Menos rapaziada, menos…

O pagador de impostos está incrédulo com as atitudes adotadas por alguns de seus representantes

Casa legislativa lotada para a sessão extraordinária em pleno horário comercial. O clima de tensão pairava no ar. Sistema de som ajustado, climatização funcionando no máximo, imprensa presente para a cobertura jornalística. Os protagonistas ocupavam suas cadeiras silenciosamente já antevendo o presumível, mas perfeitamente evitável embate ideológico. Ocorrências similares anteriores naquela instituição pública indicavam que as coisas poderiam se repetir. E o que se temia aconteceu. Mais uma vez. Temperado com os mesmíssimos ingredientes que incluíram ofensas pessoais, falta de respeito e de um mínimo de discernimento. O público ignorou ostentosamente os reiterados pedidos da presidência por abstenção de manifestação. Ora aplaudia, ora vaiava as interações pouco reverenciosas entre os nobres pares, mostrando que as partes envolvidas no imbróglio contavam com torcida organizada, que atuavam conforme o desempenho dos contendores.

E assim se deu mais uma sessão plenária na casa de leis da pacata capital da uva fina. Aliás, não como o esperado pela população, evidentemente. O pagador de impostos está incrédulo com as atitudes adotadas por alguns de seus representantes. Há um bom tempo vereadores andam se estranhando de forma exacerbada, deixando de lado a urbanidade para trazer ao plenário atitudes tão delicadas quanto aquelas utilizadas pelos boxeadores no ringue. Obviamente não chegaram ao cúmulo das vias de fato, mas o destempero verbal é uma prova inconteste de que sobram diferenças ideológico-partidárias e faltam argumentos. Tudo porque se estabeleceu naquele ambiente outrora democrático duas vertentes distintas, o que é absolutamente natural e necessário para a manutenção da democracia. A ala da situação defende a aprovação do projeto de lei enviado pelo Executivo, solicitando autorização de empréstimo para a execução de diversas obras, que inclui rede de esgotamento sanitário, aquisição de terreno para implantação do novo cemitério e outras. A oposição alega preocupação com o endividamento do município, carência de informações complementares e do estabelecimento de prioridades no bojo do referido projeto.

Em meio às intermináveis demonstrações de dissonância parlamentar estão os inconformados marialvenses. Que anseiam por melhorias, porque as obras de cunho social são essenciais para elevar a qualidade de vida da população. Não se justificam, portanto, as razões pelas quais os representantes do povo não chegam a um consenso. É compreensível a atitude daqueles edis que se posicionam pela saúde financeira do município, não obstante as necessidades de investimentos em áreas sensíveis e que demandam comprovada urgência. As tomadas de decisões devem ser acompanhadas por debates sensatos e lastreadas em pareceres estritamente técnicos, na medida do possível isentos de influências ideológicas ou circunstanciais, para que no futuro não se credite aos contribuintes os ônus de iniciativas eventualmente temerárias.

As casas legislativas são tradicionalmente palcos de atritos e celeumas, das mais variadas possíveis e isso acontece pelo mundo todo, até por conta da necessidade em se defender um ponto de vista. O parlamento é o ambiente destinado aos debates, com objetivos primordiais em legislar e fiscalizar. Isso envolve uma série de condicionantes e variáveis, que retratam as peculiaridades das casas de leis, mas exige de seus integrantes responsabilidade, sabedoria e equilíbrio. Aos nobres e exaltados representantes marialvenses, uma recomendação interessante nesse momento de turbulências: menos rapaziada, menos…


(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista em Marialva/PR

Foto: O Diário de Maringá