A maior vitória da vida de Lula…


O que trago é uma leitura fria de cenário, baseada no que analisei durante o processo eleitoral
Alguns dizem que ele é tetra; outros, que esta é sua sexta vitória, por considerarem que os mandatos de Dilma Rousseff devem-se unicamente a ele. Independentemente da contagem, este triunfo talvez seja maior do que a soma de todos os anteriores. Não é segredo para nenhum brasileiro, polarização à parte, que esta eleição foi travada não apenas contra um candidato, mas contra a interferência de vários líderes estrangeiros em favor do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro. Entre eles, destacam-se Javier Milei (Argentina), Nayib Bukele (El Salvador) e, principalmente, Donald Trump (EUA).
Todos esses nomes de peso do cenário mundial se intrometeram, direta ou indiretamente, no pleito brasileiro — algo que, no mínimo, afronta o princípio da soberania nacional. Não se trata aqui de mera opinião, tampouco de preferência partidária. Como antecipei neste blog político, meu voto foi “Palmeiras” (branco e verde), por não acreditar no projeto de nenhum dos dois lados. O que trago é uma leitura fria de cenário, baseada no que analisei durante o processo eleitoral.
Essa leitura técnica explica, inclusive, como Lula conseguiu um feito inédito: tornou-se o primeiro candidato na história das eleições presidenciais brasileiras a terminar o primeiro turno em segundo e vencer no segundo turno, superando a vantagem inicial de Flávio Bolsonaro, que havia liderado a primeira fase com 47% dos votos contra 45%.
O desenho dessa virada começou na migração dos votos dos candidatos eliminados, mas ganhou tração devido a erros e acertos cruciais no campo digital. Após o primeiro turno, o clima de vitória antecipada tomou conta dos apoiadores do candidato derrotado. Episódios emblemáticos, como os vídeos de Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato ironizando Simone Tebet e Fernando Haddad ao fundo, sugerindo que ficariam “desempregados”, exemplificam a soberba que desmobilizou bases na reta final física e digitalmente, como afirmei no artigo anterior. Do outro lado, a campanha governista respondeu com uma hipermobilização agressiva nas redes sociais, coordenada pelo deputado André Janones, cujo canal digital chegou a reunir mais de 10 milhões de seguidores e ajudou a equilibrar o jogo. Essa reação ocorreu mesmo sob forte tensionamento com as Big Techs, com a campanha de Lula travando disputas judiciais no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta, alegando viés algorítmico e restrições na entrega de conteúdos.
Por fim, é claro que a vitória de Lula, por mais histórica que seja, não apaga o desenho de um Congresso majoritariamente oposicionista eleito no primeiro turno. O Partido Liberal (PL) consolidou-se como a maior força do Legislativo, garantindo 121 cadeiras na Câmara dos Deputados e passando a controlar a maior bancada do Senado, com 29 parlamentares a partir de 2027. Este cenário trará imensos desafios de governabilidade para os próximos quatro anos, funcionando, ao mesmo tempo, como um freio institucional para eventuais exageros do poder Executivo.
(*) Israel Marazaki — fiscal por instinto, cronista por raiva e sentinela por missão
Imagem: Arquivo/redes sociais
*/ ?>
