Opinião

Número de vereadores: questões para reflexão

Do padre Sidney Fabril relaciona questões para contribuir na reflexão sobre o número de vereadores:

1) Por que o Poder Legislativo está sendo tão atacado? Só nele está a corrupção? Não há corrupção no mesmo nível ou até pior nos outros poderes? Por que não há mobilização dos mesmos órgãos para cobrar uma postura mais ética do Executivo e do Judiciário também?
2) Atacar tão fortemente o Legislativo não cria o perigo de enfraquecer a democracia, uma vez que o equilíbrio dos poderes é que a garante?Continue lendo ›

O que Maringá mais precisa? De menos ingenuidade

De Maria Newnum:

Recebi esse “comercial” de vários contatos e respondi assim: O que Maringá “mais” precisa é que fiquemos mais espertos. Essa propaganda é uma indução ao erro, já que as necessidades anunciadas não são de competência do Legislativo e sim do Executivo… Eu tenho estudado o caso da recomposição do número de vereadores e participado de fóruns de discussões sobre o tema. Não sou burra! E detesto promover ignorâncias… O que Maringá precisa é de menos ingenuidade… Se o Movimento Sociedade Civil Maringá está tão preocupado com os gastos, por que não faz campanha contra os 6% que o Executivo gasta com propaganda? São 14 mil reais por dia, a maior parte, segundo fontes inconclusas, são destinadas ao jornal O Diário e ao programa do Pinga Fogo. Mas não é possível afirmar com certeza esses gastos, porque o Executivo não disponibiliza essas despesas no portal de “transparência”. Pelo que sei, os vereadores Humberto Henrique e Marly Martins já entraram várias vezes em ações junto ao Ministério Público, pedindo que os valores gastos com propaganda obedeçam a Lei de Transparência. Sem sucesso… Então por que o Movimento Sociedade Civil Maringá não se movimenta pedindo que a Lei da Transparência se cumpra? Por que não faz campanha para que a recomposição de 23 cadeiras da representatividade na Câmara ocorra, com redução dos gastos, por exemplo? A resposta é uma só: Não há interesse em economizar nada. Esse movimento, muito contrário ao Observatório das Metrópoles da UEM (ligado ao Ministério das Cidades, órgão oficial do Governo Federal), visa somente a economia da representatividade da Câmara; ou seja, visa somente enfraquecer o poder Legislativo. Visa somente promover o emburrecimento político da maioria pobre que, como sempre, paga o preço mais caro. Nosso povo pobre, sofre por falta de entendimento. E isso é lastimável! Por isso, sou adepta ao Movimento pelo Fortalecimento da Democracia, amparada pelo Observatório das Metrópoles, partidos políticos, entidades sindicais e associações de bairros.

Aos estudantes com carinho

Passei hoje pela reitoria da UEM. Cumprimentei alguns estudantes que protestam no local. Havia dezenas deles. Alguns em barracas. É interessante vê-los voltando à rua. Veja o que ocorre no Chile, onde os estudantes estão em protesto permanente. Só espero que a força não seja usada para afastá-los dali, pois a maioria das reivindicações deles não está longe da realidade. A educação precisa de muita atenção. E, infelizmente, isso não está na pauta política.
Que os tratem com carinho. E que saibamos compreender os anseios estudantis. Se assim fosse no passado, não teríamos cometidos tantos erros.

Donizete Oliveira

Mais vereadores, maior representação

Da professora Ana Lúcia Rodrigues na Folha de Maringá:

Defender que o número de vereadores de Maringá se equipare ao tamanho populacional e à importância que a cidade tem no cenário regional, estadual e nacional deveria ser a bandeira da maioria da população e, principalmente, dos segmentos da sociedade civil, em consonância com os seus próprios objetivos que buscam consolidar uma “forte representação política” para o município. Ao contrário, estamos assistindo esses segmentos construírem uma opinião pública que defende o encolhimento da democracia representativa por meio de uma campanha bem orquestrada que atira aos leões o Legislativo, como se ali residisse a gênese da tragédia social e urbana contemporânea. Na íntegra.

To be or not to be…

De Marta Bellini na Folha de Maringá:

A polêmica sobre as casas geminadas em Maringá são oportunas. Nada como debates democráticos nessa cidade que carece de transparência dos destinos da polis. Minha opinião: as casas geminadas são uma praga disseminada por construtores e imobiliárias para o setor menos favorecido, eufemismo para me referir aos pobres e à classe média. Ian McHarg, em seu livro Design on nature e Anne Spirn, que escreveu o clássico Jardim de granito, são arquitetos que sem papas na língua dizem: a moradia é uma coisa diferente da residência. Residir é entrar em uma casa feita por engenheiros ou arquitetos. Morar é habitar, é ser em uma casa. Diferente, não? Na íntegra.

Precisamos de profetas

De Marcelo Barros:

Quem passa por um edifício em construção, pode ver placas dizendo: “Precisamos de pedreiros”. Lojas de comércio alternam: “Precisamos de vendedores”. Infelizmente não podemos colocar nas portas das Igrejas: “Precisamos de profetas e profetizas”. Entretanto, é bom espalhar por aí que isso é uma necessidade urgente e que se apresentem os/as candidatos/as. Não estranhem o fato de que, diferentemente de outros ofícios, a missão de profeta quase nunca é bem aceita e reconhecida. Muitas vezes, gera até incompreensões e rejeições injustas. No tempo em que viveu no sertão do Nordeste, o padre Alfredo Kunz dizia: “Aqui, os urubus é que fazem o serviço de limpeza pública, já que as prefeituras não assumem. Todo mundo sabe disso. Entretanto, eu já vi gente criando todo tipo de pássaros, mas nunca vi ninguém criar urubu. Os urubus são necessários, mas ninguém os quer perto. Urubus me lembram os profetas de Deus, necessários, mas frequentemente rejeitados”.

Não é difícil celebrar a memória de profetas mortos. O evangelho denuncia que os fariseus e mestres da lei matam os profetas e depois erguem para eles belos túmulos, contanto que continuem mortos (Mt 23). Atualmente, em certos ambientes eclesiásticos, quando alguém fala em profetas como Mons. Oscar Romero, arcebispo de El Salvador, assassinado por militares da ditadura salvadorenha e, aqui no Brasil, Dom Hélder Câmara, ex-arcebispo de Olinda e Recife, há quem os elogie, mas conclua com certo cinismo: “o tempo deles era outro. Hoje não pode mais ser assim”. E assim, estes religiosos dos tempos novos se recolhem em seu mundinho de paramentos, ritos paroquiais e segredos de cúria. Na íntegra.

“Eles entraram atirando: Violência policial contra jovens em Maringá “

De Maria Newnum:

A Anistia Internacional no documento intitulado “Brasil: Eles entram atirando – Policiamento em comunidades socialmente excluídas alertou que os excessos da policial nas cidades de Rio de Janeiro e São Paulo se repetem em diversas cidades brasileiras”. Segundo o documento, a maioria das vítimas da violência policial era constituída de jovens pobres, negros ou mestiços; muitos dos quais não possuíam antecedente criminal. Dos 17.900 jovens que foram assassinados pela polícia no ano 2002, 11.308 eram negros e pobres. Em maio de 2005, uma pesquisa realizada pela Universidade Federal Fluminense demonstrou que 30% da população defendia a idéia de que “bandido bom é bandido morto”. Em abril de 2005, Marcelo Itagiba, então secretário de Estado da Segurança Pública do Rio de Janeiro, declaro: “Se a polícia fosse mais ativa mataria mais bandidos”.

Esse pano fundo, não difere da realidade de Maringá; onde no dia 24 de agosto de 2011, haverá júri popular para julgar os policiais que executam o menino Rodrigo Sales, morador do bairro Santa Felicidade.Continue lendo ›

Seremos algum dia japoneses?

De Ruth de Aquino:

O dinheiro e as barras de ouro estavam em cofres e carteiras de vítimas do tsunami no Japão. Em casas e empresas destruídas. Nas ruas, entre escombros e lixo. Ao todo, o equivalente a R$ 125 milhões. Dinheiro achado não tem dono. Certo? Para centenas ou milhares de japoneses que entregaram o que encontraram à polícia, a máxima de sua vida é outra: não fico com o que não é meu. E em quem eles confiaram? Na polícia, que localizou as pessoas em abrigos ou na casa de parentes e já conseguiu devolver 96% do dinheiro.

A reportagem foi do correspondente da TV Globo na Ásia, Roberto Kovalick. A história encantou. “Você viu o que os japoneses fizeram?” Natural a surpresa. Num país como o Brasil, onde a verba destinada às inundações na serra do Rio de Janeiro vai para o bolso de prefeitos, secretários e empresários, em vez de ajudar as vítimas que perderam tudo, esse exemplo de cidadania parece um conto de fadas. O que aconteceu em Teresópolis e Nova Friburgo não foi um mero e imoral desvio de dinheiro público. Foi covardia. Na íntegra.

A semântica da corrupção

O engenheiro civil Willy Taguchi, presidente municipal do PPS, agora é articulista do site Folha de Maringá. “Qual exatamente a diferença entre “desviar dinheiro/apropriação indevida” e “roubar”? Qual exatamente a diferença entre “corrupto” e “ladrão”? “, pergunta ele em “A semântica da corrupçao”. Leia aqui.

Pensando bem…

De Luiz Carlos Rizzo:

Se a proposta de nove vereadores para Maringá for aprovada, os efeitos poderão ser mais perversos:
1 – Com apenas nove vereadores, o poder econômico local investiria menos em cada projeto de interesse seu para aprovação ou rejeição.
2 – Nas eleições, o poder econômico investiria pesadíssimo para eleger justamente aqueles vereadores que representariam os seus interesses. Com isto, poderíamos ter uma Câmara cujos nove representantes representassem justamente setores diferentes… do poder econômico local.
3 – Com apenas nove vereadores eleitos quase exclusivamente pelo poder do poder econômico, representantes legítimos das classes populares (e que não possuem retaguarda financeira para enfrentar o pe$o do$ representante$ do pe$$oal da grana), tal como o vereador Humberto Henrique, conseguiriam se eleger? Duvido.
4 – Já imaginou vereadores eleitos pelo poder econômico receberem apenas um salário mínimo mensal? Claro que haveria uma complementação por fora bancado pelo lobby. Um por fora mensal ou este por fora seria por projeto?
5 – Resumo da ópera: o pretexto da redução de número de vereadores para diminuição das despesas do Legislativo (que percentualmente em relação à receita do município continuariam as mesmas) não encontra argumentos sólidos.
6 – Menos vereadores significa menor representatividade popular e maior exclusão popular.
7 – Tem caroço nesse angu, conforme diria o bom baiano de Pintadas, Manoel Messias Mendes.

Conivente, silencioso e apoiador do esbulho

De Paulo Vergueiro:

Não, não é difícil de entender porque possa haver tanta corrupção. Não, não é difícil de entender tanta falta de respeito, seriedade, por exemplo na organização da Copa do Mundo. O difícil mesmo é compreender e aceitar como pacífica, indiferente e suicida é a reação do povo brasileiro. Um povo roubado, esbulhado, humilhado e ainda conivente, silencioso e apoiador desta corja que esbulha o Brasil. Não é o PT, porque sempre foi assim, com PT ou sem PT, PSDB ou com o PRN de Collor!

A omissão covarde do brasileiro permite silenciosamente esta situação, promove (porque renovam os votos nos mesmos) e incentivam (porque tem orgulho de fazerem parte das penelas que se beneficiam da bandalheira).Continue lendo ›

Que história deixarão os guardiões da Casa do Povo maringaense?

De Maria Newnum:

“Os homens anseiam mais pela glória do que pela virtude.” – Juvenal – Poeta Romano do Século II.

O Projeto de Emenda Constitucional (PEC) aprovado em 2009, que alicerça a recomposição do número de cadeiras nas Câmaras Municipais brasileiras, visa garantir que a representatividade das “Casas do Povo” corresponda ao número de habitantes das cidades. Assim, pela lei, a Câmara Municipal de Maringá deve abrigar até 23 cadeiras no Legislativo, acompanhando a realidade de uma cidade que cresce vertiginosamente, mas possui o mesmo número de cadeiras de 1950 quando a população era de apenas 38.588 habitantes (dados da PMM). Já em 2010, o Censo do IBGE apontava para uma população de 357.117 habitantes.

Portanto, as preocupações levantadas por cidadãos, grupos e entidades que defendem a recomposição de 15 para 23 cadeiras é com a ampla defesa do direito de todos os setores da sociedade maringaense; inclusive, da população mais pobre dessa “bela cidade rica” que, ainda sofre com a ausência de asfalto, moradia, saúde pública eficiente, segurança; etc… Dito isso, subentende-se que compete aos guardiões da Casa de Leis buscar formas eficazes para implementar meios que viabilizem que essa representatividade ampla ocorra.Continue lendo ›

Momento de Tensão

De Merval Pereira:

A semana terminou com um recado no ar por parte da base aliada que está rebelada, ajudando a derrotar o governo em uma votação corriqueira apenas para deixar claro que pode fazê-lo a qualquer instante. Mas este momento de tensão política abriu também a possibilidade de novos caminhos, ou, pelo menos, permitiu que a ideia de uma via alternativa de entendimentos políticos viesse à tona em discursos no plenário do Congresso e em conversas de bastidores, diante do clima de explícita chantagem que está sendo adotado como método de pressão pelos próprios aliados do governo. Leia mais.

Crueldade

Do advogado Wanderlei Rodrigues Silva, a respeito das casas geminadas:

– O prefeito Silvio Barros está expulsando os pobres de Maringá. Ele não quer a construção de casas em 1/2 terreno. O povo de baixa renda não pode morar em Meringá, tem que ir embora para Sarandi ou Paiçandu. O pior é que essa população rejeitada pelo prefeito é exatamente a juventude trabalhadora. Porque 80% dos pretendentes a esses tipos de casas são jovens casais que muitas vezes estão estudando ainda, mas já tem sua família. Sr. prefeito, tenha piedade!

Hipocrisia não! Nove vagas sim!

De José Fuji:

Hipocrisia: Se algum grupo de vereadores estiver pensando em lançar projetos de um “verdadeiro legislador que é o vereador” e querer reduzir o seu salário para o mínimo (R$ 545,00), entendo perfeitamente que estes se sentem verdadeiramente inúteis, e estão assumindo os seus reais valores. Brincadeira tem hora! Nove vagas com “reformas”: – Manutenção do salário atual, para os eleitos na próxima eleição 2012. – Corte de 50% de cargos comissionados e verbas de gabinetes dos vereadores e do gabinete da presidência. – Corte vertical, 100% cargos comissionados ociosos, avaliar todos os cargos permanentes. Uma das vantagens de 9 vagas com “reformas” é a diminuição dos interessados às sombras e as farturas do poderes, entendendo que se passar este projeto não teremos mais do 100 candidatos! Quando o número é menor é fácil detectar o melhor e fazer a escolha conforme a capacidade e idoneidade!

* Quero que me permitam a fazer um pedido público ao vereador dr. Manoel Sobrinho em elaborar este projeto, e percorrer o caminho das “mudanças” que o povo tanto aguarda, pedindo as assinaturas dos nobres companheiros, e a cada assinatura conquistada estamparemos os nomes dos vereadores que assinarem este projeto!

Elas, eles e nós

De Nelson Motta:
Elas prestam serviços relevantes na construção do País, têm prestigio internacional, criam empregos e geram divisas. Mas por que nas grandes falcatruas, propinas e licitações viciadas em ministérios e estatais elas estão sempre envolvidas? Muitas vezes a Polícia Federal e o Ministério Público conseguem provas robustas de corrupção contra políticos, funcionários e empresários, às vezes alguns são demitidos, outros até são presos e obrigados a devolver os roubos. Mas nunca se viu uma grande empreiteira condenada por suborno. No Brasil, além dos recursos não contabilizados, criou-se a figura do corrupto sem corruptor, como uma moeda podre de uma só face. Na íntegra.

“Não precisavam de tudo isso”

Da jovem paulistana Emilly sobre o fechamento do Kanarinhu´s, ocorrido há alguns meses:

Algumas vezes, ano passado, quando voltava pra casa depois de um curso à noite, tive que passar por filas enormes de carros parados por causa de blitz. Gente, era muita polícia pra pouca coisa, sério. Concordo que não se deve dirigir depois de um (longo) happy hour, mas acredito que não precisavam de tudo isso. Já há uns dois anos eu havia reparado naquela confusão se intensificando de policiais e estudantes. Mas o que mais incomoda os moradores (que não são estudantes ou estudantes não-festeiros, como eu heheh) é o barulho. Me estressava morar num lugar em que eu não conseguia dormir pra prova de amanhã, descansar, ou estudar de última hora (fala sério, todo mundo faz isso) em paz. E não é por causa do Kanarinhu’s, não! Lá é uma rua de comércio, e ponto. O que eu mais odiava era (e ainda é) o barulho vindo de conjuntos de kitnets e repúblicas (esses sim, ficam em ruas residenciais). Mas, fazer o que, só contava com meus pés como meio de transporte, logo tive que aguentar. Leia mais.

Dilma e seus governos

De Marco Antonio Villa:
Dilma Rousseff é caso único na História do Brasil. Já iniciou, em apenas sete meses, três vezes o seu governo. Em janeiro assumiu a Presidência. Parecia que a sua gestão iria começar. Ledo engano. Veio a crise em maio – caso Palocci – e ela rearranjou o núcleo duro do poder. Seus entusiastas saudaram a mudança e espalharam aos quatro ventos que, naquele momento, iria efetivamente dar início ao seu governo. Mera ilusão. Veio nova crise em junho, esta no Ministério dos Transportes. Seguiram-se demissões de altos funcionários – ontem já chegaram a 27. Em seguida, foi anunciado que agora – agora mesmo – é que iria começar a sua Presidência. Será? Na íntegra.

Afetando o lado mais fraco

De construtor sobre a lei que restringe a construção de casas geminadas em Maringá:

“Esta lei afeta diretamente o trabalhador do setor, visto que graças à grande venda deste tipo de moradia foram abertas em Maringá muitas vagas de empregos, onde um trabalhador consegue ganhar bem mais que nas empreiteiras que fazem os grandes edifícios em nossa cidade e que recebem total apoio dos políticos; só pode ser por muitos deles participarem dos lucros. Outra coisa: estas casas geminadas são feitas como todas as outras com supervisão de engenheiros, e com projetos feitos por estes. Se estão sendo mal feitas valeria uma fiscalização sobre o autores dos projetos que aliás ganham muito bem e fazem muito pouco, mas como sempre preferem atingir a camada mais fraca, os trabalhadores e também as pessoas de renda mais baixa que são os compradores destas residências.”

Tentando entender Maringá

Da professora Ana Lúcia Rodrigues, do Observatório das Metrópoles:

Estou tentando entender essa cidade. Aqui tem 4 das 1000 maiores empresas do Brasil mas, a maior fatia de imposto é produzida pelo IPVA e não pelo ICMS; aqui é o lugar onde existe a sociedade civil dita mais atuante e a democracia mais avançada (como o prefeito divulgou no Fórum Social Mundial) mas essa mesma louvada sociedade democrática faz campanha para que o seu Legislativo não tenha peso representativo, como se não fosse um importante pólo regional; a Dallas brasileira é aqui mas 33% dos chefes de família não conseguem comprar a casa própria e moram de aluguel; aqui tem sempre um braço de todas as operações da Polícia Federal; o preço não é critério de concorrência em licitação; aqui Estado e Igreja ainda não se separaram; aqui empreendedor supermercadista vira banqueiro e deputado vira loteador; não há favela aqui mas a cidade ganha R$ 25 milhões para projeto de desfavelização. Aqui o trânsito não flui, mas mata; o contorno não contorna, o Horto não se abre, o teatro não se freqüenta, o público não se permite e o governo não governa para todos. Aqui é um lugar em que as pessoas só acreditam porque não sabem que os que dominam, como dizia La Boétie “…só tem dois olhos, só tem duas mãos, só tem um corpo, e não tem outra coisa que o que tem o menor homem do grande e infinito número de vossas cidades, senão a vantagem que lhe dais para destruir-vos. De onde tirou tantos olhos com os quais vos espia, se não os colocais a serviço dele? Como tem tantas mãos para golpear-vos, se não as toma de vós? Os pés com que espezinha vossas cidades, de onde lhe vêm senão dos vossos? (…). Decidi não mais servir e sereis livres.”

Futebol, cerveja, política e mulheres…

De Maria Newnum:.

Eu não gosto de cerveja, não gosto de futebol, mas gosto de política. Aprendi a gostar de política no segundo grau lendo o texto “O analfabeto político” de Bertolt Brecht. O texto diz: “O analfabeto político: Não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

Relendo esse texto, me vejo voltando aos meus tempos de menina, onde já percebia que meu pai e seus amigos desacreditavam da política e preferiam tomar cerveja, ver futebol e mulheres peladas nas revistas. Enquanto isso, minha mãe lidava com muita dificuldade para garantir escola e atendimento de saúde pública para as quatro filhas. De lá para cá as coisas não evoluíram: o futebol e a cerveja ainda continuam gerindo a vida de muitos homens e como sempre, cabe às mulheres, na maioria dos casos, a rotina de amanhecerem nas filas de postos de saúde e hospitais públicos clamando, como pedintes, socorro para suas crianças, velhos e maridos doentes.Continue lendo ›

O milagre

Por padre Orivaldo Robles:

Há cerca de dez anos, o ator José Wilker foi homenageado no programa infantil “Gente Inocente”. Foi-lhe perguntado: “Se você fosse um santo, que milagre faria?” Ele respondeu: “Acabaria com a injusta distribuição de riqueza no Brasil”. Ao médico se reconhece direito de opinar sobre medicina. Idem, cada um em sua área, ao engenheiro de tráfego, ao domador de lhamas, ao produtor de mexilhões. Ignorante que sou, não vou opinar sobre isso. Se o assunto é milagre, porém, peço licença para meter minha colher nesse mingau. Pena que a produção do quadro tivesse reforçado uma noção falsa de santidade. Quase nunca a televisão enfoca tema religioso. Quando o faz, desanda. Na íntegra.

Será que cumpriu?

O ex-ouvidor municipal José Fuji (PDT) esteve sábado na manifestação de moradores do Hermann Moraes Barros e bairros adjacentes, que protestaram contra a falta de transposição da avenida São Judas Tadeu. Até assinou a ata em que se discutiu e aprovou o documento encaminhado hoje à Prefeitura Municipal de Maringá e ao Dnit. (Publicado no Blog do Rigon em 8/6/2009).
Comentário do Fuji em 30/7/2011: A prefeitura garantia 10 viadutos, mais uma na avenida São Judas Tadeu – pelo menos foi “garantido”, depois de uma série de protesto dos moradores. Será que cumpriu? Moradores do Conjunto Hermann Moraes Barros e bairros adjacentes vão dizer.

Tiros na Câmara? Que rufem os tambores

De Luiz Modesto:
Já há alguns dias temos nos deparado com uma enxurrada de matérias especulativas, opiniões fervorosamente defendidas e ações de grupos pró e contra o aumento – ou não – no número de cadeiras na Câmara Municipal de Maringá. De um lado, muito claramente identificadas, as entidades que representam a elite maringaense investindo pesado em propaganda contrária ao aumento na quantidade de vereadores, de outro, entidades ligadas às reivindicações sociais da população menos favorecida e uma boa parte dos partidos, favoráveis ao acréscimo de representantes em nossa casa de leis municipal. (…) Chegamos ao cúmulo de vermos utilizada como cenário de cruzada antidemocracia uma celebração religiosa, a festa de São Cristovão, onde foram distribuídos adesivos financiados por uma destas intituições que lutam pelos interesses dos grandes, princípio de uma campanha de argumentos frágeis e que tomará proporções maiores com a confecção de outdoors, veiculações em televisão, rádio, e no transporte público local. Na íntegra.

Ordem no exame

De Walter Ceneviva, na Folha de S. Paulo:

De tempos em tempos, retornam as queixas contra o Exame de Ordem, aplicado a todos os que pretendem exercer a advocacia. É natural, porque, tendo cursado a faculdade de direito e sido aprovado, o candidato à advocacia vê à frente o que parece uma Itaipu altíssima, difícil de ultrapassar: o Exame de Ordem. O Supremo Tribunal Federal está sendo chamado, por iniciativa do subprocurador-geral da República, Rodrigo Janot, para declarar a inconstitucionalidade da prova. Janot age em conformidade com sua convicção e merece respeito. É apenas de lamentar que o Ministério Público Federal condene o efeito (o Exame de Ordem) e esqueça a causa (o ensino jurídico industrializado, quantificado e sem qualidade) que se generalizou no país. Na íntegra.

“Criminoso institucionalizado”

Para Altair de Oliveira Filho, “o crime organizado existe há anos em Maringá e atua livremente com a participação do criminoso institucionalizado, talvez, porque o criminoso institucionalizado é aquele que convive, diariamente, com os repórteres e jornalistas. E nos finais de semana assam uma carninha e bebem uma cervejinha juntos”. O comentário, feito em seu blog, acrescenta que a imprensa local “gosta de escrachar o criminoso comum, aquele pé-de-chinelo, o viciado, enfim… Esculhambam, humilham. (…) Qualificam o delinquente com os piores adjetivos, mas quando se trata do bandido institucionalizado a imprensa maringaense pega leve. (…) Enquanto o criminoso comum é violado em seu direito de preservar a sua própria imagem, o criminoso institucionalizado é privilegiado com o direito de se esconder por trás do segredo de justiça”. Aqui.

Até a exaustão

De José Fuji:
Vou até a exaustão tentando convencer que a redução para 9 vagas de vereadores seria o ideal, com as “reformas” já pré-estabelecidas: 1- Redução para 9 vereadores; 2- Manutenção do salário atual, aos vereadores eleitos 2012; 3- Corte de 50% (verbas e cargos comissionados) dos gabinetes dos vereadores e da presidência da câmara; 4- Corte 100% cargos comissionados ociosos e revisão em cargos efetivos; 5- Portal da Transparência em funcionamento 24 horas com atualizações simultâneas para que a população possa acompanhar o bom trabalho de fiscalização dos vereadores, e divulgação das leis que facilitam as vidas dos cidadãos maringaenses. Por que:Continue lendo ›

Maringá, o pombal do noroeste do Paraná

De Lu Ribeiro:

Enquanto a prefeitura deseja regulamentar a ocupação urbana (e espera-se dos vereadores o papel social e não especulativo), a especulação imobiliária de Maringá está tentando fazer da cidade um pombal de gente. Enquanto Londrina e região sofrem com o excesso de pombas em Maringá querem submeter as pessoas a viverem em “pombais”, pois é o que é oferecido a menor custo. E quem paga a diferença para o custo real?

Há muito tempo já se constroem os vulgos pombais em Maringá e só vem piorando. Terrenos de 300 metros quadrados estão se transformando em cortiços e/ou muquifos aglomerando pessoas que, infelizmente, precisam se submeter à submoradia. Com isto submetem todo um sistema à pressão e ao estresse, e o postinho de saúde do bairro transborda junto com tudo isso e também fica “doente”.Continue lendo ›

“Mar de lama”

Do deputado Fernando Francischini:

Enquanto José Dirceu, ex-ministro chefe da Casa Civil do governo Lula, está extremamente preocupado com ética na política, desenvolvimento sustentável, crescimento econômico e distribuição de renda no país divulgando o impagável artigo “A opção da oposição pelo udenismo” criticando os partidos de oposição ao atual governo do PT e a grande mídia; a cúpula do Ministério dos Transportes e do Dnit se desmancha em um verdadeiro “mar de lama” só visto até hoje no seu “irmão gêmeo” chamado mensalão. Chega a ser risível a afirmação do “estadista” de que a “oposição e a mídia” se aliaram para mudar o atual modelo econônico, utilizando do velho recurso do denuncismo desenfreado da antiga UDN. Ora, vamos aos fatos!Continue lendo ›

Você já leu a Bíblia hoje?

Ipê

Eu respondo que “não”. E complemento: Não sou leitora assídua da Bíblia, mas acredito que deve ter algum capítulo ou versículo na Bíblia que prega “o ensinamento de preservar a natureza e ter o devido respeito com a mesma”. No entanto, percebe-se por parte dos que dizem evangelizar atitudes que não condizem com a Palavra de Deus ou, melhor dizer, com o que pregam. É fácil sair por aí pregando, fazendo propagandas e espalhando o Evangelho. Difícil é mostrar através do comportamento, das atitudes e da vivência esse ensinamento. Ao observar esse pé de ipê, que na solidão de uma beira de estrada, tão lindo, encanta e alegra os que por ali passam, sua beleza é contagiante, não tem explicação maior da prova de um Deus Onipotente. E vejo que pessoas, evangelizadoras desse Deus, não tiveram nenhuma sensibilidade em pregar, não o Evangelho, mas dois enormes pregos no caule de quem, sem direito à resposta, simplesmente aceitou.Continue lendo ›