De João Vitor Cruzoletto:
Mais uma vez questiono esse “modelo democrático” que se pretende adotar na escolha dos conselheiros tutelares. Os vícios da “politicagem” presentes, desde santinhos jogados no chão à promoção pessoal dos candidatos. Campanhas e alianças questionáveis de norte a sul do Brasil, que podem comprometer o debate e a defesa dos direitos da criança e do adolescente. Que tipo de comprometimento se espera com aquele eleitor que é a favor da redução da maioridade penal (por exemplo) e vota no seu representante à conselheiro tutelar? E aquele candidato engajado, que não tem o carisma necessário ou não dispõe de verbas financeiras para uma ampla campanha, será taxado de incompetente com a sua “não eleição”? Volto a frisar, a meu ver a função de conselheiro é mais técnica que política. Está ali para fazer cumprir os direitos da criança e do adolescente. Vai cobrar da família, do Estado e da sociedade. Agora como vou cobrar algo de quem me elege? São situações muito estranhas e não vejo relação da eleição com uma maior democratização do Estatuto da Criança e do Adolescente. Lamentável o rumo que o Conselho Tutelar possa estar tomando em nosso país. Aqui parabenizo aquelas pessoas que foram eleitas e as que não foram. O critério da eleição está aquém da importância política e social desse trabalho!!!
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(*) João Vitor Cruzoletto é sociólogo/mestre em Ciências Sociais