Ao negar habeas corpus a Benedito Aparecido Batistioli, na semana passada (a publicação do acordão deu-se hoje), a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná acabou revelando parte da história que o levou à prisão. Dito residia perto da delegacia de polícia e depois de sua prisão houve remoção de policiais civis, que estariam de alguma forma ligados a ele. Em janeiro do ano passado o pintor Rodrigo Fonçati da Silva entregou-se à Polícia Civil de Maringá dizendo ser o autor de um duplo homicídio no Conjunto Ney Braga. Depois, ao Gaeco, ele mudou a versão e confessou que o autor era Rodrigo Cezar de Almeida, o Paché, a mando de Benedito Aparecido Batistioli; os dois estavam numa moto Falcon e foram até a residência do casal executado. No depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Núcleo Regional de Maringá, Fonçati afirmou “que já faz algum tempo que existem policiais de Maringá envolvidos com o Benedito Batistioli, para o tráfico de drogas”, que quem não faz as coisas que Dito manda morre, “tal qual fizeram com o Marquinhos Borboleta e o Juca Bala”. Disse ainda que “tudo que acontece é chefiado por Dito” e que havia assumido as mortes porque “foi orientado por alguns policiais civis (…) Que os policiais falaram para Rodrigo assumir que não ia dar nada, ia ser legítima defesa e já estavam com a arma do crime (…) Que os policiais sempre fazem isso para livrar o Paché e o Dito das mortes onde são usadas moto Falcon preta. Que sempre que os dois praticam um homicídio, os policiais arrumam alguém para assumir, seja um adolescente, seja alguém sem passagens”. A versão dada ao Gaeco foi alterada posteriormente, mas em 15 de fevereiro e 6 de março deste ano Rodrigo prestou novos depoimentos, quando admitiu que mudou a versã0 pois Dito e sua família estariam ameaçando-o de morte e que inclusive teriam tentado constranger sua esposa e filho. As mortes, segundo ele, foram encomendadas por Dito “em razão de dívida e disputa do local para venda de droga, e que sua participação no delito consistiu em acompanhar o executor”. Um dos depoimentos foi acompanhado por Fúlvio Luis Stadler Kaipers, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PR.
“O crime em questão revelou por parte dos denunciados, total falta de sensibilidade e respeito para com a vida humana, sendo indiscutível a ampla repercussão desta espécie de crime, acarretando intranqüilidade e revolta à coletividade, e, a manutenção dos denunciados em liberdade tornaria desacreditada a justiça e serviria de incentivo à criminalidade. Trata-se de duplo homicídio, praticado com nítidos sinais de execução, vez que as vítimas foram surpreendidas e atingidas com os disparos fatais enquanto sentadas em sua residência, o que vem a evidenciar a frieza e intensa periculosidade dos denunciados, que em liberdade demonstram colocarem risco a ordem pública. Ademais, como bem apontou a representante do Ministério Público, as provas arrecadadas por conta da investigação policial demonstram que os denunciados integram organização criminosa, enquadrando-se na categoria de “matadores profissionais”, cobradores de dívidas, cujos pagamentos são as vidas dos devedores, com o acréscimo de que o denunciado Rodrigo Fonçati, poucos meses depois, foi denunciado perante a 4ª Vara Criminal desta Comarca, pela prática de homicídio em semelhantes circunstâncias, cometido, em tese, na companhia de Cassiano Aparecido Batistioli, filho de Benedito Batistioli, denunciado nestes autos”, diz o acórdão. Dito e Paché continuam presos e Cassiano tem contra si um segundo pedido de prisão.