A nova vida…

…sem Valquíria. Veja você que só agora pude vir a escrever e dar notícias daqui. Ainda estou meio embaraçado com a nova vida. Tudo mudou, o que já era voltou a ser e o que era já não é mais, ainda vai ser. Compreendeu?

É difícil para a gente se adaptar. Mas consegui muita coisa. Estou aqui para dar notícias. Estive na casa da Valquíria, mas ela não percebeu e não tive que me fazer notar (…)
Hoje, já não tenho mais medo de atrapalhar-me, porque entendi que tudo não passou de uma transformação e que o choque sofrido não podia ter consequência grave para mim, porque foi físico. Eu agora não tenho mas corpo físico, mas ainda tenho corpo. Interessante observar as propriedades deste meu corpo.São inteiramente diversas, no campo físico, das que tinha antes. Se dois corpos não podiam ocupar o mesmo espaço, agora podem, já que posso atravessar uma parede, sem nada me acontecer. (…)
Com esta introdução, do Livro O mundo que encontrei, ditado por Luiz Sérgio , psicografado, por Alayde de Assunção e Silva , queremos levar ao leitor uma reflexão, sobre a vida após a morte do corpo físico e concluímos com uma mensagem que ele deixou para Valquíria, que era sua namorada: Valquíria: ‘O mundo não acabou e o fim de uma vida foi o começo de outra. Um dia pode acontecer de nós no encontrarmos de novo, aqui ou aí…Então, talvez eu seja menos louco, mas prudente e possamos pensar em sonhar outra vez. Não se importe mais comigo. Eu já era Procure viver bem a sua vida. Se chegar a vir para cá eu estarei aqui. Mas não venha agora, não. Sua vida é boa e você tem meios para aproveitar bem. Viva onde está. Eu vou viver aqui neste país ou neste mundo, igual e diferente de sonho e de realidade. Não sei se sonhei quando estava vivo ou se sonho agora que morri. Você talvez tenha sido uma imagem de sonho e agora a realidade a apagou. É a materialização de alguém ou a desmaterialização da realidade? É neste estado de espírito que me encontro. Ainda falta muito para eu conseguir firmar-me nesta espécie de vida.Entretanto, como todo mundo vai ter que morrer, é melhor ir pensando na possibilidade de ser diferente e não ser como é, pois um dia será como é em lugar de ser como foi. Entendeu? Aqui deixo minha lembrança. É assim que quero ser: uma lembrança apenas. (Luiz Sérgio) ‘
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Akino Maringá, colaborador