Uma busca na web e novos detalhes da fábrica de avião

Do leitor Jhonatan Silva, sobre o que pode ser o golpe do avião de rosca:
As seguintes informações foram obtidas através de uma simples pesquisa na web. Logo, não é um dossiê completo ou minucioso. As fontes estão no final.
1) Primeiramente, estamos falando da “Avio International Group Holding S. A.” e não da “Avio S.P.A.”. Esta foi fundada em 1908, tem sede em Turim/República Italiana e possui vários escritórios espalhados pelo globo, atuante na aeronáutica civil, militar e espacial, sistemas eletrônicos e elétricos etc. Quem veio a Maringá foi o suposto presidente da primeira companhia, Luigino Fiocco (cf. fontes). No seu simplório site não há qualquer menção ao cargo que ele supostamente ocupa na empresa. Sabemos que é a “Avio International” porque há um link do lado direito que direciona à homepage dela. No entanto, esta sequer cita o nome de seu “presidente”. Ora, ele é ou não é presidente? Sinceramente, não dá pra saber. Apenas o site de uma espécie de “filial” no Brasil, a “Avio Brasil Indústria de Aviões” afirma que ele fundou a corporação em 2007. Só que há mais alguns poréns: a página da “Avio International” não informa nada sobre essa “filial”; e existem dois sites dessa “Avio Brasil” (cf. fontes).
2) Segundo o próprio site, a “Avio International Group Holding S. A.” é uma pessoa jurídica de Direito Privado com sede na Suíça, fundada em 2007, responsável pelo controle financeiro dessas três empresas: Swiss Avio Engeneering S. A. (fundada em 2006), Dragon Fly Helicopters S. R. L. (não há referência exata da fundação); e General Avia International S. R. L. (idem). De acordo com a Gazeta do Povo e a Prefeitura de Maringá, ela investirá “R$ 174 milhões no empreendimento e criar pelo menos mil empregos diretos”, para fabricar “600 helicópteros e 200 aviões acrobáticos por ano”.
Demorei um pouco, mas encontrei outros dados jurídico-empresariais da Avio International no moneyhouse.ch. Esta página – cujo domínio é na Suíça – contém as informações registrais de companhias constantes dos ofícios de registros dos cantões suíços (unidades jurídico-políticas que compõem a Confederação Helvética, análogas aos Estados-membros na República Federativa do Brasil). Sinteticamente, ele confirma o endereço da sede na Suíça e o ano de fundação; o propósito em torno do qual a pessoa jurídica foi constituída; e seu capital social/acionário de CHF (francos suíços) 300’000, que, convertidos através do Google, correspondem a USD 319,290,00 e R$ 717.120,00.
A empresa Swiss Avio Engeneering S. A., de acordo com o mesmo site, está em processo de falência e liquidação judicial. Tentei de todas as maneiras confirmar a existência do processo judicial na página do “Tribunale d’appello del Cantone Ticino”, mas não tive êxito.
3) Desconsiderando o capital acionário e levando em conta apenas o alto – e desproporcional – investimento planejado, a priori, conclui-se que a corporação possui muitos recursos, uma estrutura física e tecnológica imponente, bem como grande aparato virtual para informar os consumidores sobre suas atividades e produtos para fins de publicidade. Para começar, devemos ver onde é a sede de tamanha empresa.
Existem dois endereços, sendo que o primeiro é onde está localizado seu “legal place of business” na Suíça: Via Lugano, 13 – 6982 Agno – Lugano. Um dos sites da “Avio Brasil” afirma que a sede está no World Trade Center Lugano-Agno, um local que abriga vários escritórios. Por exigir visão interna do WTC, não dá pra saber se isso é verídico ou não (cf. fontes).
Já o segundo endereço é muito intrigante, no qual está localizado o “operative place of business”: Via Stazione 122/124 – 21020 Mornago (VA) na República Italiana. Felizmente, o Street View foi disponibilizado ali (foto). Seguindo pela rua, encontrei um modesto edifício de cor marrom com detalhes verdes que é o segundo estabelecimento da Avio International (cf. fontes). “Ah, você viu o nome ali?”. Surpreendentemente, não há qualquer letreiro com destaque e boa visibilidade que contenha o nome da empresa. Ao contrário, há tão somente uma pequena placa onde consta “Dragon Fly Helicopters”, o logo da Swiss Avio Engeneering S. A. e o logo da Avio International. Além disso, para reforçar, veja o vídeo que registrou o teste do helicóptero “Dragon Fly”: ele foi feito logo ali na lateral do prédio. Fica a dúvida: como é que uma empresa que irá investir R$ 174 milhões aqui em Maringá tem uma estrutura física tão comezinha, modesta e quase escondida quanto esta?
4) Vejamos agora a Avio International na web. De início, o que chama a atenção é a absoluta escassez de resultados consistentes no Google quando digitamos Avio International Group Holding S. A.. Boa parte dos resultados – pelo menos aqueles das primeiras páginas – são de sites brasileiros relatando a visita do suposto presidente Luigino Fiocco e o investimento da Avio Internacional em Maringá.
Sua homepage é muito tosca e simplória, algo completamente fora dos padrões de uma corporação que pretende transmitir seriedade e confiabilidade aos possíveis consumidores/investidores. A companhia existe desde 2007 e não há coisa alguma sobre a comercialização de helicópteros ou aviões, não há página de venda ou suporte de produtos adquiridos. É algo completamente anônimo, pois não há citação do nome do presidente, quais são os órgãos gestores e seus executivos etc.. Nada. Absolutamente nada de esclarecedor. Quer comparar? Olhe o site da Eurocopter, que é a maior corporação no ramo de helicópteros do mundo.
Entretanto, a própria página “esclarece” esse fato: se observarmos atentamente, percebe-se que todos eles estão apenas em fases de testes. Nenhum deles é definitivo e, mesmo para quem não entende muito de helicópteros, infere-se que se trata de algo quase amador. Se fosse puramente amador, poderíamos dizer que é um ótimo trabalho; mas, como se trata de uma suposta empresa que pretende investir uma fortuna em Maringá para criar um polo aeronáutico e de defesa no Estado do Paraná, aparenta ser algo muito vil.
Vejam os vídeos: os helicópteros parecem brinquedos, algo para o lazer do fim-de-semana (digitem “dragonfly helicopter” no YouTube…). O local de testes também demonstra isso: não é perigoso testar um helicóptero numa distância de 3 ou 4 metros da parede de uma edificação? Claro, é apenas a opinião de alguém que não é perito em tais máquinas. Todavia, não é preciso ser perito em guitarra elétrica para constatar que o Gusttavo Lima não sabe, de fato, tocar esse instrumento e que Stevie Ray Vaughan era um gênio.
Outra curiosidade: todos os vídeos que registraram os testes dos pequeninos helicópteros “SK-1 Twinpower” e “ULR A-333 Dragonfly” – que constam na homepage da corporação – podem ser encontrados apenas no canal deste obscuro usuário do YouTube: alexpattom (que é o criador de uma das páginas da “Avio Brasil”). É tudo muito amador para quem investirá R$ 174 milhões aqui… Novamente, para efeitos de comparação, vejam o canal da Eurocopter.
5) Falemos agora dos aviões. Lembram que a Avio é composta pela General Avia International S. R. L.? Então, o site diz que essa é a fabricante do avião acrobático F22 Pinguino, criado pelo engenheiro mecânico e designer aeronáutico italiano Stelio Frati (1919-2010). Entretanto, não dá pra saber se essa General Avia seria uma “sucessora” da General Avia “original”, porque esta última encerrou suas atividades em 1998 e, segundo o site airliners.net, foram produzidos poucos aviões desse modelo até o fechamento da fábrica. Sabe-se da utilização deles pelo grupo holandês de acrobacias aéreas chamado “Red Sensation”. Mas, espere um pouco: Maringá quer se tonar polo aeronáutico e de defesa produzindo aviões acrobáticos e helicópteros de minúsculo porte?
6) Para finalizar, voltemos aos helicópteros. Existe uma conceituada revista especializada nesses veículos, intitulada “Rotor & Wing”. Digitei o nome da “Avio International” e das demais no mecanismo de busca de seu site (sim, ele funciona bem) e não foi encontrado sequer um registro.
Um dos exemplares dessa revista (datado de março de 2012) veicula informação pra lá de relevante para efeitos comparativos: a Eurocopter (a maior fabricante do mundo, com 30 filias e participações espalhadas pelos cinco continentes) vendeu 346 helicópteros em 2010; a Avio International quer produzir 600 helicópteros por ano… Falha de projeção de mercado?
Após a pesquisa, cheguei a esta conclusão pessoal: definitivamente, não compraria um helicóptero da Avio International e não investiria meu capital nela.
FONTES:
– http://www.aviointernational.com/
– http://www.luiginofiocco.com/
– http://www.aviogroup.com/en/
– http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=1391823&tit=Maringa-anuncia-fabrica-de-avioes
– http://www.gazetamaringa.com.br/online/conteudo.phtml?tl=1&id=1392009&tit=Industria-da-Avio-em-Maringa-sera-a-primeira-fora-da-Europa
– http://www2.maringa.pr.gov.br/site/index.php?sessao=912957a9165591&id=20136
– http://alexpattom.wix.com/aviobrasil#!__company
– https://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.aviobrasil.com%2F&h=9AQFPlYEu
– http://www.moneyhouse.ch/en/u/avio_international_group_holding_sa_CH-501.3.009.527-6.htm
– http://www.moneyhouse.ch/en/u/swiss_avio_engineering_sa_CH-501.3.006.951-7.htm
– http://is.gd/6dqmF2
– http://www.wtclugano.ch/
– http://is.gd/jLOPnH
– http://www.youtube.com/user/alexpattom/videos
– http://www.youtube.com/user/EurocopterEADS
– http://www.airliners.net/search/photo.search?aircraft_genericsearch=General+Avia+F-22&distinct_entry=true
– http://www.throttleandstick.com/tas/airshow-aviation-galleries/47-event-gallery-red-sensation-2008
– http://www.aviationtoday.com/rw/
– http://www.helispot.be/hs/documents/heli/Rotor_wing_Mar2012.pdf
– http://www.eurocopter.com/site/en/ref/home.html
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