Será preciso anular o voto?

Do professor Paulo Vergueiro:
É comum numa família americana tradicional quando ha uma discussão, chamar atenção de outro com expressões do tio “isto não é próprio de um republicano ou de um democrata…” Esta é a base que sustenta a grande dos partidos, independentes de seus personagens. Valem as ideias, a tradição e o cumprimento régio dos estatutos do partido e nunca os caprichos individuais de figurões políticos, independente de sua grandeza.
Antes de Collor e, portanto Itamar Franco (leia-se Fernando Henrique Cardoso), o que dava o tom das propostas brasileiras era o drama da inflação. E não havia soluções propostas com base nas ideologias partidárias, o que havia era candidatos a salvador da pátria amada. O brasileiro chama isso de criatividade, o tom pessoal da competência, a assinatura que caracteriza e distingue os bons dos ruins. Mas há quem chame isso de oportunismo político, de vai e vem sem argumentos sólidos e que a coisa anda fruto do oportunismo de personagens distantes de qualquer abono ético e moral.
A experiência petista está apenas deixando-o pior, mas a escolha por esta estrada já fora tomada, lá no berço da independência.
Aqui, de fato, não há ideias, há interesses. Aqui não, povo e sociedade não é a causa da política, mas o meio de se fazer enriquecer e satisfazer seus objetivos pessoais de grandeza.
Não se propõe nada, absolutamente nada, o que se faz é compor interesses.
É dividir, com antecedência o bolo a ser degustado, por famintos e inescrupulosos brasileiros que dão de ombro ao povo e suas necessidades.
Em nossa tribo, gente jovem e promissora, sequer tem uma única proposta que o destaque e já anuncia que sua candidatura primeiro, tem que ser viabilizada nos bastidores, com os “parcerios” que haverão de dar sustento político a uma eventual candidatura.
Estão elaborando que tipo de acordo?
Este modus operandi, cansa a parcela da sociedade que pensa com a cabeça e não com base nos interesses pessoais de prosperidade.
É preciso mudar as figuras tradicionais, mas o que fazer quando jovens promessas traçam as mesmas estratégias e orientam seus próximos a assumirem velhos acordos?
Será preciso dar as costas e fazer com que esta política perca vexatoriamente para ela mesma, sem sinal prática e efetivo de protesto? Ou seja, será preciso promover o voto nulo?