Acidente que matou 10 maringaenses completa uma década

luto
Na próxima quarta-feira vai fazer dez anos do acidente que matou dez pessoas, nove das quais eram funcionários da Vivo em Maringá, depois que a van em que viajavam perdeu o controle, atravessou o canteiro que divide a pista e bateu de frente com um caminhão, no quilômetro 498 da BR-376, em Ponta Grossa. Famílias das vítimas, a maioria de Maringá, movem processo contra RodoNorte e Sanepar, por não terem sinalizado trecho da BR-376 após rompimento de tubulação, o que teria ocasionado o acidente no dia 18 de dezembro de 2003. O acidente ainda não recebeu um ponto final. As famílias das vítimas, nove de Maringá e uma de Londrina, aguardam a decisão da Justiça sobre a responsabilidade do acidente, para que a indenização seja liberada.
O acidente aconteceu em 18 de dezembro de 2003. As vítimas voltavam de Curitiba para Maringá, após uma festa de confraternização, quando a van na qual estavam derrapou em lama que havia na pista, invadiu a pista contrária e bateu de frente com um caminhão. Nenhum ocupante da van sobreviveu. As famílias movem uma ação desde 2004 contra a RodoNorte, concessionária responsável pelo trecho da rodovia, e a Companhia de Saneamento do Paraná. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, o acidente foi provocado pela lama que havia na rodovia. A lama foi ocasionada pelo vazamento de água de uma tubulação da Sanepar que rompeu horas antes.
Hilda Morales, mãe de Flávia Morales Graziano, questiona até quando vai o descaso. “E se fosse a filha do presidente da Rodonorte ou da Sanepar ou até mesmo de um juiz? Como estaria este processo hoje? O que pedimos hoje não é que seja feita a justiça. É que se cumpra a mesma, fazendo com que as concessionárias parem de tripudiar em cima da nossa dor”, diz. Hilda, que fez uma referência de luto no Facebook, lembra que a última perícia solicitada foi da composição da camada do asfalto. “Então pergunto: quantos acidentes aconteceram naquele período na mesma rodovia? Quantos foram culpados pela “composição da massa asfáltica”? A Rodonorte alega que não consegue achar uma das testemunhas e por isso não pode dar prosseguimento ao processo. Se temos em torno de 30 testemunhas, o que mudaria essa pessoa? Até porque até onde sei mudar o testemunho dado e assinado é crime. Quando alguma delas vai chegar em nós e dizer ‘nos desculpe, nós poderíamos ter cuidado deles, mas não fizemos a parte que era de nossa responsabilidade, enquanto voces sempre cumpriram com a sua parte, pagando o pedágio para que pudessem viajar com segurança por nossas estradas’. Quando isto vai acontecer? Até quando vamos esperar?”.

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.