Caro amigo Fuji: Ficamos amigos por volta de 2010, quando você passou a ser ‘um comentarista’ das postagens que fazíamos diariamente, no Blog do Rigon, especialmente no famoso caso Pupin, em que defendemos que o prefeito eleito de Maringá seria Enio Verri. Foram anos de parceria e complementação de postagens, com opiniões sempre abalizadas de sua parte, sem que nos conhecermos pessoalmente, até que um dia, caminhando no interior do parque do Ingá, me apresentei e depois algumas vezes o visitei na Ouvidoria Municipal.
Com o fechamento dos comentários no blog, e talvez algumas posições antagônicas politicamente, nos afastamos, mas sempre ficou de minha parte a consideração por você. Neste momento, em que você passou e está passando por uma das maiores provações de sua existência, eu poderia dizer que entendo o que sofre, por empatia, mas é impossível saber o que sente um pai, quando um filho de 38 anos tem que retornar do Mundo Espiritual, em virtude de um acidente que tira do corpo as condições de continuar sendo o veículo de manifestação do Espírito, que vocês tiveram a missão de receber na atual existência física. Não sei o que é mais difícil para você e todos os próximos: a presença da ausência, ou a ausência da presença do Fernando.
A ele, permita-me uma oração: – ‘Deus Todo-Poderoso, que vossa misericórdia se estenda sobre a alma do Fernando Fuji, que acabais de chamar para vós. Possam ser contadas em seu favor as provas por que passou na Terra, e as nossas preces abrandar e abreviar os sofrimentos causados pelo inesperado acidente. Vós, Bons Espíritos que viestes receber essa criatura, e vós, sobretudo, que sois o seu Anjo Guardião, assisti-o, ajudando-o a se despojar da matéria. Dai-lhe a luz necessária, e a consciência de si mesmo, a fim de se livrar da perturbação que acompanha a passagem da vida corporal para a vida espiritual.
A ti, Fernando: Deixaste o envoltório grosseiro, sujeito às vicissitudes e à morte, e conservastes apenas os envoltórios etéreos, imperecíveis e inacessíveis aos sofrimentos materiais. Se não vives mais pelo corpo, vives entretanto pelo Espírito, e essa vida espiritual está isenta das misérias que afligem a Humanidade. Vais percorrer o espaço e visitar os mundos, em plena liberdade, enquanto nós rastejamos penosamente na Terra, presos aos nossos corpos materiais, semelhantes a um pesado fardo. Os horizontes do infinito se desvendarão diante de ti, e ao ver tanta grandeza, compreenderás a vaidade das ambições terrenas, das nossas aspirações mundanas, e das alegrias fúteis a que os homens se entregam.
A morte, para os homens, é apenas uma separação momentânea, no plano material. Assim que puder, vem, pois, atender os que te amam e que também amaste. Ampara-os nas provas da vida; vela pelos que te são caros; protege-os segundo as tuas possibilidades; suaviza-lhes as amarguras da saudade, sugerindo-lhes o pensamento de que estás agora mais feliz, e a consoladora certeza de que um dia estarão todos reunidos num mundo melhor. No mundo em que estás, todos os ressentimentos terrenos devem extinguir-se. Perdoa, pois, a todos os que possam ter cometido faltas para contigo, como aqueles para os quais erraste também te perdoam.’
A você Fuji e todos os familiares, em especial à Camila, esposa do Fernando que continua a cumprir as provas terrenas, nossas vibrações de solidariedade, que tenha força, coragem, fé, paciência e perseverança. Que a saudade seja saudável, sem desespero, na certeza que o Fernando está vivo, apenas mudou de dimensão, por razões que não nos cabe questionar a Deus, agora.