Opinião

Caldo de mocotó

Papo de boteco. No final da noite, principalmente no inverno, nada melhor do que caldo de mocotó prá dar sustança ao caboclo e molhar as palavras. Servido com salsinha e coentro, na xícara, como bebida, ou no prato fundo, acompanhado de fatias de pão e uma pimentinha dedo de moça. Esquenta a alma!

Ivana Veraldo

O carnaval e o desprezo à vida

EM artigo publicado em jornais de Goiânia e de Salvador, César Augusto Machado de Souza, da Igreja Apostólica Fonte de Vida, cita os assassinatos na região de Maringá para criticar o carnaval. Um trecho:

– A folia é o grito de uma ditadura de morte, que é coroada nesses quatro dias, mas que vem perpetuando seus domínios além do feriado. Cultuar o carnaval, como o Brasil tem feito, é curvar-se à prostituição, ao crime, às práticas mais insalubres e que ferem o espírito humano. O êxtase não tem durado o feriado todo, assim como a tristeza que decorre dos excessos não se expia em meio período da quarta-feira seguinte. Na íntegra.

Canja de galinha

Na madrugada, depois de ter curtido todas, os boêmios procuram uma boa canja de galinha para recarregar as energias, discordando de quem pensa que canja é comida de “muié em resguardo”. Peço aos leitores que apresentem dicas de lugares que servem uma boa canja em Maringá. Sei que tem um na avenida mandacaru. No carnaval cai bem depois da folia.

Ivana Veraldo

Ficha limpa na gaveta, suja nas eleições

De dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás (GO), na Folha de S. Paulo de hoje:
– A gente se pergunta: a quem, afinal, esse Congresso representa? Qual a relação que esses nobres deputados têm com a sociedade civil organizada para que uma mobilização popular séria, prevista na Constituição, como a que ofereceu à nação um número tão expressivo de assinaturas, acabe, na Câmara, num leviano joguete de interesses escusos de senhores votando em causa própria? Na íntegra.

Sistema binário, um exagero

Incompetência e ingerência administrativa! Esse filme vocês já assistiram! Um dos resultados, agora, é que nós perdemos a nossa linda avenida Tamandaré, com enormes palmeiras. Ceifaram parte da beleza e da história de Maringá. O sistema binário é um exagero! é “desnecessário”.
Desafogaram o trânsito de quatro avenidas e simplesmente transferiram este movimento para o resto da cidade e está dando um “nó” na cabeça dos motoristas, sem falar nos riscos para os pedestres, e no prejuízo que os comerciantes ainda não contabilizaram.
Estão destruindo o sistema viário mais bem planejado do Brasil, onde cada via pode circular dois carros juntos e o outro estacionado.
Isso é o que faz a administração pública, ao invés de se preocupar com os congestionamentos das filas dos postos de saúde e do desemprego, essas sim filas de prioridades e de “mão única”. Sistema binário para o qual o povo não teve o direito de opinar e simplesmente tem que se adaptar.
O povo tem que ser consultado, sua supremacia é que deve ser soberana.

José Fuji

Não furtemos

Há roubos e assaltos de variada natureza não catalogados nos códigos penais da justiça da Terra. Furtos de tempo dos que trabalham. Assaltos à tranqüilidade do próximo. Depredações da confiança alheia. Invasões nos interesses dos outros. Apropriações indébitas, através do pensamento. Espoliações da alegria e da esperança.
Com as chaves falsas da intriga e da calúnia, da crueldade e da má fé, almas impiedosas existem, penetrando sutilmente nos corações desprevenidos, dilapidando em seus mais valiosos patrimônios espirituais.
Por este motivo Paulo em Efésios, 4:28, disse: ‘ Aquele que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as suas mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade.’
Se aceitamos o Evangelho por norma de conduta devemos procurar, acima de tudo, ocupar nossas mãos em atividades edificantes, a fim de que possamos ser realmente úteis aos que necessitam.
Na preguiça está sediada a gerência do mal. Quem alguma coisa faz, tem algo a repartir. Busquemos os nossos postos de serviços, cumpramos dignamente as nossas obrigações de cada dia e, atendendo aos deveres que o Senhor nos confiou, atravessaremos o caminho sem furtar a ninguém.
Que este texto de Emmauel, mentor espiritual de Chico Xavier, psicografado por este, ao qual fizemos algumas adaptações, sirva para uma profunda reflexão de todos nós, sobretudo os políticos, para que não furtemos e não nos furtemos do cumprimento dos nossos deveres.

Valcir Martins, Maringá – PR

Rabo de galo

Papo de boteco. Misture uma dose de vermute e uma de cachaça e está pronta uma das bebidas mais consumidas em boteco: o rabo de galo. Sabem porquê essa bebida tem esse nome esdrúxulo? Uma teoria fascinante (talvez improvável) explica que a palavra coquetel vem do inglês “cocktails” que quer dizer rabo de galo e relaciona a palavra às rinhas que ocorriam na região do Mississipi (EUA) onde as penas retiradas do animal vencedor eram usadas para mexer os drinques dos apostadores vitoriosos.

Ivana Veraldo

Xiboca

Continuando a peregrinação pelos botecos “pés sujos”, lembro a xiboca, ou xiboquinha para os íntimos. Tradicionalmente  ela é composta de guaraná, mel, pinga e canela, mas em Maringá, segundo informações do botequeiro Edivaldo Magro, há uma versão diferente, composta de cachaça, açúcar cristal e limão rosa. O coquetel foi criado pelo próprio numa noite de grande inspiração etílica.

Ivana Veraldo

Bombeirinho

Na peregrinação pelos bares antigos encontrei o “bombeirinho”: uma dose de cachaça, uma de groselha e muito gelo. A cor do drinque é especialmente atrativa. Como é muito doce, sobe fácil. Depois de algumas doses o resultado é desastroso.

Ivana Veraldo

Quando o amor passa por terremotos

De Maria Newnum:

Esse ensaio é para mulheres que não acreditam mais em príncipe encantado. Pasmem! Existe sim! Para comprovar essa teoria cito duas histórias noticiadas pela mídia mundial quando da tragédia ocorrida no início de 2010 no Haiti. A primeira é a do jornalista Frank Thorp que dirigiu seis horas na escuridão caótica pós-terremoto, para resgatar a esposa Jillian, soterrada sob os escombros de uma casa de três andares, havia 10 horas. Chegando ao local, Thorp cavou com as próprias mãos por uma hora. Mesmo contanto com a ajuda dos vizinhos, sua ação foi decisiva para salvá-la. Na íntegra.

Faltam mensaleiros na cela ao lado

De Augusto Nunes:
– O rebanho dos devotos de Lula dividem o mundo em branco e preto. Quem apoia o chefe está certo, mesmo que seja um Sarney. Quem não apoia está, além de errado, vinculado a todos os não-companheiros. Fanáticos não conseguem admitir a existência de gente simplesmente honesta, pronta para exigir a punição de quem não é – pouco importa o nome do bandido, pouco importa a filiação partidária. Leia mais.

O carnaval de todos os dias

Consta que carnaval é uma festa profana, também chamada de orgia; período no qual sempre há um afrouxamento das leis morais, uma grande folia. Consta também que o carnaval ocorre apenas durante três dias, antes da quarta-feira de cinzas. Posso estar enganada, mas tenho a impressão de que se faz carnaval todos os dias: corrupção, propinas, superfaturamento, dengue, enchente, trânsito caótico, desigualdade social… É o alargamento total das regras sociais. Esse é o carnaval de todos os dias, e nós temos que pular miudinho pra sobreviver nessa desordem e ainda sobrar energia pra dançar no carnaval institucionalizado carnaval.

Ivana Veraldo

Sumiço de projetos e leis na Câmara

Assistimos na sessão de ontem da Câmara de Maringá uma acalorada discussão entre o presidente Hossokawa e a vereadora Marly Martin, a propósito de um projeto desta, tratando da necessidade de licitação para concessão dos serviços de transporte coletivo, e outro sobre passe do estudante.
Sobre sumiço de projetos e leis tenho uma curiosidade: Que fim levou a Lei Macieira, oriundo do projeto de lei 11.219/2009, que foi aprovado em plenário, tansformada em lei que nunca foi publicada ou revogada (a Sabóia foi votada no lugar)? .Há um vácuo, um buraco negro, um vazio que ficou e já cobramos outras vezes e nunca foi esclarecido. Lembro que a vereadora Marly cobrou do presidente, no momento da votação outra lei, e este garantiu que a lei tinha certidão de nascimento. Acho que é um fantasma.

Akino Maringá, colaborador

O que é um boteco “pé sujo”?

O que diferencia um boteco popular, um pé-sujo, de um bar da elite? Identifica-se um boteco pelo cardápio, pelo serviço (ou a falta dele) ou pela carta de bebidas? Há quem diga que boteco só serve cerveja e o chope é exclusivo dos bares… Sem nexo. Seria a decoração uma característica marcante de um boteco? Também não. Há simulacros perfeitos do que se convenciona chamar de boteco. Mas não são genuínos. E genuinidade, é o que, afinal, faz de um boteco… um boteco. Definitivamente, botequim não é um conceito concreto, é um estado de espírito!

Ivana Veraldo

Os pais e a escola

Existe relação direta entre o engajamento das famílias no processo de aprendizado e o bom resultado escolar. Por esse motivo, os pais devem visitar periodicamente a escola dos seus filhos. Estabeleçam diálogo com os professores e demais profissionais da instituição. Perguntem como estão nos estudos e, caso estejam com alguma dificuldade, peçam orientação sobre como ajudá-los em casa.

Ivana Veraldo

Deus existe?

De Valcir Martins:

Essa é  pergunta feita por muitos especialmente nos momentos de grandes tragédias, como no caso do terremoto no Haiti. Há quem sugira que se invista mais na ciência e menos na religião para evitar novas catástrofes. Reflitamos:
“Há uma finalidade, há uma Lei no Universo? Ou esse Universo é apenas um abismo no qual o pensamento se perde por falta de ponto de apoio, em que gire sobre si mesmo, igual à folha morta ao influxo do vento? Existe uma força, uma esperança, uma certeza que nos possa elevar acima de nós mesmos, a um fim superior, a um principio, a um Ser em que se identifiquem o bem, a verdade, a sabedoria; ou terá havido em nós e em redor de nós apenas a dúvida, incerteza e trevas?Continue lendo ›

Porradinha

Na minha odisséia Papo de boteco, lembrei da “porradinha”: uma dose de cachaça (ou vodca), meia garrafinha de refrigerante bem gelado e um limão espremido. Tampa-se a boca do copo com a mão e dá uma pancada na coxa. Depois, é só beber. Sobe igual foguete!

Ivana Veraldo

Sem medo do passado

Do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo:

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita. Na íntegra.

Prazo de validade vencido

De José Fuji:
O prefeito de Maringá fez uma declaração ao RCC Notícias, tentando justificar-se acerca de uma notícia veiculada por um jornal maringaense sobre reunião realizada para tratar da renovação do contrato com a Sociedade Rural de Maringá (SRM), o nosso parque de exposições de Maringá, cujo empréstimo se encerra em 2013. Segundo Barros, ele teria participado da reunião apenas para montar uma comissão para tratar da prorrogação do contrato. Nas suas palavras: nem ele e nem a presidente da Sociedade, a sra. Iraclézia, estarão no poder na data do vencimento do empréstimo. Continue lendo ›

Um possível cenário de Dilma presidente

De Rudá Ricci:

Pelas projeções das últimas pesquisas de intenção de votos para a sucessão de Lula, em março Dilma Rousseff e José Serra estarão definitivamente empatados. Se a tendência não se alterar, nas convenções partidárias de junho, Dilma já estará na ponta e os tucanos terão que criar um fato político para reverter uma crise que poderá afetar até mesmo o fluxo de financiamento antes mesmo de iniciar o embate para valer. Trata-se, contudo, de um cenário que muitos analistas afirmam ser possível, mas que, a partir do teto de 35%, Dilma dependerá de suas únicas habilidades e predicados pessoais. O que coloca dúvidas em relação à manutenção deste crescimento nas pesquisas. Na íntegra.

Bucho de boi

Continuo “nostálgica de boteco”. A famosa dobradinha, o estômago do boi, tem adoradores Brasil afora. Ao molho, acompanhada ou não de jiló, e com uma farta porção de pão para “moiá” é um acepipe de boteco que também está desaparecendo. Muitos nunca experimentaram. Outros, quando se vêm diante de uma porção, reviram o bucho.

Ivana Veraldo

Bagos de boi

Continuo a minha empreitada “lembrando as iguarias de boteco que desapareceram”. Hoje, reservo um espaço para os excêntricos bagos de boi (testículos). Em Maringá, havia um bar que servia esse tiragosto, o Rei da Batida. Eram feitos à dorê, à milanesa, ou ao alho e óleo. Uma verdadeira extravagância! Os bagos desafiavam o estômago dos melhores botequeiros. Quem provou que se manifeste!

Ivana Veraldo

Rollmops

Quando fiz o texto sobre os petiscos de boteco alguém enviou um pitaco, avisando que eu havia me esquecido de falar dos famigerados rollmops. Como pude cometer esse pecado? Talvez porque essa seja uma das iguarias de boteco mais ignoradas pelos jovens hoje em dia. Trata-se de um rolinho feito de uma cebola ardida, enrolada por um filé de sardinha salgada e transpassada por um palito de dente. Tudo isso fica um tempo numa conserva de água, vinagre, sal, rodelas de cebola, pimenta-preta e sementes de mostarda. Um aviso: é preciso atestado de macheza bruta para devorar um rolinho.

Ivana Veraldo

Creches insuficientes

A rede municipal de MNaringá oferece 5 mil vagas para crianças de zero a três anos para o berçário e maternal. Porém, há ainda uma lista de espera de mais de mil crianças. Estranhamente, o prefeito Silvio Barros não reconhece a caótica situação. Durante a solenidade de entrega do novo prédio do Centro Municipal de Educação Infantil Dona Guilhermina Cunha Coelho (12-2009) o administrador, acompanhado pela secretária de Educação Márcia Socreppa, afirmou que “Maringá tem um dos maiores índices de vagas em educação infantil por habitante…”. O prefeito e a secretária estão mal informados ou mal intencionados?

Ivana Veraldo

Se queres a paz, cuide do ser humano

Do arcebispo metropolitano dom Anuar Battisti em seu artigo semanal:
– O mistério da face de Deus e do homem é o horizonte no qual o Papa aborda a questão ambiental. “O homem é capaz de respeitar as criaturas – afirma Bento XVI – na medida em que carrega em seu próprio espírito um sentimento pleno de vida; caso contrário será levado a desprezar a si mesmo e tudo aquilo que o rodeia, a não ter respeito pelo ambiente em que vive ou pela criação”. Na íntegra.

Educação nas prisões

Dia 8 de fevereiro será realizada em Brasília uma audiência pública sobre as Diretrizes Nacionais para a Oferta de Educação nos Estabelecimentos Penais. A Relatoria Nacional para o Direito Humano à Educação, após estudo sistemático sobre a situação da educação no sistema prisional brasileiro, propôs um conjunto de recomendações. A tese defendida é de que é obrigação do Estado brasileiro combater efetivamente todas as formas de impunidade de crimes cometidos contra a sociedade e contra o Estado. Questiona-se  também o modelo de punição centrado predominantemente na ampliação do confinamento de seres humanos em unidades prisionais. O Conselho Nacional de Educação já está analisando a matéria. A sociedade civil organizada deve ficar atenta pois o assunto é polêmico.

Ivana Veraldo