De “presidente do Brazil” a piada em Miami: O retrato da vassalagem


Tratar essa fuga tática como “exílio político” é um insulto à história
O teatro político brasileiro tem seus dias de tragédia, mas o capítulo inaugurado por Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos é comédia pastelão da pior espécie. Escapar pelas margens da fronteira argentina, ignorar ordens do STF e aterrissar na Flórida para se proclamar “presidente dos Estados Unidos do Brazil” — com “z”, brasão antigo e tudo — não é ato de heroísmo. É desespero fantasiado de bravata.
O documento, mais tarde editado, substituiu “presidente” por “líder” — talvez alguém tenha percebido que proclamar-se presidente de um país criado pela alucinação de ácidos ou pela pressurização inadequada do jato que o partiu era pretensão demais até para a ficção.
“Fugi para liderar”, é urgente que a história das monarquias seja introduzida na educação brasileira para que ninguém mais esqueça que liderar é estar a frente, é conduzir o soldado a vitória não deixar o povo a ver navios…
A imagem que circula é implacável e dispensa metáforas: capta exatamente a posição em que o próprio senador se colocou. Um bobo da corte, única figura que era permitido se auto proclamar rei sem que a cabeça fosse parar em um cesto… Uma tentativa de validação externa de quem não tem mais o que oferecer no próprio país.
É “exílio” com sotaque de vexame.
Tratar essa fuga tática como “exílio político” é um insulto à história. Não há narrativa de perseguição que sobreviva ao contraste entre a pompa do documento oitocentista divulgado em Miami e o pragmatismo frio da Casa Branca, que tratou a entrada do visitante como um mero “gesto humanitário” para não ter que assumir o abacaxi.
Proclamar-se líder dos “Estados Unidos do Brazil” — denominação histórica abandonada na década de 1960 — enquanto esconde o passaporte do Judiciário brasileiro não constrói um estadista; antecipa culpa e entrega a charge pronta para a oposição. A tentativa de criar uma crise diplomática internacional produziu apenas o que o ato merecia: gargalhadas em Brasília, desdém em Washington e um figurino sob medida no imaginário popular.
No fim das contas, a aventura em solo americano serviu para mostrar que, longe das benesses do cargo e da blindagem institucional, a autoproclamada “liderança do BraZil” não passa de uma atração secundária no circo alheio.
Imagem gerada por IA
*/ ?>
