Maringá, o pombal do noroeste do Paraná

De Lu Ribeiro:

Enquanto a prefeitura deseja regulamentar a ocupação urbana (e espera-se dos vereadores o papel social e não especulativo), a especulação imobiliária de Maringá está tentando fazer da cidade um pombal de gente. Enquanto Londrina e região sofrem com o excesso de pombas em Maringá querem submeter as pessoas a viverem em “pombais”, pois é o que é oferecido a menor custo. E quem paga a diferença para o custo real?

Há muito tempo já se constroem os vulgos pombais em Maringá e só vem piorando. Terrenos de 300 metros quadrados estão se transformando em cortiços e/ou muquifos aglomerando pessoas que, infelizmente, precisam se submeter à submoradia. Com isto submetem todo um sistema à pressão e ao estresse, e o postinho de saúde do bairro transborda junto com tudo isso e também fica “doente”.

As cidades são planejadas baseadas em condições mínimas de infraestrutura, o que considera as redes elétricas, de água e esgoto, de coleta de lixos orgânicos e recicláveis além da estrutura de trânsito, incluindo o sistema de transporte público. Muitos reclamam do excesso de carros, motocicletas e da baixa qualidade do sistema de transporte público com suas latas de “sardinhas”. Lembro-me que por volta de 1991, se não me falha a memória, o Lukas cartunista fez uma charge de um ônibus abarrotado e um caminhão de transporte de bois, confortavelmente acomodados. No ônibus alguém fazia uma referência aos pobres animais sendo transportados daquela forma… Há 20 anos, e ainda não temos um transporte de excelência e, com as aglomerações, isso só tem piorado.

Uma quadra que tem em torno de nove ou dez terrenos residenciais deveria acomodar em média umas 30 pessoas (para cada lado da rua), mas existem terrenos que estão sendo divididos em oito, isso mesmo, oito “kitnets” horizontais, ou mais quando o pombal é empoleirado. Quatro ou seis casinhas é comum em torno de locais de interesse imobiliário, tais como próximo a escolas, universidades, centro da cidade, shopping e outros.

Imaginem 10 terrenos vezes quatro casinhas por terreno, com a média de três moradores cada casinha, tem-se na média (4 x 3 = 12 x 10 = 120) 120 pessoas por cada lado da rua em um espaço planejado para 30, ou 240 pessoas numa rua planejada para 60. Quatrocentos porcento do esperado. Trezentos porcento a mais do que se deveria ter e seria suportado pelo transporte público, rede elétrica, de água e esgoto, internet, tv a cabo e seja lá qual for as necessidades de cada um tal como celulares (ondas eletromagnéticas de todas as frequências…) .

Um dos problemas é que não só as grandes construtoras, mas pessoas que arrumam um dinheirinho, compram um terreno e fazem “o investimento”. Para piorar, a maioria das pessoas que ocupam esses espaços não está preocupada com condição social ou harmonia de vizinhança, e é sabido que a aglomeração traz prejuízos, desde a harmonia entre vizinhos até à saúde pública, é cada um por si e o “empreendedor” só se incomoda se o aluguel não for pago. Estatuto? Síndico? Responsabilidade? De quem…?

Nestas condições o fluxo de pessoas é grande, pois a falta de conforto força a procura por mais sossego, segurança e espaço. Para alguns é muito bom, mas logo saem, pois estas moradias são temporárias, tais como as repúblicas de estudantes que só pensam em retornar para a origem ou arrumar um lugar melhor e se estabelecer na cidade e constituir família. E por falar em segurança, a frequente presença de pessoas estranhas ao endereço faz com que não se tenha controle do entra e sai, pois os “amigos”, amigos dos amigos, entregadores (inclusive de drogas), “parentes” e pessoas de todo tipo de relacionamento circulam sem controle.

Não isento aqui a culpa da administração pública, mas se vê por aí, e muito, o planejamento da obra de forma a “enganar” o fiscal e os engenheiros. Após a obra entregue e “aprovada”, fecham uma parede, fecham a outra, abrem outras, desenterram os encanamentos dos vasos sanitários, de ralos e de torneiras que estavam camuflados por uma fina camada de massa. É bem o tal ditado do pronto para o “inglês ver” e logo depois se faz o pombal!

Se ocorre acúmulo de pessoas, também acontece o de veículos, excesso de barulho, diversidade de horários e suas implicações para quem divide “parede”, de consumo de energia elétrica, de água e esgoto, transporte público, de animais, de lixo e de individualidade na maioria dos casos. E você que não mora em um pombal desses mas mora nas proximidades? Sente os prejuízos também!, pois passa a ter um fluxo de pessoas 200%, 300% vezes maior do que o normal e os incômodos aparecem na mesma proporção. Em um condomínio com estatuto, síndico, porteiros e outros funcionários já não é nada fácil…

E viva o pombal do noroeste do Paraná. Maringá já é conhecida na região com a frase – “Visite Maringá e ganha uma multa” e agora talvez com a seguinte: “Quer empoleirar-se? Maringá te espera!”.