Terrorismo, não, terror…

A ‘ideologia’ das organizações criminosas é o dinheiro. A questão é mais de ‘terrorismo político’, político eleitoral

Terrorismo é o uso de violência ou ameaça, física ou psicológica, por indivíduos ou grupos com o objetivo de espalhar terror, pânico e coagir governos ou a sociedade para alcançar fins ideológicos, políticos, religiosos ou raciais. No Brasil, o crime de terrorismo é regulamentado pela lei 13.260/2016, que estabelece que o ato terrorista deve ser motivado por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito, ou por extremismo político e intolerância religiosa.

Por lei, o terrorismo difere do crime organizado comum (das facções) porque a motivação central deste último é o lucro financeiro, enquanto o terrorismo visa impor uma ideologia e provocar um terror social generalizado. O tema ganhou destaque no debate público brasileiro após o governo dos Estados Unidos classificar de forma unilateral grandes facções criminosas brasileiras (como o PCC e o Comando Vermelho) como organizações terroristas. Analistas alertam que a medida pode afetar negativamente os investimentos estrangeiros no país, o comércio exterior e exigir um compliance mais rígido de empresas nacionais.

Feita esta introdução, com palavras que não são minhas, volto ao título para explicar  que no meu entendimento, o que fazem as organizações criminosas PCC e CV não é terrorismo, no sentido clássico do termo, e não ameaçam autoridades americanas, por ideologia, como o atentado de 11 de setembro de 2001, quando dois aviões atingiram as torres do World Trade Center e um atingiu o Pentágono. Os atentados foram organizados pela Al Qaeda, sob o comando de Osama Bin Laden e depois deles, o mundo nunca mais foi o mesmo.

Lideranças dos criminosos brasileiros jamais orientariam ataques à Casa Branca, ou qualquer governo, inclusive no Brasil, muito pelo contrário. Causam terror com suas atuações, fora da lei, sobretudo em comunidades carentes de grandes cidades e já se espalham por menores, mas não fazem terrorismo ideológico. A ‘ideologia’ dessas organizações é o dinheiro. A questão é mais de ‘terrorismo político’, político eleitoral, com um grupo, no Brasil, vendendo a ilusão de que está defendo os brasileiros de criminosos, e os EUA se aproveitando para ter um pretexto, a mais, para exercer uma influência (dominar) o Brasil, que assim se submeteria aos interesses da potência, em confronto com a China, sobretudo.

Quando falamos em terror, lembramos do terror da morte (PCC e CV, e outros grandes criminosos, inclusive do colarinho branco, corruptos, são causadores), mas queremos refletir, a luz da doutrina espírita, sobre o temor, medo sim, verdadeiro terror que muitos têm da única certeza absoluta que todos temos na vida, a de  que um dia vamos morrer.

Para o Espiritismo, o “terror da morte” decorre da falta de conhecimento sobre a vida espiritual e do apego excessivo à matéria. A doutrina esclarece que o desencarne é apenas o retorno da alma à sua verdadeira dimensão, e que cultivar o autoconhecimento e o bem-estar, no presente, dissolve esse medo. A morte não é o fim da consciência, mas o desprendimento do espírito da “roupagem” física. A alma continua viva, lúcida e com sua identidade preservada. O pavor geralmente surge da ignorância sobre o que ocorre no “além-túmulo” ou de sentimentos de culpa e remorso acumulados durante a jornada terrena. O medo em si é natural e atua como um mecanismo de preservação, evitando imprudências e mantendo o ser na Terra enquanto houver missões a cumprir.

Muitos temem destino do o ‘inferno’, ensinado pelas religiões tradicionais. Outros, materialistas, apegados a bens, à vida de luxuria, muitas vezes, ficam imaginando como é terrível tudo isso se acabar de uma hora para outra. No fundo, todos tememos enfrentar o desconhecido e  alguns, ‘mercadores da fé’, fazem verdadeiro terrorismo com a ameaça do ‘fogo eterno’, muitas vezes cobrando dinheiro,  se dizendo representantes de Deus, para nos salvar. Esses e outros bandidos talvez fiquem aterrorizados depois do morte.

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