josé luiz boromelo

Opinião

O efeito Vila Rica

De José Luiz Boromelo:
Fundada em 1711, a localidade de Vila Rica de Ouro Preto entrou para a história como um dos municípios mineiros com as maiores produções de ouro do Brasil colônia. Mas a notoriedade do termo consolidou-se em 1976, quando uma personalidade pública resolveu participar de um anúncio promocional. Com a frase “Leve vantagem você também, leve Vila Rica”, o ex-jogador de futebol Gérson personificou a figura da malandragem no país. Mesmo que a intenção tenha sido outra, à época da veiculação do comercial de tabaco e que por uma infelicidade acabou associando sua imagem ao produto. A conhecida “Lei de Gérson” é utilizada por uma parcela significativa de pessoas em diferentes circunstâncias, e só veio comprovar o que é público e notório: o brasileiro é propenso a ser corrupto e hipócrita por excelência, mesmo que não admita essa condição.Continue lendo ›

Opinião

Patinho feio

De José Luiz Boromelo:
Numa conhecida fábula infantil um filhote é rejeitado pela família por ser diferente dos demais, apesar de ter nascido da mesma ninhada. Ao atingir a fase adulta revelou-se toda sua beleza, pois na verdade era um cisne e não um pato. Assim como na primeira parte da estória o Paraná transformou-se no patinho feio do governo atual, ficando mais uma vez de fora de importantes investimentos federais. O estado foi preterido nos últimos repasses dos recursos do PAC, mesmo com três ministros ocupando pastas de grande relevância na esfera federal. Se bem que os paranaenses nunca foram devidamente respeitados na capital da república, como pleiteia agora nosso governador. Desde há muito somos menosprezados no cenário nacional, não obstante nossa comprovada participação na economia do país.Continue lendo ›

Opinião

Movidos a álcool

De José Luiz Boromelo:
No final da década de 70 o governo instituiu o Proálcool, um projeto ambicioso que tinha como objetivo convencer o brasileiro a aderir ao etanol. Com o slogan “Carro a álcool: você ainda vai ter um” o governo estimulava o uso do combustível renovável por conta da crise na matriz energética mundial. De lá para cá consumo aumentou significativamente, não somente pelos veículos, mas principalmente aquele ofertado nos balcões de bares, lanchonetes, restaurantes, clubes e similares. As vendas cresceram em função da estabilidade dos sucessivos planos econômicos, influenciadas pela elevação gradual do poder aquisitivo das pessoas.Continue lendo ›

Opinião

“Estamos em greve”

De José Luiz Boromelo:
A cessação coletiva e voluntária do trabalho é uma forma controversa de se atingir objetivos específicos, muitas vezes sem avaliação criteriosa de suas conseqüências. Por aqui se faz greve para tudo, mas o campeão das reivindicações ainda é o reajuste salarial. Entidades representativas de classes trabalhistas oferecem apoio aos grevistas, com o objetivo de atrair a atenção da mídia e da população. Esse é o dispositivo mais utilizado pelo assalariado para requerer seus direitos no país.
Ocorre que por vezes a greve atinge setores estratégicos como transporte coletivo, assistência médica e hospitalar, segurança pública, telecomunicações, controle de tráfego aéreo, distribuição de energia elétrica, gás e combustíveis entre outros. Continue lendo ›

Opinião

A escalada da violência

De José Luiz Boromelo:
O cidadão brasileiro convive com uma onda de violência sem precedentes. Em todas as regiões do país as diversas modalidades de crimes tiveram um aumento considerável. O Brasil tornou-se um dos países mais violentos do mundo ocupando o 4º lugar, atrás apenas de El Salvador, Venezuela e Guatemala. O aparato policial disponível não é suficiente para fazer frente à demanda por segurança. Com efetivos e salários defasados, equipamentos obsoletos e os índices de violência nas alturas só resta ao contribuinte recorrer à proteção divina e manter-se recluso dentro de sua própria casa. E não adianta os governantes “taparem o sol com a peneira”, pois o clima de insegurança atinge níveis insuportáveis. Há muito o contingente policial está aquém das reais necessidades, apesar dos discursos oficiais contradizerem uma realidade bem diferente daquela apresentada pela mídia diariamente.Continue lendo ›

Opinião

Os devaneios do poder

De José Luiz Boromelo:
“Se quiser conhecer um homem, dê-lhe o poder”. Esta frase em tradução livre do grande estadista norte-americano Abraham Lincoln ilustra perfeitamente certas atitudes daqueles transitoriamente investidos do poder. O cidadão brasileiro é freqüentemente coagido a aturar opiniões estritamente pessoais emitidas por seus governantes. Mesmo sem ter o domínio técnico do assunto nem serem especialistas da área, suas conclusões acabam influenciando posicionamentos. E nesse rol de esquisitices identificam-se algumas “pérolas” memoráveis. Num passado não muito distante, o presidente garantiu que a crise econômica mundial que se avizinhava não passava de uma simples “marolinha” para o Brasil. Não foi bem isso o que ocorreu. Apesar das medidas tomadas para garantir o crescimento do país, as conseqüências se fizeram presentes. Agora eis que a atual ocupante do mesmo cargo defende e alardeia a idéia de que “o crescimento de um país não é medido pelo tamanho de seu PIB, mas pelo que faz pelas suas crianças e adolescentes”.Continue lendo ›

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A arte de engolir sapos

De José Luiz Boromelo:
Nessa vida agitada da atualidade o ser humano está sujeito a incontáveis embaraços presentes no caminho. Podemos encontrá-los nos mais diferentes ambientes, sob as mais inusitadas formas, mas dificilmente conseguiremos escapar dos aborrecimentos que nos causam. Isso acontece porque convivemos com pessoas que têm personalidades, pensamentos e reações distintas. E em cada situação exige-se uma atitude à altura para solucionar ou minimizar os impasses criados pelas opiniões divergentes. Seja no lar, no trabalho, no lazer, no convívio social, nas relações do comércio e principalmente na famigerada política, diariamente somos compelidos a praticar o custoso exercício de “engolir sapos”. Que pode tornar-se uma tarefa das mais complicadas, dependendo do diâmetro e da elasticidade de nossa garganta nessa empreitada.Continue lendo ›

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Orgulho de ser caipira

De José Luiz Boromelo:
O termo caipira tem sido utilizado para designar as pessoas oriundas do meio rural e que apresentam certos comportamentos peculiares que os identificam de imediato, seja no modo de falar, vestir ou de caminhar. O dicionário o classifica ainda como um “indivíduo tímido, acanhado” e afeito às dificuldades da vida na roça. Pelo menos é dessa forma que os compositores há muito tempo descrevem o nosso sertanejo, decerto inspirados no estereótipo do personagem criado por Monteiro Lobato, o “Jeca Tatu”. A postura típica do matuto está igualmente representada de forma acentuada, com ênfase ao exagero de expressões e trejeitos imortalizados pelo impagável Mazzaropi. Essa mistura de componentes resultou na consolidação da imagem de um ser renitente e despojado de cultura, mas com uma carga expressiva de valores morais arraigados na alma, que transmitem uma alta dose de confiança aos seus interlocutores.Continue lendo ›

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Os desafios do educador

De José Luiz Boromelo:
Houve uma época em que os profissionais da educação assumiam outras funções além da sublime missão de levar o saber. Freqüentemente os professores deslocavam-se até a residência de algum aluno, muitas vezes morador em área rural de difícil acesso, com o intuito de identificar as causas das freqüentes faltas. A locomoção se fazia por meios próprios, amparada no desejo de solucionar os problemas que afligiam aquele educando, na tentativa de reconduzi-lo à sala de aula. Um estímulo e tanto, que na imensa maioria das vezes surtia o efeito desejado e garantia a assiduidade e a continuidade dos estudos, tão importante para o futuro de um jovem. Assim procedeu por muitas vezes minha estimada mestra D. Emília, que exibe com orgulho em meio às lembranças do passado, um brilho especial nos olhos e o sorriso sereno do dever cumprido.Continue lendo ›

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A saúde pede socorro

De José Luiz Boromelo:
A cena percorreu o país e mostra a triste realidade sem disfarces. Uma médica tomou uma atitude extrema levada por justa indignação, diante do caos instalado no pronto atendimento da instituição de saúde a qual presta serviços. Seu desabafo diante das câmeras foi a única forma que encontrou para protestar contra a superlotação dos hospitais públicos. Naquele momento, tomando para si a responsabilidade de manifestar-se (com toda a razão), personificou o padecimento sem fim do cidadão e o descaso do Estado para com um povo que é desrespeitado diariamente em seus direitos mais elementares.Continue lendo ›