Microcrônica
Passam tartarugas. Passo… a passo… a passo… (A. A. de Assis)
Passam tartarugas. Passo… a passo… a passo… (A. A. de Assis)
Tímida peroba. Dá-lhe a orquídea um leve toque de namoradeira. (A. A. de Assis)
Caminhão de lixo. O derradeiro passeio da gula e do luxo. (A. A. de Assis)

Teste de audição. Canta ao longe um sabiá… e eu posso escutar. (A. A. de Assis)
(*) Foto Laís Aquemi
Veja a parasita: parece gente que a gente acha até bonita… (A. A. de Assis)

Bem-te-vi faz um rasante, fere ao peito o gavião. Davi um, Golias zero. (A. A. de Assis)
Ante o Pão-de-Açúcar, dá as costas a Lua ao mar. A lei do mais doce. (A. A. de Assis)
Um impasse e tanto: se trabalho, o canto atrapalho. Nesse caso, canto. (A. A. de Assis)
Minhoca e minhoco. Será como que eles fazem quando estão no choco? (A. A. de Assis)
Vai dormir o Sol. Na cabeça da montanha pendura a coroa. (A. A. de Assis)

Um vaso de avenca. Minimíssima floresta. Mas é verde, é festa. (A. A. de Assis)
Cada mês que passa vai passando a ser passado. Nós também, que pena… (A. A. de Assis)

Deixa o beija-flor um “selinho” em cada rosa. E elas gostam… ahhhh. (A. A. de Assis)
Tá podendo o joão-de-barro. Só ele, entre a passarada, vive em mansão. (A. A. de Assis)
Iça… iça… iça… Devagar vai indo ao longe o bicho-preguiça. (A. A. de Assis)
Amar é bom à beça. Bastante e sem pressa. De preferência ao luar. (A. A. de Assis)
Um ato de fé. Lavrador, olhando o céu, abana o café. (A. A. de Assis)
Cantam parabéns. Sopro mais uma velinha… Mais velhinho estou. (A. A. de Assis)
Pião da saudade. Roda e pousa numa era em que era bela a vida. (A. A. de Assis)
Banho de rio, bola de gude, bola de meia. Terra natal. (A. A. de Assis)
Quem nada… tem tudo. Somente os peixes puderam dispensar a Arca. (A. A. de Assis)
O amor sempre tem razão. Mesmo quando, às vezes, erra. (A. A. de Assis)
Aguinha da bica. Pousa o melro, beberica. Louva a vida. Canta. (A. A. de Assis)
Nasci na montanha. Supunha coubesse a Terra toda em meu olhar. (A. A. de Assis)
Dá-me aí, poeta, uma rima para míssil.
– Difícil, difícil.
(A. A de Assis)
Cocô da andorinha cai justo em cima da rosa. Lesa-majestade. (A. A. de Assis)
Balança o palanque. O peso na consciência do nobre orador. (A.A. de Assis)
Poema na praça. Menininha joga um beijo à flor. (A.A. de Assis)