Opinião

O tempo

Do padre Júlio Antônio da Silva:

O tempo constitui uma dimensão essencial da criatura humana. Está presente em tudo. É no tempo que construímos nossa história. Porém, nossa vida oscila entre a certeza de coisas experimentadas no presente e a incerteza do futuro que escapa ao nosso controle absoluto. Vivemos nesta dupla tensão entre um passado que já era e um futuro que é um devir. A sucessão dos tempos, ou o tempo histórico, abre-nos para uma forma de conceber a história como experiência que nunca se repete. Mergulhamos no mar do passado para um imenso e misterioso futuro. E nesse mergulho deparamos com a vida a ser construída. Na íntegra.

O Natal do saci-pererê

Do padre Orivaldo Robles:

Cronologicamente, encontramo-nos a igual distância entre o futuro Natal, pesadelo de pais sem grana, e o passado Dia das Bruxas, do qual só vim a ouvir falar bem depois de homem feito. Mais uma das inúmeras evidências do colonialismo cultural a que muito brasileiro, sob pretexto de modernidade ou globalização, servilmente se dobra. Quem, na nossa infância, escutou, um dia, o palavrão “Halloween”?  Hoje, pelo contrário, até cidadezinhas do interior comemoram uma data que não nos diz absolutamente nada. Que temos nós em comum com os antigos celtas ou com os emigrantes irlandeses que colonizaram a América do Norte? Na íntegra.

Por que a gestão pública de Sarandi é… complicada?

De Allan Márcio Vieira da Silva:

Sarandi passa por algumas transformações ideológicas de ordem social, política e econômica de forma plural provocando “mudanças” e dando rumos nada animadores ao jeito capenga orquestrados pelas malandragens politicas locais. Não basta crucificar os sujeitos políticos da atualidade ou passados, mas é inadiável uma averiguação mais profunda e resoluta diante das inúmeras falhas e faltas contidas na curta história sarandiense. Na íntegra.

Trabalho e prisão para crianças

Do leitor:

Em entrevista hoje pela manhã na rádio CBN, o deputado federal Ricardo Barros disse que apresentou projeto aumentando a pena para quem usa menores para cometer crime. Segundo Barros, o Estatuo da Criança e do Adolescente protege os menores infratores e a proibição contrato trabalhista para menores de 16 anos são as principais causas da criminalidade entre os jovens que, não podendo trabalhar, ficam ociosos e acabam cometendo delitos. Na entrevista ele disse também que o Estado não consegue cumprir com suas obrigações e garantir os direitos conquistados com muito sofrimento, então talvez seja melhor deixar os jovens serem explorados por empresários aproveitadores e cafetões pedófilos. Barros também defende a idéia de que, ao completar 18 anos, não seja apagado das fichas dos infratores os delitos cometidos na adolescência e juventude. Já que não se consegue implantar a “ficha suja” para políticos corruptos, deve-se implantar a “ficha suja” para jovens delinqüentes.
Ricardo Barros não entende que o Estatuto da Criança e do Adolescente defende a criança do trabalho precoce, da prostituição, do abuso e procura garantir o direito a educação de qualidade, saúde e cidadania. Será que ele estaria fazendo lobby para grupos interessados em explorar este rendoso mercado sem ser criminalizados?

Duplicar resolve?

De João Valezi:

Dois pontos devem ser analisados, com relação à duplicação da rodovia PR-323: é uma das poucas rodovias de extrema importância para o progresso do Paraná ainda na mão do governo, e infelizmente também é hoje uma das mais violentas. Lembro-me da primeira vez que trafeguei por esta estrada. Foi em 1971, quando ela estava recém-pavimentada. O tráfego de veículos era calmo e sobre acidentes, nem se ouvia falar.
Numa análise mais profunda, a mudança no movimento aconteceu quando foi instalado o pedágio da rodovia que liga Maringá a Cascavel. Para desviar da cobrança, caminhões pesados começaram a usar mais a PR-323, e aí começou a se registrar acidentes com maior freqüência. Fugindo do pedágio, veículos pesados com destino a Cascavel e Foz do Iguaçu tomaram este trecho de Maringá a Alto Piquiri como rota alternativa, estimulados pelo governo Requião, com suas Estradas da Liberdade. Isso só aumentou o problema de quem usa este trecho de rodovia.Continue lendo ›

Ricardo Barros, presidente da Sanepar

Do leitor:

Imaginemos. Se o prefeito de fato de Maringá, Ricardo Barros (candidato derrotado ao Senado Federal), fosse convidado pelo governador eleito Beto Richa para ser o presidente da Sanepar será que ele, também conhecido como “leitão vesgo” (enquanto mama numa teta já está de olho em outra) aceitaria liderar a mobilização para que o município reassuma os serviços de água e esgoto?
Acho que o  barulho pela retomada dos serviços de água e esgoto pelo município é mais para Barros se cacifar e ficar com um órgão estadual que tenha muita $$$$$$$$$$$. Alguém duvida?

Jardim das obsessões

De Joaquim Ferreira dos Santos, hoje no Segundo Caderno de O Globo:

– O povo quando va às urnas vota em sonhos e nos clichês ao alcance de sua compreensão. Nisso John [Lennon] foi mais eficiente. De punhos cerrados, ele imprime melhor na camiseta do que a franjinha risonha do Paul [McCartney] dizendo “a vida melhora o tempo todo”. Um ainda está entre nós, enchendo estádios e fazendo discos, sempre atrás de alguma novidade sonora. O outro teve a sorte de encontrar um maluco que lhe descarregou o revólver e o transformou num anjo da eterna rebeldia.

O esbanjamento

Do padre Orivaldo Robles:

Faz anos, era véspera do aniversário de meu afilhado, criança dos seus quatro ou cinco anos. A comadre surpreende-o atirando ao lixo um monte de brinquedos. “Que é isso, meu filho?”. A resposta desconcerta-a: “Ah, mãe, amanhã é meu aniversário. Vai vir tudo novo”. A comadre não alisa. Faz desabar sobre o pequeno um sermão a respeito de crianças pobres aos milhões, que se dariam por felizes com um só daqueles brinquedos usados, que ele estava jogando fora. O coraçãozinho infantil comove-se. O menino cai num pranto sentido, que a mãe precisa consolar.
Dias depois, na pia da cozinha ela encontra um potinho de iogurte aberto, ainda quase cheio. Repreende-o na hora: “Filho, se você não aguentava tomar um inteiro, por que abriu? Quantos pobrezinhos gostariam de um iogurte, mas…” Rápido, ele corta-lhe o discurso: “Ih, mãe, não vem de novo com essa história de pobres, que outro dia eu fui obrigado a chorar por causa deles”. Na íntegra.

Apelo para recorrer às esperanças

De José Fuji:

Diante de tantos indícios de irregularidades, denúncias e investigações, a população não saberia mais onde recorrer, reclamar, pedir orientações etc. Nós entendemos que se tivermos o nosso poder Legislativo independentes com a capacidade em discernir o que é a real função dos vereadores poderíamos estancar muitos desses enigmas. Qual é o apelo para recorrer às esperanças? Seria formar uma nova composição da mesa diretora independente, já nestas eleições do segundo e o ultimo biênio desse mandato. Dê uma chance aos maringaenses de conhecer como poderia funcionar um poder Legislativo se tivesse uma oposição ou os verdadeiros representantes que estivessem em vossos nomes (povo)! Vamos dar a resposta positiva aos seus eleitores iniciando nesta nova composição da Câmara Municipal de Maringá, elegendo um presidente da oposição, vamos testar este grupo, pois não sabemos dos seus desempenhos com o poder nas mãos! “Mudanças são imprescindíveis”. E o apelo não é para grupos separadamente, e sim para o verdadeiro grupo que é do “povo”, os 15 representantes que foram conduzidos com a procuração assinados em branco de seus eleitores.

A conduta criminosa dos flanelinhas

Leitor que concorda que a “atividade” de flanelinha em Maringá está um verdadeiro abuso, um mercado em verdadeira expansão, recomenda a leitura deste artigo, que tem como título “A conduta criminosa dos guardadores clandestinos de veículos e a legislação penal”, de Oneir Vitor Oliveira Guedes.

Na introdução, o bacharel em Direito escreve: “A insegurança na sociedade atual passou constituir um grande obstáculo ao exercício dos direitos de cidadania, principalmente nas grandes metrópoles brasileiras. Diante do medo do cidadão em relação à violência urbana e da sua desconfiança nas instituições do poder público encarregadas na implementação e execução das políticas de segurança, tarefas rotineiras como estacionar o carro estão se tornado mais árduas que os doze trabalhos de Hércules”.

Apostaria em aquinianos

De José Fuji:

Apostaria que dois vereadores – dr. Manoel Sobrinho e Marly Martins -, se chegassem à presidência do Legislativo, transformariam o Portal de Transparência em uma realidade, começando pela formação de todos os cargos existentes no Poder Legislativo, acompanhando o modelo como a Câmara Municipal de Londrina estampou em seu portal e colocou à disposição de todos os contribuintes londrinenses o organograma administrativo.Continue lendo ›

Farra política com recursos públicos

De Gill Castelo Branco:

– É conhecida a história do auditor que encontrou uma girafa pastando nos jardins do Palácio do Itamaraty. De imediato, solicitou explicações ao Ministério das Relações Exteriores, mas quando lhe mostraram que o animal havia sido adquirido em uma licitação, pelo menor preço, o assunto foi encerrado.
A piada ilustra a preocupação dos órgãos de controle com a legalidade – o que é essencial – e o desprezo da análise quanto à necessidade e à prioridade do gasto público. Na realidade, existem diversas girafas nos gastos públicos. Na íntegra.

“Hoje, qualquer miserável tem um carro”


O comentarista Luiz Carlos Prates, da RBS/RS, que fez sucesso ao falar sobre os deputados que gostam de gastar dinheiro público (a partir de uma afirmação do maringaense Ricardo Barros), é acusado de dar uma derrapada ao comentar sobre os mortos no feriadão. Ao falar sobre imprudência, disse que hoje “qualquer miserável tem um carro” e que isso é “resultado desse governo espúrio, que popularizou pelo crédito fácil o carro para quem nunca tinha lido um livro”.

Matinê de carnaval

Do padre Orivaldo Robles:

Saudade não consulta calendário. Sem se anunciar, bateu-me a lembrança do meu primeiro (e único) carnaval. Cedo me convenci de que o rei Momo e eu temos incompatibilidade de gênios. Garoto pobre da roça, jamais soubera da sua existência. Para mim, como para todos os meninos do meu tacanho mundinho, carnaval era uma palavra de pouco, quase nenhum significado. Daí, por uma razão que só a pobreza explica, minha família se mudou para Jales. Fomos morar numa chácara, no limite do perímetro urbano. Na frente do pomar que rodeava nossa casa corria a primeira rua. Sufocada, é verdade, pelo capim colonião em que pastava alguma vaca ou cavalo ali amarrado com corda longa. Mas era a rua que dava início à cidade. Com menos de dez anos de fundação, parecia estranho, mas não para nós, chamar cidade um amontoado de meia dúzia de ruas. Casas, algumas dezenas. Na íntegra.

Dois pesos e duas medidas

De leitor maringaense:

Hoje, sábado, dia em que o nosso primeiro mandatário faz suas orações, de agradecimentos, pediria que incluísse em seus pedidos uma reflexão sob as medidas tomadas sob seu manto, quando mandaram fechar um asilo na Zona 5 porque incomodava a vizinhança. Os idosos, tratados como velhos, provavelmente ofuscavam as belezas da mansões que lá existem. Deveria aproveitar para refletir, pedir orientação e tomar providências sobre a tolerância que têm seus subordinados com relação a boate que funciona na avenida Tiradentes, bem próxima da casa em que ele reside. Diferentemente dos acolhidos no asilo, os frequentadores da tal boate, levados pelo álcool, fazem verdadeiras algazarras, com vozerios elevados, brigas, etc que incomodam toda a vizinhança. Os moradores do entorno já reclamaram inúmeras vezes ao gerente e ao diretor da Sema, fazem ouvidos moucos e nenhuma providência é tomada.
Seria importante chamá-los e pedir explicações sobre o por quê de tão tolerantes, pois o sono dos moradores próximo do local é tão necessário quanto os da Zona 5. Gostaria que a PMM cassasse o alvará com a mesma presteza que fizeram com o asilo. Portanto, que o mandatário da cidade saia da casa de orações com o espírito elevado e cheio de decisões
que venham em prol do bem comum dos seus munícipes.

O caso Mayara

O caso é uma situação associada, no mundo forense, a um processo. No cotidiano caso é algo relacionado com situações extraconjugais, ou um namoro, assim sem muitos compromissos. Como pode ser um fato comum da vida, ou especial depende de uma valoração. Posto isto a pergunta é: quando nasce um caso? Parece-nos que tal questão está vinculada quando há um rumo diferente daquele que é considerado como “normal”. Este preâmbulo é para contextualizar o texto do jornalista Fernando de Barros e Silva, publicado na Folha de São Paulo, nesta terça-feira. Nele o autor trata do caso Mayara e crítica o meio pelo qual a OAB de Pernambuco decidiu reagir quando da manifestação pública da estudante de direito, a qual se utilizou de um discurso no Twitter  para instigar o homicídio, sustentando o referido jornalista que “Incomoda-me, de um lado que a primeira reação seja ir a justiça para punir a jovem”. Entendo que o ir até a justiça não resulta de uma decisão impensada, pois o processo judicial é um caminho difícil, longo e não sempre resulta naquilo que se busca. Porém é um caminho civilizado, adequado quando todas as outras formas de dialogo social foram superadas e quebradas.

Ou seja, quando a capacidade dos cidadãos mostrou-se ineficiente para resolver o conflito, pois consideramos que uma sociedade não é um amontoado de indivíduos que correm todos os dias para algum lugar, sendo, pois algo bem mais complexo. Por essa razão é necessário observar que a ida até a justiça por parte da OAB, indica que todos os outros meios sociais de “civilizar” começando pela Família, seguindo pelos valores religiosos, continuando pela escola, e avançando na Universidade, parecem ter fracassado. Veja que se trata de estudante de terceiro grau e aluna de um curso que começa desde o primeiro dia comentando, estudando e debatendo Kelsen e sua pirâmide em cuja cúspide está a Constituição. Lembrando que a nossa Lei Maior manda no seu Artigo 1º que a República Federativa do Brasil tem como fundamentos, dentre outros, a cidadania  e a dignidade da pessoa humana. O problema não está em ir até a justiça para buscar punir, a questão está em que todos os freios e contrapesos sociais pacíficos fracassaram neste caso.

Jorge Ulises Guerra Villalobos

Atitude policial excessiva e humilhante

Leitora se manifesta poor conta de uma cena que presenciou no último sábado, às 10h30, na rua Santos Dumont, quase esquina com a Herval, em Maringá. Um jovem, possivelmente menor, cuja aparência não parecia oferecer nem ameaça, nem resistência, estava sendo levado como criminoso por dois policiais, com as mãos algemadas nas costas, calçando apenas um pé de tênis, tendo em seu rosto um semblante de constrangimento e medo. Um grupo de senhoras que estavam na esquina, duas com filhos menores, manifestavam revolta pela conduta dos policiais, visto que o rapaz havia sido preso por vender DVDs piratas na calçada (igual a muita gente pelas ruas). Segundo elas, ao ser revistado, o menino não tinha posse nem de armas, nem de drogas. Perdeu um pé de tênis, que provavelmente valia mais do que toda uma semana de “trabalho”, ao tentar fugir dos policias, e, após ser algemado e levado, pediu aos policias para que pegassem o sapato, e eles recusaram.
As senhoras compartilharam comigo da mesma opinião: de que a atitude dos policiais foi excessiva e humilhante, pois deveriam agir dessa forma somente com criminosos perigosos, e não com um jovem exposto aos pedestres na rua. Foi uma maneira falha de dizer que o longo braço da lei estava exercendo sua função. E quem nos garante que longe dos olhos da população indignada, o rapaz não sofreu punição e constrangimento maiores?!

“Vai faltar água na torneira”

Do leitor:

– Os Barros têm experiência mal sucedida com a atentativa de privatização das escolas municipais. Vão tentar agora o serviço de água e esgoto que vem sendo bem administrado pela Sanepar. A Sanepar tem todo um caldo de cultura sobre o serviço. Com a retomada do serviço pela prefeitura, toda uma infraestrutura terá de ser criada. A qualidade da água fornecida será uma incógnita. Se isso realmente vier a ocorrer, a falta de água na torneira será uma constante, porque os investimentos na rede de água e esgoto ficarão na dependência de verbas federais apenas, ou seja, Maringá ficará sob o jugo dos políticos de ocasião. Eu já estava propenso a mudar de cidade e se isso vier a ocorrer mesmo, levarei minha empresa para outro lugar, porque sei que municipalização da água e esgoto não deu certo em lugar algum.

O que nos resta de história

De José Fuji:

Maringá, por se tratar de uma cidade ainda muito jovem, tem sua história conhecida pelas pessoas que ainda estão entre nós. Boa parte dos pioneiros da cidade chegaram à cidade desembarcando na Estação Rodoviária Américo Dias Ferraz, que, como muitos deles, deixou de existir. Como muito bem diria o Akino Maringá ao conversar com amigo de um alto de um prédio, a minha voz embargou e os meus olhos quase vieram as lágrimas quando via os tratores e retroescavadeira destruindo como se fosse algo tão normal, sem saber que muitas consciências lá estariam sendo apagadas.
E o que ficou no legado de nossas consciências são apenas as histórias dos projetos de mais de 40 anos atrás elaborados para construir um Contorno Norte, que na época realmente contornava a cidade, e hoje vem sendo o bloqueador do progresso e crescimento de nossa cidade. Continue lendo ›

Dia de Luto

De Rodrigo Constantino:

O dia 2 de novembro foi escolhido como data oficial para a homenagem aos mortos. Gostaria de prestar aqui minha homenagem ao mais recente defunto brasileiro: a Ética. Seu falecimento gerou profunda tristeza em milhões de brasileiros. Não foi morte acidental, mas homicídio. Cinqüenta e cinco milhões de brasileiros executaram a Ética à queima-roupa, no dia 31 de outubro. As armas usadas: as urnas. Esta eleição foi caracterizada pelo total desprezo aos valores éticos. O presidente Lula foi o grande responsável por esta lamentável postura. Colocou na cabeça que a única meta importante era eleger sua candidata, e qualquer meio poderia ser usado para tanto. O presidente da República, representante de todo o povo brasileiro, tornou-se um empolgado cabo eleitoral, ignorando as funções de seu cargo, as leis e o respeito às regras de uma democracia limpa. Na íntegra.

Vida é a realidade decisiva

Do padre Júlio Antônio da Silva:

Apesar das tantas maquiagens inventadas em cima da morte e dos mortos,  nossa cultura popular ainda conserva grandes sinais e manifestações diante do ato final da vida humana. Para confirmar esta verdade, basta recordar o quanto de gente, no dia de finados, foi ao Cemitério Municipal. Lá, quantas velas foram queimadas. Quantos vasos de flores depositados sobre túmulos.
Quantas coroas. Quantos ex-votos depositados sobre túmulos de pessoas significativas para a cidade, como o jovem Clo ou o padre Bernardo. Finados sinaliza um movimento de proximidade com os mortos. E instiga o instinto humano a procurar os porquês das perdas que vão sendo semeadas e experimentadas no decorrer de nossa vida. Normalmente, as experiências de perdas afetam nosso ser mais profundo. Na íntegra.

Outra Dilma

De Ateneia Feijó:

Se o voto na mulher-Lula representou apenas eleger a criatura submissa ao criador, a louvação de sua vitória eleitoral não ultrapassou o festejo partidário. Qual? O de ter conseguido eleger uma “guerreira” de fidelidade canina para a “missão” de tocar o projeto de país lulista; até ele voltar. Em nenhuma hora ela foi apresentada ou considerada por seus correligionários como uma grande líder. Como, normalmente, conviria à pretensão de elegê-la ao cargo máximo da nação. Porém, no primeiro discurso de presidente eleita, pareceu-me que a mulher-Lula se despedia. Livre dos marqueteiros e do criador (que a deixou à vontade naquele dia), deu para enxergar outra Dilma. Estava serena. Sem se contaminar pela euforia e se deixando emocionar apenas por um instante, quando falou de Lula. Na íntegra.

O binóculo

Do padre Orivaldo Robles:

O coitado vivia numa dureza de fazer pena. Já tentara de tudo, mas não conseguia sair do miserê em que se achava. Quase no desespero, resolveu mandar uma carta para Deus. Com humilde franqueza, se abriu: “Olhe, Deus, o Senhor conhece tudo, então nem preciso explicar o que estou passando. Para mim, como vê, a maré “tá” braba. Desempregado, mulher doente, ameaça de despejo pelo aluguel atrasado… Para piorar, ontem o caçula quebrou a perna. Eu não queria incomodá-lo, mas não tive saída. Precisa me dar uma mãozinha. Pro Senhor não deve ser grande coisa. Por favor, me veja aí uns quinhentos reais para as despesas mais urgentes. O resto eu vou controlando. Confio no Senhor. Desde já, fico-lhe muito agradecido”. Assinou, anotou o próprio endereço no verso e escreveu na face do envelope: Excelentíssimo Senhor Deus – Céu. Na íntegra.

Finada campanha política

De Noel Guima:

Depois de 60 dias de guerra numa das campanhas mais baixas da história da política moderna no Brasil, estamos na véspera de eleger um governo que só Deus sabe o que vai acontecer depois de janeiro de 2011. Só nos resta torcer para que os próximos quatro anso não sejam lembrados como o terremoto do Haiti ou os tsunamis que provocaram tanto sofrimento a milhares de pessoas. Claro que não podemos comparar voto errado com catástrofes naturais, mas também espero não poder comparar o voto errado com as tragédias provocadas pela mão do homem, como o 11 de setembro, invasões a paises por motivos econômicos ou sem motivo que justifique tantas mortes e sofrimento.
Nos últimos dias tenho recebido centenas de mensagens apresentando os mais variados motivos para não votar em nenhum dos candidatos, mas ninguém consegue apresentar uma razão que justifique o voto com a certeza que esteja votando na pessoa certa. Nas rodas de debates que acontecem nos mais variados lugares, o que mais inflama as discuções entre os militantes ou “simpatizantes” são as ofensas e defeitos do candidato ou da candidata que representa o outro lado. Não sei porque, mas tenho a impressão de estar votando no passado e não no futuro.Continue lendo ›

“Meu maior incômodo”

Do leitor Paulo Sergio:

Não sou intelectual, jornalista, sindicalista, servidor público, petista ou tucano. Sou um simples brasileiro, contribuinte, quase anônimo, visto apenas como um número de CPF pelas pessoas poderosas que ajudo a sustentar com os impostos que pago. Não ganho o suficiente para pagar um plano de saúde, por isso estou há dez anos sem ir ao médico. Tenho 52 anos e há seis meses estou na fila de espera por uma consulta para – pela primeira vez – fazer exame de próstata. Graças a Deus tenho saúde para aguentar a espera (tomara!!!). Mas não é da minha próstata que quero falar… pra falar verdade nem queria que mexessem nela. Meu maior incômodo, no momento, está naquela simpática geringonça eletrônica que vai apontar o novo Presidente da República. Nada tenho contra a tecnologia, mas estou assustado com o que ela vai mostrar no domingo. São duas fotos, dois rostos, duas pessoas e, hipoteticamente, eu teria de escolher uma delas.Continue lendo ›

Entrevista ao Maringay

Ontem fui entrevistado pelo site Maringay – a segunda entrevista, desde a criação do site. Sobre o sucessor do prefeito Silvio Barros II (PP), disse que ele deve ser correto, íntegro, probo – “e neste quesito a Justiça está aí, dizendo quem tem e quem não tem retidão”. Na íntegra.

Antes que me esqueça: aquele site não tem mais a parceria com O Diário, anunciada há exatamente um mês. Será que Agnaldo Vieira tinha razão?

Marina Silva é a Coco Chanel da política brasileira

De Maria Newnum:

Não importa o que digam as regras das eleições presidenciais no Brasil. Marina Silva está no páreo no segundo turno. Uma simples fala dela influenciará apoio a um dos candidatos ou impulsionará para o maior número de brancos e nulos da história eleitoral. Se os moldes eleitorais fossem semelhantes aos Estados Unidos, certamente lhes ofereceriam a cadeira de vice-presidente. E mesmo que se diga neutra, continua no foco das atenções dos quase 20 milhões que nela votaram no primeiro turno. Mulher, com a cara da maioria “das gentes brasileiras”: Não é, e nem nunca foi, produto do marketing eleitoral. Não fez cirurgias, nem usou botox. Marina é Marina; de cara lavada. Com as devidas proporções, Marina Silva é a Coco Chanel da política brasileira.Continue lendo ›

Turismo

Outra coisa que anda claudicante em Maringá é o turismo. Houve promessa da atual gestão municipal de que o setor teria prioridade. Até agora, nada. Há tantos bons exemplos na região. Em Apucarana, o turismo religiosa anda de vento em popa. Também faz sucessos naquele município, as caminhadas com trajetos que levam a atrações rurais. Maringá poderia seguir esses exemplos.

Donizete Oliveira, jornalista e professor

Cultura II

Outra coisa que precisa melhorar em Maringá é esse projeto “Convite à Música”, que toda semana apresenta alguma atração com entrada franca. A ideia é boa, mas precisa de variedades. Pelo que sei só há apresentações de música clássica, piano e violão. Por que não dar preferência também à viola, à sanfona e outras manifestações culturais?

Donizete Oliveira, jornalista e professor