É pura ficção

O secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, apresentou hoje na Assembleia Legislativa a prestação de contas do governo estadual referente ao primeiro quadrimestre de 2016. De acordo com Costa, o Paraná registrou no período aumento das receitas e despesas, crescimento nos gastos com pessoal e transferências aos municípios, além de ampliação dos investimentos em saúde, educação e segurança.
Para a bancada de oposição, entretanto, o “mundo perfeito” que o secretário mostrou aos deputados estaduais não condiz com a realidade vivida pela população. “Este mundo perfeito da prestação de contas é pura ficção, acontece somente nas propagandas do governo Beto Richa”, disse o deputado Requião Filho (PMDB).

“Na realidade, a educação sofre com graves problemas de gestão e falta de merendas nas escolas. Na saúde, faltam medicamentos, hospitais e profissionais. Na segurança faltam recursos para qualificar policiais e comprar viaturas, armamentos e até coletes balísticos. E ele ainda culpa o povo que quer mais. Acredito que se o cenário é tão perfeito quanto pintam, há falta de gestão por parte dos secretários”, concluiu.
O líder da oposição rebateu as informações apresentadas pela Secretaria da Fazenda de que o Paraná esteja sofrendo discriminação do governo federal. “Temos que parar de nos martirizar. Este discurso contra o Paraná devia ser riscado da nossa agenda política. Os recursos arrecadados aqui que são destinados ao governo federal voltam não apenas em dinheiro, mas na forma de investimentos em educação e outras áreas”.
O deputado Nereu Moura (PMDB) disse que ficou preocupado com o fato do secretário repetir, em diversos momentos da audiência pública, que o governo precisa aumentar a arrecadação com impostos. “O governo devia cortar despesas, e não falar em aumentar impostos”, protestou.
Moura também questionou os motivos que levaram o governo a gastar somente 10,98% em saúde, enquanto a Constituição determina investimento mínimo de 12%. “A atual gestão financeira está castigando a população que é atendida por programas básicos de saúde”. Ele apresentou um relatório elaborado pela Secretaria de Saúde que indica que a execução orçamentária do programa Mãe Paranaense foi de apenas 5,52% no primeiro quadrimestre, enquanto o Leite das Crianças foi de somente 15,75%.
Ainda durante a audiência pública, o bloco oposicionista anunciou que vai apresentar amanhã uma proposta de emenda à Constituição que estabelece que o Poder Executivo deverá encaminhar aos deputados estaduais, com dez dias de antecedência, o relatório das metas fiscais de cada quadrimestre a ser apresentado pelo secretário da Fazenda, conforme previsto em lei federal. (Divulgação)

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.