A Veneza brasileira

Bastou o governo Bolsonaro fraquejar a ponto de ter que buscar apoio político no Congresso Nacional, para acontecer o primeiro ataque ao orçamento da União. O departamento imediatamente desejado pelos partidos e negociado foi justamente o Dnocs. E não foi por acaso que isto aconteceu.

Para este ano, segundo informa o site do Dnocs, o orçamento do Departamento foi fixado próximo de 1 bilhão de reais, uma dinheirama que em tempos de tanta escassez de recursos se mostra maior do que a cifra indica. O Dnocs é um departamento que faz parte da estrutura do Poder Executivo e foi criado no ano de 1909, ou seja, há mais de um século, com a finalidade de realizar obras para combater a seca no Nordeste. A sigla quer dizer Departamento Nacional de Obras de Combate à Seca. No entanto, por mais incrível que possa parecer, o Nordeste ainda continua seco e o nordestino padecendo com a falta de água. Mas os partidos políticos que gerenciam os recursos do Dnocs, estes sim, não passam sede de especial alguma, a não ser a sede pelo poder que é saciada com recursos públicos.

Com efeito, se neste mais de 100 anos de existência e com orçamento médio anual de 1 bilhão de reais, se o Dnocs tivesse cumprido seu objetivo de combater a seca, nesse período o Departamento já teria aplicado mais 100 bilhões de reais na construção de açudes, represas, furar poços artesianos, etc tornando o sertão em mar, como já foi cantado. Se isto tivesse acontecido com seriedade, a Região teria se abastecido de grandes lagos, de enormes açudes, de canais quilométricos para irrigação de plantações por onde poderiam navegar barcos, gôndulas e jangadas, transformando o Nordeste todo numa verdadeira Veneza brasileira, pois água de superfície não faltaria.

Mas a Veneza brasileira é só um quadro de alucinação presente na mente de quem pensa seriamente o país e gostaria que os recursos do povo fossem aplicados em favor do povo. Afinal, se o poder emana do povo e em seu favor deve ser exercido, o mesmo princípio deve ser aplicado em relação ao dinheiro que do povo também emana.

Ademais, não seria exagero dizer que se desde 1909 o suor dos brasileiros que trabalharam para, através do recolhimento de impostos, formar o orçamento do Dnocs, fosse juntado e levado para a região, já teria água suficiente para combater a seca daquela parte que também é Brasil.
Se não é para combater a seca do Nordeste o Dnocs deve ser extinto, pois a continuar como sempre foi vai acabar secando o resto do país com desvio de recursos públicos.

Com este texto  de Lutero de Paiva Pereira, advogado, queremos fazer ma reflexão: E a experiência de Israel, que Bolsonaro prometeu? O que falta fazer, em matéria de obras para evitar a a seca? Trabalhei  em Icó  e Pereiro no Ceará, no ínício dos anos 80 e joguei futebol do campo do Dnocs, que tinha, salvo engano, uma sede campestre de grandes clubes sociais. Passados 40 anos, o que mudou? Para que serve efetivamente o Dnocs?  Vou repassar a pergunta aos meus colegas de Banco do Brasil, daquela época , com quem, graças a um grupo de WhatsApp, recentemente criado, voltei a me comunicar e recordar o tempo de janeiro de 81 a julho de 83, quando lá trabalhei.

Faça parte do nosso grupo no Telegram e receba as principais notícias do dia – Clique aqui