Maringá mais pobre

Da professora Ana Lúcia Rodrigues, do Observatório das Metrópoles:
Como cidade pode se dizer que Maringá está muito mais pobre do que estava há 7 anos atrás, pois toda cidade depende de um grande número de áreas públicas para consolidar laços de convivência entre as tantas diferenças que a compõe. Felizmente a atual administração se encerra no próximo ano senão não sobraria nenhuma área pública para uso coletivo da população. Os resultados dos inúmeros golpes na cidade e no seu povo com inúmeras ações de privatização dos espaços públicos só serão sentidos em médio e longo prazo. Uma boa parte da cidade foi destituída do uso público e entregue ao reino privado empresarial: áreas institucionais que receberiam equipamentos de saúde, educação, cultura, esporte, convivência coletiva foram privatizadas; a velha rodoviária foi demolida e o terreno que poderia ser uma grande área pública com 100% do espaço para o uso coletivo do povo maringaense foi entregue a algum grupo empresarial da cidade; a praça em frente ao “velho aeroporto” foi doada ao Tribunal de Justiça do PR; as praças das rotatórias, onde se poderia implantar projetos e equipamentos coletivos serão rasgadas em breve para serem vias de carros e ônibus; as “espinhas de peixe”, estacionamento público e gratuito serão destruídas e transformadas em corredor viário, não exclusivo para ônibus; o transporte coletivo foi doado à TCCC num contrato de concessão tão imoral que a administração “cidadã” sequer tem cragem de divulgar no site da prefeitura; a cidade foi partida entre o “lado de lá” e “lado de cá” do Contorno Norte e a segregação urbana e social foi assumida como modelo de crescimento… enfim foram muitas dezenas de outros ataques aos bens públicos e coletivos mas somente esses já demonstram a gravidade do problema. Todavia, ações tão agressivas como essas não ficam impunes e o resultado mais perverso delas deve ser creditado às realizações do prefeito Silvio Barros 2: elevação das taxas de violência e criminalidade e do número de homicídios que saiu de patamares menores de 25 e subiu para mais de 40 ao ano. Esse é o legado da atual administração que Maringá jamais esquecerá, pois sofrerá suas conseqüências por muitas gerações. Ou alguém acha que a destruição de espaços públicos – os únicos capazes de gerar laços de convivência social – não é significativa e não guarda estreita relação com o aumento da violência?