De José Luiz Boromelo:
Mas sem paciência não conseguimos nada, inclusive uma senha na madrugada para atendimento no caótico ambiente dos hospitais públicos, mais parecidos com um “front” de guerra. E haja uma dose cavalar dela ao esperar por dias e até meses para se agendar uma cirurgia, por mais urgente que seja. Exercite sua paciência para suportar o aperto nos ônibus, metrô e trens urbanos, comparados a latas de sardinha. Nesse caso específico, a paciência é um equipamento de porte obrigatório, pois a população não encontra alternativas para evitar esse tão importante meio de transporte.
Outras situações também colocam nossa pouca paciência à prova: ao ligar a TV temos a impressão de que as emissoras competem entre si para nos brindar com o que há de pior no quesito entretenimento, com uma programação caracterizada pelo baixíssimo nível; outra prova de resistência é o horário político obrigatório semanal, a mesmice sem sal que há décadas tenta ludibriar o incauto eleitor. Há que se ter ainda a paciência de Jó ao enfrentar longas filas para depositar o voto nas urnas e outras tantas situações mais, que requerem uma dose extra dessa incrível capacidade em superar as adversidades do cotidiano.
De tanto falar em paciência me lembrei do saudoso e irreverente amigo Anacleto, uma pessoa exageradamente tranqüila, que não tinha pressa alguma na vida. O que ele mais tinha era paciência. Quando encontrava os amigos, vinha sempre com uma de suas tiradas impagáveis: “Tenha paciência nessa vida, pois tudo é passageiro. Menos o cobrador e o motorista”. Obrigado companheiro, por seu exemplo de como levar a vida com paciência, mesmo que ultimamente eu não tenha seguido à risca seus conselhos. Então, no seu dia a dia procure inspiração no Anacleto. Aconteça o que acontecer, tenha um pouco mais de paciência.
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(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista