Vacina cara, comprada com ajuda de Bolsonaro, fulmina o mito anticorrupção

De Olga Curado, no UOL:

Vão caindo os tapumes do discurso do capitão reformado, que invocava, a uma crédula e desinformada turba, que estava acima das tentações da carne. Anunciava com veemência o propósito de passar a limpo o país acometido do mal nefasto da corrupção. Contou com a ajuda necessária de um ex-juiz alçado à condição de ministro da Justiça e agora reconhecidamente apontado por juristas, acadêmicos, íntimos das leis e do Direito, e com o reconhecimento do STF (Supremo Tribunal Federal), como parcial em julgamento contra o ex-presidente Lula.

O mito de que a corrupção “não existe no governo do capitão”, como dizem de boca cheia seus vassalos, está ruindo. Não bastassem as denúncias, cujas investigações permanecem inconclusas por manobras de todo o tipo, visando, claro, proteger os filhos do capitão, e que não são reconhecidas como apropriação de dinheiro público. Rachadinha, no Código Penal, se chama peculato. Corresponde a pegar salário de funcionários de gabinetes de parlamentares.

A volúpia inexplicável, do Congresso, de um deputado Ricardo Barros, que pragueja contra a Anvisa e muda texto de lei, para ir célere na construção de dispositivo legal que permitisse a importação da Covaxin, fechando acesso a outras, é um mistério. Concede, na mudança da lei, autorização de uso de imunizante, desde que este fosse permitido pelas autoridades sanitárias da Índia. Uma generosidade para com o laboratório, já que a tal autoridade sanitária não estava incluída entre aquelas agências cuja reputação justificaria liberação automática para a população brasileira. Leia mais.

(Foto: Marcos Corrêa/PR)