Treta na área da cultura tem até acusação de homofobia

O Prêmio Aniceto Matti (maestro, de saudosa memória, autor do Hino a Maringá junto com Ary de Lima) virou pano de fundo para uma discussão sobre aparente homofobia. Em extenso recurso com data de segunda-feira e endereçado à Secretaria de Cultura de Maringá, o roteirista José Carlos Padilha, contestou a não seleção de seu livro, “Pesadelos da hora mais sombria da noite – Sobre o amor, dor e outras fraturas da alma: Crônicas de paixões”. O trabalho recebeu a nota mínima.

Em certo trecho, Padilha, mourãoense que dirige a produtora Moinhos de Vento e preside o Pólo Cinematográfico de Maringá escreveu: “DESCULPE MAS VOCÊ NÃO TEM CURRÍCULO PARA ME JULGAR, TE FALTA REPERTÓRIO! QUANTO VALE ESTAR NUMA ENCRUZILHADA ENTRE A VIDA E A MORTE? QUANTO VALE VOCÊ SER PASSAGEIRO PRIVILEGIADO NESSA VIAGEM? QUANTO ISSO VALE COMO EXPERIÊNCIA DE VIDA? No formulário do gabarito dos avaliadores do PRÊMIO DE LITERATURA DE MARINGÁ não vale nada, ou quase nada, vale a NOTA MÍNIMA! Vale menos do que um pedagogo com voz afetada, vestindo um figurino de trapos sem sentido estético equilibrando um penico num espanador”.

Nas redes sociais, o pedagogo e escritor Danilo Furlan (foto) respondeu: “Hoje minha voz “afetada” foi calada. Por um instante ficou em silêncio para que lágrimas desenhassem meu rosto em uma amarga realidade, a da homofobia. O Brasil é o pais que mais mata LGBTQIA+ no mundo. É por isso que não posso fingir que não aconteceu e simplesmente deixar pra lá. Depois de ter meu projeto “Convite a Contação de Histórias ” aprovado em primeiro lugar na categoria Literatura, obtendo a 3° maior nota de todo edital, recebi um ataque gratuito de homofobia sendo chamado de “pedagogo da voz afetada” em um dos recurso apresentados, além de vários insultos aos meu 24 anos de trabalhos artísticos. (…) Que nenhuma voz mais se cale e que as histórias possam invadir o mundo com gente que faz o que faz com amor, carinho e acima de tudo, profissionalismo e respeito”.

No Instagram, a Secretaria de Cultura manifestou publicamente solidariedade ao artista e produtor cultural Danilo Furlan, classificando a atitude de José Carlos Padilha, sem citar seu nome, “de desrespeito profissional e homofobia”. Segundo a postagem, o prêmio Aniceto Matti 2020 foi avaliado por pareceristas de fora de Maringá. “Coube a eles, portanto, as notas dos projetos. Danilo Furlan ficou em primeiro lugar na categoria “Leitura e Literatura R$ 60.000,00”. O autor do recurso ficou na quarta colocação, na posição de suplente. Somente os dois primeiros da categoria são contemplados. O recurso com insinuações ao trabalho de Furlan não é avaliado pela equipe da Secretaria, mas pelos pareceristas contratados. Medidas cabíveis estão sendo avaliadas pela equipe da Cultura”, diz a nota.