Microcrônica

Goleiro do Galo distrai-se olhando a perua. Come um baita frango. (A. A. de Assis)

Goleiro do Galo distrai-se olhando a perua. Come um baita frango. (A. A. de Assis)

Luar no sertão. Que falta nos faz Catulo com seu violão. (A. A. de Assis)
Que no ano novo, sem medo,
a gente possa brincar,
e que o melhor do brinquedo
seja o direito de amar!
(a. a. de assis)

Era um frango assado, e além de assado era assim. Teve à mesa um fim. (A. A. de Assis)
Na fila de idosos, troca-troca de sintomas. Quem não tem inventa.

Tinha um pé de pinha no quintal vizinho. Tinha. Nem quintal tem mais. (A. A. de Assis)
Manhêêê – diz o piá –, trouxe uma flor pra você. Troco por um beijo. (A. A. de Assis)

Morantes na Lua: São Jorge e o fiel cavalo, mais a solidão. (A. A. de Assis)
Nós e os nossos rios, cada qual segue o seu curso. Reencontro na foz. (A. A. de Assis)
Chuva, chuva, chuva. Dá tristeza quando falta; quando farta, assusta. (A. A. de Assis)
Matuto, matuto… chego à sábia conclusão: que matuto eu sou… (A. A. de Assis)
Abre e fecha, qual se um livro fosse. Uma borboleta. (A. A. de Assis)
Súbita rajada. Um vento espalhafatoso alvoroça as saias. (A. A. de Assis)
Rosna a motosserra pondo o verde ao chão. Planeta morrente. (A. A. de Assis)
(Foto: Felipe Torres)
E agora, vovô? – Agora, nas mãos dos netos, sou que nem ioiô. (A. A. de Assis)
Quem foi que tantas matas neste mundo derrubou? O pica-pau?… (A. A. de Assis)

Que coisa gostosa o abraço quando com saudade é dado… (A. A. de Assis)
Levantar cedinho. Mens sana in corpore sano. Ouvir passarinho. (A. A. de Assis)
Um cisco no chão. Mas não era um cisco não, era uma esperança. (A. A. de Assis)

O tempo soprou e eu de mim em mim sumi. Ficou-me o não eu. (A. A. de Assis)

Na agitada esquina o guarda priprila o apito. Bem-te-vi responde. (A. A. de Assis)
Asinha quebrada, cata a pombinha na grama a sobrevivência. (A. A. de Assis)

Na foto antiga, a saudade vestida de azul e branco. Normalistas, lembra-se? (A. A. de Assis)
(Arte s/ foto do Blog Valmir Guedes)Continue lendo ›

Rua das Palmeiras. Magras, altas, belas, quais moças nas passarelas. (A. A. de Assis)

De pernas pro ar… Domingo pé de cachimbo ou pede um sofá? (A. A. de Assis)
Chovem meteoritos. Enxame de pirilampos de noite na roça. (A. A. de Assis)
Um par de rolinhas horas a fio no fio. Namoro ou fofoca? (A. A. de Assis)
(Foto: Vera Medeiros)

Um gato no muro. Vacila entre o gordo rato e a gatinha enxuta. (A. A. de Assis)
(Foto Sophie Carrière)
Lua nova e meia. Tão crescente, logo casa, vira lua cheia. (A. A. de Assis)
Tomara que caia. Ante a malta salta sobre a poça a moça. (A. A. de Assis)