O Mundo d.c.
Quis o destino, como diriam os que creem no acaso como agente de transformação, o que não endosso, que as mesmas quatro letras que há séculos se juntaram em dois pares distintos para despertarem os homens sobre um grande acontecimento, novamente se aproximam para este mesmo objetivo. Isto mesmo, quem tem olhos para ver, verá.
As letras são as mesmas, é certo, embora diferentes as mensagens que carregam. Enquanto no primeiro caso os dois pares de letras diziam que uma nova forma de contar o tempo foi estabelecida, no segundo caso os mesmos dois pares de letras dizem que uma nova forma de ver o mundo está proposta. Mas seja na questão do tempo, seja na questão dos fatos, o que é verdadeiro é que as letrinhas estão absolutamente certas.
Quais são as duplas de letras que tanto dizem e que poucos parecem ouvir?
Nada mais, nada menos do que as duplas a.c e d.c, valendo ressaltar que na dupla mais antiga o C é grafado em maiúsculo por representar uma pessoa, ao passo que na dupla mais moderna o c é grafado em minúsculo por representar apenas um vírus.
Com o advento de Cristo o tempo se partiu em dois períodos distintos, influenciando diretamente na sua contagem. Assim, em relação ao tempo que o precedeu se usa a dupla a.C, para dizer antes de Cristo, enquanto que para o tempo que o pós sucede a dupla aplicada é d.C, para dizer depois de Cristo.
Sem o poder de influenciar na contagem do tempo, mas sim de provocar mudanças na forma do mundo ser, o coronavírus surgiu para dividir o mundo em dois.
Sim, já temos dois mundos.
Assim, a partir do momento que a pandemia se instalou com poder de parar tudo e todos, já era possível dizer que teríamos um mundo a.c, ou seja, antes do coronavirus e um mundo d.c, isto é, depois do coronavirus.
O mundo a.c. está cada vez mais distante e em processo de substituição pelo mundo d.c., de modo que não poderá resistir à transformação que surge.
É fato que no mundo d.c. viverá o mesmo homem do mundo a.c., pois nenhum vírus tem poder de transformá-lo numa nova pessoa. Pode, quando muito, enquanto atua contra ele, fazê-lo pensar diferente, mas tão logo passe e seja dominado pela ciência, tudo volta a ser como sempre foi. No entanto, transformado ou não, não vem ao caso, o fato é que o homem a.c. viverá num mundo diferente, e deve se preparar para enfrenta-lo com todos os desafios que o novo é capaz de trazer.
Portanto, já estando imersos no mundo d.c., a primeira coisa a fazer é vencer o saudosismo do mundo a.c., pois quanto mais vivermos naquele tempo, menos viveremos neste tempo. A segunda, igualmente importante, é vencer a clausura do medo, pois quanto menos coragem para agir, mais prisão para nos paralisar. E a terceira, não menos importante, sentir-se satisfeito por estar vivendo o tempo da mudança, onde você poderá ver o mundo que foi – o mundo a.c. – enquanto observa o mundo que está sendo – o mundo d.c.
Bom mundo d.c. para todos. Melhor ainda para aqueles que grafam o C com letra maiúscula.
A este texto de Lutero (advogado e teólogo para consumo próprio, como ele mesmo se define ), nada teria a acrescentar, além de parabenizá-lo. Alguns diriam que o Brasil será um antes de duas letras (pt) e após.Em palavras antes do p e do b, coloca-se a letra a m e nas demais n, embora com o mesmo som. O b pode lembrar Bolsonaro, o m, Mandetta. Já o p, lembra povo e o t, podemos lembrar de tudo, que tudo de mau passa.
Pensando em tudo, lembramos de Deus, que é tudo de bondade, perfeição, justiça, e quando a coisa estava muito complicada, guardadas as proporções como agora, mandou o mais adiantado de seus Filhos, para, pessoalmente, tentar resolver o problema. Há quem diga que não conseguiu, mas penso que isso não é verdade. Se Jesus Cristo não tivesse vindo e deixado os ensinamentos e exemplos que deixou, a situação estaria muito mais complicada. Mas não esperemos que ele volte para acertar tudo. Agora está em nossas mãos. Mãos à obra, seguindo a regra de ouro deixada por Ele. ‘Amar a Deus, acima de qualquer coisa e ao próximo, como a si mesmo’.
Akino Maringá, colaborador
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