Desconfiado, cabreiro, com pulgas atrás das orelhas…

… não sei a expressão mais adequada para definir o estado em que fiquei, após assistir a sessão da CPI do Parque Industrial nesta quarta-feira.
A forma como foi o depoimento do Agnaldo Vieira, e a condução do presidente Flávio Mantovani, me deixou com sensação de que CPI não queria saber o nome dos dois vereadores que teriam tentando extorquir a Sanches Tripoloni, e o depoente, na dele, a cavaleiro, não tinha interesse em dizer.

Pareceu-me tudo teatralmente armado. Primeiro com a resposta, em tempo recorde, por escrito, da construtora, dizendo que a notícia da tentativa extorsão era inverídica. Depois a dispensa do depoente que foi perguntado, apenas, se tinha gravação comprovando o fato. Por que ninguém mais insistiu em perguntas? Por que o presidente abriu a possibilidade de membros, como o vereador Homero Marchese, que já na sessão anterior queria inquirir Agnaldo?
Penso que a Câmara e a sociedade foram as grandes perdedoras. A suspeita continua sobre os 15 vereadores. Duas pessoas, incluindo Agnaldo, saíram por cima. Dentre os 15 vereadores, além dos dois suspeitos, outros provavelmente saibam quem seriam. O único que, temos certeza, não sabe é o vereador Homero, pois se soubesse, certamente aprofundaria a investigação e pediria a cassação dos mandatos, como disse em sessão anterior. Todos permanecem injustiçados, inclusive o ex-diretor que perdeu o cargo, mesmo sem ser desmentido formalmente. Enfim, foi uma saída salomônica, possivelmente com desdobramentos imprevisíveis. Vamos ser sinceros. Se quisessem saber mesmo a verdade, haveria meios.
Akino Maringá, colaborador

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Pioneiro em blog político, foi repórter e apresentador de programas de rádio e televisão, além de ter editado jornais e revistas. É comentarista da Jovem Pan Maringá.