao examinar as pernas, a perna esquerda se movia e a perna direita ficava imóvel. Sua mãe Laura tinha 23 anos e seu pai 28 e cuidaram da primogênita com todo carinho do mundo, carinho compartilhado com os avós, tias e tios. Ela usou botas e calças compridas por causa da friagem até os 10 anos de idade e sua mãe foi sua fisioterapeuta e massagista. Meu tio Sid contava que iam numa fazenda buscar óleo de carneiro pra passar nas minhas pernas. Assim ela cresceu e, para alegria da família, voltou a andar”, conta. ]

“Na escola era chamada, muitas vezes de “manca, vesga ou quatro olhos”. Passou a vida adulta sendo observada dessa forma, mas como era muito estudiosa, alguns se calavam e ficou reconhecida como inteligente. Estou escrevendo isso porque essa essa bebezinha da foto sou eu. Sofri bullying numa época que essa palavra não existia por aqui. Venci essas etapas e segui a vida como todas as pessoas, mas, as vezes, me sinto constrangida atravessando um salão sozinha com a impressão que as pessoas estão olhando as minhas pernas. Conheci um estudante em Floripa que era de Maringá e ele disse que olhavam minhas lindas pernas e nem me viam mancando. Minhas limitações foram mínimas diante de tantas pessoas que sofreram por poliomielite, acidentes ou outras doenças”.

“Talvez pela minha história, desde criança, sinto muito respeito. Sempre me doeram e indignaram as piadas chamando o presidente Lula de nove dedos, pois além de considerar um grande desrespeito eu imaginava tudo que ele passou, a dor que sentiu quando perdeu o dedo aos 17 anos trabalhando numa fábrica. Hoje, ouvindo seu depoimento, vejo que eu estava certa. Todo meu respeito e admiração por você, presidente Lula. Minha avó Marianna já o admirava. Lula é um homem honrado, ela dizia em 1989. Hoje, gigante. Obrigada por tudo!!!”,