O RU da UEM tem que reabrir já!

Por Thiago Fanelli Ferraiol 

De que adianta falar de cotas e políticas de permanência na Universidade Estadual de Maringá (UEM) se o restaurante universitário (RU), um dos mais importantes elementos para permanência estudantil, está fechado? Basta de arremedos e protelações. Se a alta administração da UEM realmente quer que a política de cotas sociais e raciais seja uma realidade é importante dar uma demonstração concreta disso reabrindo o RU o quanto antes.

Os ataques que o governo estadual realiza, cortando recursos e não contratando servidores, penaliza primeiramente sempre os de baixo. Os de cima, menos afetados pelos cortes, seguem com seus cargos comissionados na alta administração, tocando a burocracia universitária, no máximo com um lamento aqui e outro acolá. Na prática, promovem a acomodação da universidade a este cenário de terra arrasada.

Com o fechamento do RU, o arremedo encontrado foi o fornecimento de marmitas (para menos de 100 estudantes), o que é absolutamente insuficiente. Muitos estudantes pobres ainda estão de fora e muitos outros estão gastando além do que poderiam. Não há necessidade de estudos científicos para constatar que sem refeições saudáveis e acessíveis os estudantes mais vulneráveis socioeconomicamente são prejudicados, tendo seu desempenho acadêmico aquém do seu potencial. Infelizmente, muitos acabam forçados a abandonar seus estudos. Mesmo entre aqueles que não são considerados extremamente vulneráveis, há muitos com um orçamento apertado. Não é justo que a juventude, que já amarga tanta tristeza e sofrimento nessa pandemia por falta de políticas sanitárias públicas adequadas, que já se vê forçada a aceitar os empregos mais precários e menores salários, seja ainda mais prejudicada com o RU fechado e com a falta de políticas para a efetiva permanência na universidade.

Não são apenas os estudantes que são duramente castigados pela decisão de deixar o RU fechado. Trabalhadores da UEM também são diretamente penalizados.

Não são apenas os estudantes que são duramente castigados pela decisão de deixar o RU fechado. Trabalhadores da UEM também são diretamente penalizados. Não bastasse os servidores efetivos estarem com salários com elevadíssima defasagem salarial, agora temos também trabalhadores terceirizados que ganham uma pequena fração do montante que as empresas que os contratam recebem do governo do estado. Todos os servidores da UEM, efetivos, temporários e terceirizados, poderiam usufruir de uma refeição adequada no seu ambiente de trabalho. A volta do RU de forma plena, com café-da-manhã, almoço e jantar, sem dúvida, aumentaria o bem-estar de toda a comunidade acadêmica.

Um restaurante universitário com comida boa, preferencialmente, gratuito, ou, no máximo, com preços acessíveis para todos, impactaria positivamente no desempenho acadêmico dos estudantes e trabalhadores da UEM. Saco vazio não para em pé, como diz o ditado. Sem comida na barriga não dá pra aprender, desenvolver habilidades e progredir academicamente.


(*) Thiago Fanelli Ferraiol é professor do Departamento de Matemática da Universidade Estadual de Maringá

(Foto: ASC/UEM)